Lula zera imposto e subsidia diesel para conter alta do petróleo.
Guerra no Irã vem elevando os preços do barril no mercado
global
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um decreto
presidencial nesta quinta-feira (12) zerando as alíquotas do PIS e do Confins
sobre a importação e comercialização do diesel. Além disso, assinou medida
provisória (MP) com subvenção ao diesel para produtores e importadores.
“[As medidas são] para que a gente garanta que essa guerra
não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro e, sobretudo, não
chegando ao bolso do caminhoneiro não vai chegar ao prato de feijão, à salada
do alface, da cebola e a comida que o povo mais come”, afirmou Lula em coletiva
de imprensa no Palácio do Planalto, em Brasília.
As medidas foram anunciadas em caráter temporário – até dia
31 de dezembro deste ano – e justificadas por causa da alta do petróleo causada
pela guerra no Irã, que vem obrigando países a liberarem estoques de
emergência.
O corte dos impostos deve reduzir o valor do litro em R$ 0,32
na refinaria. Já a subvenção aos produtores e importadores deve ter impacto de
mais R$ 0,32 por litro. Ao todo, as duas medidas devem reduzir o preço em R$
0,64 por litro do diesel, segundo cálculos do Ministério da Fazenda.
A subvenção aos produtores e importadores será condicionada a
uma comprovação de que o valor foi transferido para os consumidores finais.
Para compensar a perda na arrecadação e incentivar o refino
de petróleo no Brasil, o governo passará a cobrar uma alíquota de 12% sobre a
exportação de petróleo.
Foi publicado ainda um segundo decreto, esse em cateter
permanente, com medidas de fiscalização e transparência para combater o aumento
abusivo dos preços dos combustíveis para fins de especulação.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, explicou que a
abusividade deve ser definida por critérios objetivos a serem desenhados pela
Agência Nacional de Petróleo (ANP):
“Nós criamos dois novos tipos para caracterizar a abusividade
do distribuidor, tanto no caso de um armazenamento de combustível
injustificado, quanto do aumento abusivo do preço que passa a ser fiscalizado
pela ANP a partir de critérios objetivos que serão produto de uma resolução da
agência.”
Impacto econômico
Com o imposto do PIS e Cofins zerado para o diesel, o governo
espera perder R$ 20 bilhões em arrecadação. Já a subvenção ao diesel deve ter
um impacto de R$ 10 bilhões no caixa da União.
O governo espera que esse valor seja compensado pelo imposto
de exportação sob o petróleo, com previsão de arrecadar R$ 30 bilhões até o
final do ano.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comentou na coletiva
que as mudanças não alteram a política de preço da Petrobras, mantendo a
previsibilidade e o retorno aos acionistas privados minoritários da estatal.
“Não estamos falando de nada que altera estruturalmente o
país, nem do ponto de vista fiscal, nem do ponto de vista tarifário”, disse
Haddad, acrescentando que a preocupação do governo é com o preço do diesel.
“A maior pressão que o mercado de combustível sofre hoje vem
exatamente do diesel, não vem da gasolina. É com o diesel que nós estamos mais
preocupados pelo fato do diesel afetar as cadeias produtivas de maneira muito
enfática. Toda a colheita que está sendo feita agora da safra brasileira
depende do diesel”, completou Haddad.
Fiscalização e Transparência
O governo ainda definiu referências objetivas para que a ANP
e agências de defesa do consumidor possam atuar de forma mais eficiente no
combate aos preços abusivos dos combustíveis.
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, enfatizou que faltam
hoje referências técnicas para impedir a manipulação dos preços para fins
especulativos, “visto que esses abusos se tornaram recorrentes”.
“Quando a Petrobras, que tem a produção majoritária do Brasil
– mais de 70% do mercado – reduz o preço, essa redução demora muito para chegar
na bomba. Quando chega, ou chega só parcialmente, ou mesmo quando chega
integralmente, chega semanas ou meses depois”, explicou o ministro.
Alíquota de exportação
A alíquota de exportação de 12% sobre o barril de petróleo,
além de compensar a perda na arrecadação causada pelo subsídio ao Diesel, deve
servir para incentivar os exportadores a deixarem parte da produção no mercado
interno, em vez de buscarem exportar mais motivados pelo aumento do preço no
mercado mundial.
“Como o preço do óleo bruto está disparando, se você não der
uma medida compensatória que estimule quem produz óleo bruto a deixar nas
refinarias brasileiras, ele vai colocar uma parcela ainda maior no mercado
internacional, desabastecendo nossas refinarias”, comentou o ministro da Casa
Civil, Rui Costa.
BR Distribuidora
Os ministros criticaram ainda a privatização da BR
Distribuidora, empresa que controla milhares de postos de combustíveis no país
e que poderia se somar aos esforços para reduzir os impactos da alta do
petróleo.
“infelizmente, o modelo criminoso de venda dos nossos ativos
nacionais do governo anterior fez com que nós diminuíssemos a nossa produção de
produtos refinados no Brasil – gasolina, diesel e gás natural. E, portanto, foi
um crime de lesa pátria ao Brasil, aos brasileiros, desfazer da nossa BR
Distribuidora”, comentou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.
Agência Brasil


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