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PALAVRA DO SENHOR – Juntos com Jesus.

Com esta liturgia iniciamos a Semana Santa (2026). Hoje, temos a leitura de dois evangelhos: um que narra a entrada de Jesus em Jerusalém (aspecto festivo) e o outro fala-nos da Narrativa da Paixão (aspecto de tristeza).

O Evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém está repleto de citações com referências baseadas em textos do Antigo Testamento. São indicações com muitos significados teológicos.

Betfagé, que significa casa dos figos é um lugar citado no texto. Após a entrada em Jerusalém teremos o episódio da figueira seca (cf. Mt 21, 18-22). Esta figueira se remete a Jerusalém e o Templo. Lugar que não produz frutos para o Reino de Deus. O Monte das Oliveiras é a montanha onde, segundo a tradição, o Messias teria se manifestado.

A “jumenta e o jumentinho” são duas figuras que lembram o livro do Gênesis quando Jacó fez um testamento, abençoou os filhos e sobre Judá (um de seus filhos) disse: “o cetro não será tirado de Judá, nem o bastão do comando de seus pés, até que venha aquele a quem pertence e a quem vai a obediência dos povos. Ele amarra à videira o seu jumentinho a parreia escolhida do Filho da Jumenta” (cf. Gn 49, 10-11). Há uma referência implícita do Messias libertador.

Em Mateus (21, 3-5) encontramos a única vez Jesus se apresentar como Senhor. Ao longo da vida pública Jesus explicou o que significa ser Senhor: alguém que é livre de se dispor de sua vida ao serviço dos outros.

“Desamarrar” significa também abrir o livro e fazer a profecia acontecer.

O evangelista também adapta esta profecia ao seu texto dizendo: “Dizei a filha de Sião” (Mt 21, 15). O profeta Zacarias disse: “Enche-te de alegria, Filha de Sião, corrompe de gritos (9, 9). Jerusalém, que sempre matou os profetas é mais uma vez alertada a vigilância. O anúncio da chegada do Rei-Messias será palco de mais um espetáculo triunfante de descrença, rejeição e morte.

“O teu rei vem a ti, justo e vitorioso” (9,9). Ele vem, não numa cavalaria imponente, mas montado num jumento. Ele não tem a insígnia do poder com instrumentos de guerra, mas numa montaria normal (popular), de pessoas simples. Jesus pede para libertar a profecia de Zacarias. O Messias montado num jumento é aquele que contraria os ideias de violência e imperialismo. Jesus faz uma releitura da profecia, mas a atualiza em si mesmo.

“Os mantos” colocados no caminho simbolizam as vestes do próprio povo...o que cada um é...como forma de acolhimento. Mas, o povo ainda não entendeu que Jesus é um homem de paz, pois muitos esperam um rei violento, eles não querem um rei humilde, mas alguém que mande.

“Os ramos” lembram a festa das tendas, onde a tradição dizia que o Messias seria manifestado. Eles acolheram Jesus como um Messias triunfante. É o desejo do povo, Porém, Jesus se apresenta diferente.

Em Mateus (21,9) o povo grita e puxa a procissão ao “formato” do Messias que eles esperam. No 1°Domingo da Quaresma escutamos o tentador levar Jesus para o ponto alto do templo e lhe apresenta esta mesma imagem de um Messias poderoso (a tentação). Aqui, as multidões fazem algo parecido, dando sequência as tentações, mostrando um caminho que Jesus já rejeitou: “ poder e dominação.

O povo grita “Hosana”, que em hebraico significa “salve-nos, Filho de Davi”. Aqui reside um mal entendido, pois o povo acha que Jesus é o sucessor do rei Davi. Quando este povo perceber que Jesus não é alguém que promove guerras sangrentas, ficarão sem saber o que fazer com ele. Então, este povo vai preferir Barrabás.

Há um domingo agitado pelo povo. Há um frenesir teatral e triunfante. Há pessoas que enfeitam as ruas, outras trazem palmas nas mãos. Há um povo acolhedor, mas com seus interesses. O deus de Jerusalém é o dinheiro do templo, são as conveniências de um mundo aristocrata, financeiro, hostil e desumano.

“Galileia” é a periferia de onde vinham os revolucionários. Aqueles que queriam lutar contra o imperialismo romano. Judas, o Galileu, é lembrado neste episódio. Ele tem relevância na história de lutas contra os romanos e o banho de sangue que aconteceu.

Somos discípulos desse Jesus que não almeja grandezas humanas. Será que o seguimos assim? No Evangelho da Paixão alguém acusou Simão Pedro: “Tu estavas com Jesus, o Galileu! (...). É claro que também és um deles, pois o teu modo de falar te denuncia” (Mt 26, 69. 73). O que diremos nós quando as pessoas e a consciência nos perguntar: “Estavas com ele?”. O que diremos? Será que também diremos: “nem conhecia esse homem” (v.72).

Jesus tem um destino que compartilha com os seus discípulos: fazer o bem até o fim.

Às vezes, as pessoas cultuam um Cristo que não tem nada a ver com o Cristo do Evangelho. O Cristo da Cruz (do evangelho) não quer poder, mas ensinar a amar, acolher, compreender e cuidar bem das pessoas. O ideal do cuidar e fazer o bem não é o mesmo de muitos grupos de hoje. Há a autoridades com mãos banhadas de sangue dos pobres, dos maus cuidados com as necessidades básicas do povo. Há grupos de fiéis piedosos que não compreenderam o significado da cruz e nem sabem quem é Jesus. Há pessoas que dizem amar Jesus, mas um Jesus criado pelas suas ideias e conveniências.

Que a cruz nos ensine o caminho da bondade. Que o discípulo de hoje possa dizer ao mundo: se não for Jesus Cristo (do evangelho e da cruz) que você procura em mim, não me procure, pois sou discípulo do Jovem de Nazaré da Galileia que amava a todos, que fez dos excluídos o paradigma do Reino de Deus. Sou discípulo Daquele Jesus de Nazaré que religiosos fundamentalistas, mercenários e legalistas, autocratas e imperialistas detestavam-No. Sou discípulo do Amor.

 

Boa Semana Santa!

 

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo

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