PALAVRA DO SENHOR – Vou abrir as vossas sepulturas.
ESTAMOS PRÓXIMOS DE CELEBRAR
A VITÓRIA DA VIDA sobre todas as formas de morte. Neste itinerário batismal,
que a quaresma deste ano tem nos feito percorrer, somos convidados a discernir
“onde está a vida?”.
Na 1ª leitura (Ez 37, 12-14)
uma profecia que se refere como está a situação do povo de Israel no período do
Exilio: “Assim fala o Senhor Deus: ‘Ó meu povo, vou abrir as vossas sepulturas
e conduzir-vos para a terra de Israel’” (v. 12). Tirar o povo de Israel do
sepulcro é uma metáfora para falar da falta de esperança. E levar para a terra
de Israel e faze-los retornar a terra da promessa. Deus fará uma nova
libertação e revelará mais uma vez quem Ele é.
“Fazer sair” e “Fazer
subir”. A cena do êxodo aqui se refaz. Deus, mais uma vez, vai se mostrar
dizendo quem Ele é fazendo uma nova libertação.
“Porei em vós o meu Espirito
para que vivais” (v. 14). É a atualização do Gênesis, Deus refazendo todas as
coisas no Espirito. Deus quer Fazer reviver.
O salmista canta a Deus
(129(130), 1-2. 3-4ab. 5-6. 7-8 (R. cf. 7)) “Eu vos temos e em vós espero
(...). Espero em sua palavra. A minha alma espera no Senhor”. O “eu” do
salmista se torna aqui a esperança do povo de Israel.
Na 2ª Leitura (Rm 8, 8-11)
escutamos Paulo falar de um princípio novo para quem vive no Espírito: “Não
estás na carne, mas no Espirito. Se realmente o Espírito de Deus habita em vós,
embora ferido de morte por causa do pecado, vosso espírito está cheio de vida,
graça, justiça” (v.v. 9-10). O Espírito de Deus é o mesmo de Cristo. Assim,
Cristo está em vós.
Cada um de nós, mesmo ferido
pelo pecado, se escolhemos a justiça de Cristo, Ele habita em nós. Não deve nos
oprimir nossas tendências, quedas, fraquezas, pois o Espírito de Cristo molda
as nossas escolhas e valores. Ser Cristão é um estilo de vida.
No Primeiro Domingo da
Quaresma escutávamos que o demônio oferecia a Jesus o espírito do mundo (cf Mt
4, 1-11). O demônio oferecia um estilo de vida que, movido pelo Espírito de
Deus, Jesus o renunciou (v. 1). Este mesmo Espírito que fez Jesus vencer o
demônio faz levantar dos mortos (cf. Rm 8, 11).
Paulo ensina que, já aqui na
terra, o cristão experimenta esta passagem morte para a vida, mas não ainda se
referindo a segunda vinda de Jesus, mas de um estilo de vida para outro: na
carne, mas no Espírito.
O Evangelho (Jo 11, 1-45)
nos leva a uma casa em Betânia. Ali residem três amigos de Jesus: Lázaro, Marta
e Maria. E o texto diz: “o teu amigo amado está passando mal. Vem!”. Jesus faz
certa resistência ao imediatismo da notícia e tenta os acalmar dizendo que
“Lázaro está dormindo!”.
Diferente dos evangelhos
sinóticos, o evangelho de João (a partir do cap. 9) é a narrativa de uma longa
jornada para Jerusalém. Jesus passa pelas muitas periferias até chegar a grande
cidade. Esta viagem faz Jesus assumir as implicações do dia-a-dia do povo, a
denunciar os muitos sinais de morte e levar vida por onde passa.
O texto fala de um
“reviver”, parafraseando a ideia da ressurreição. Ele fala de amor, amizade,
vida, morte, luto, ressurreição e testemunho. O amor fraterno (v. v. 3. 5) faz
enfrentar as ameaças de morte: “os judeus queriam te apedrejar, e agora vais
outra vez para lá?” (v. 8), faz “reviver” e “superar” a morte. E Jesus
responde: “Temos que fazer as obras da luz, vamos!”. Tomé, corajosamente diz:
“Vamos morrer também com Ele” (v. 16).
“O Mestre está aí e te
chama” (v. 28). Jesus sempre nos chama e nos tira das sombras das trevas. Seu
chamado é sempre para retornar a vida com Ele: “Lázaro, Vem para fora!” (v.
43). É preciso ter coragem de sair e ir até Jesus.
A cena do evangelho antecipa
aquilo que ocorrerá com Jesus, mas também com a nossa vida. Lázaro é símbolo de
quem pode recomeçar a vida, tirar as faixas, que podemos caminhar com Ele.
A liturgia da Palavra deste
domingo é um convite a sair dos túmulos, a desatar-se daquilo que nos impede de
caminhar (o dom da libertação), é um apelo à superação dos sinais de morte em
nosso tempo: arrogância dos grandes, desejo de domínio sobre as pessoas, as
guerras, os preconceitos, a violência, as fofocas, a exclusão, raciocínios
maléficos, egoísmo, presunção, etc... Quais as minhas amarras? Qual o meu
túmulo onde já cheiro mal?
Recordemos o que disse
Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem vem a mim tem a vida” (v.25). Quem
escuta Jesus tem vida e vida eterna.
Boa semana!
Edjamir
Silva Souza
Padre
e psicólogo


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