Entidades médicas criticam renovação de CNH sem exame de aptidão.
Medida Provisória com mudanças está em discussão no Congresso
O Congresso Nacional instalou nesta terça-feira (7) comissão
especial para analisar a Medida Provisória nº 1.327/2025, que prevê a renovação
automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) sem a realização do exame
de aptidão física e mental.
Em meio à movimentação na Casa, mais de 35 entidades médicas
brasileiras divulgaram um manifesto onde alertam que a retirada da exigência do
exame compromete a capacidade do país de prevenir mortes no trânsito.
O posicionamento, liderado pela Associação Brasileira de
Medicina do Tráfego (Abramet), reforça que a aptidão para dirigir não é
permanente, mas uma condição que pode ser alterada ao longo do tempo em razão
de doenças, do uso de medicamentos ou de eventos clínicos que afetam visão,
reflexos, cognição e capacidade motora.
“Na prática, isso significa que um condutor pode estar inapto
para dirigir sem qualquer registro de infração. Problemas como diabetes,
cardiopatias, epilepsia, distúrbios do sono e doenças neurológicas não aparecem
em radares nem em multas, mas impactam diretamente a segurança ao volante”,
destacou a Abramet em nota.
A MP, que foi publicada no dia 10 de dezembro de 2025, altera
regras do Código de Trânsito Brasileiro, modificando a validade da CNH e a
forma de realização de exames para obtenção e renovação da habilitação. A
medida também permite a emissão da CNH em formato digital e estabelece a
renovação automática para condutores cadastrados no Registro Nacional Positivo
de Condutores (RNPC).
A entidade defende que o exame de aptidão física e mental,
realizado pelo médico do tráfego, figura atualmente como único instrumento
capaz de identificar esses riscos clínicos.
Além da Abramet, assinam o documento o Conselho Federal de
Medicina (CFM), acompanhado dos conselhos regionais; a Associação Médica
Brasileira (AMB); a Federação Nacional dos Médicos (Fenam); a Federação Médica
Brasileira (FMB); e o Instituto Brasil de Medicina (IBDM).
“O conjunto de signatários reúne representantes de áreas
diretamente relacionadas ao atendimento das vítimas de trânsito, como
emergência, terapia intensiva, neurologia, ortopedia e reabilitação, além de
especialidades que lidam com condições clínicas que podem interferir na
capacidade de dirigir”, ressaltou a Abramet.
O presidente da Comissão mista será o deputado federal
Luciano Amaral (PSD-AL) e o vice-presidente será o senador Dr. Hiran (PP-RR). O
relator da MP é o senador Renan Filho (MDB-AL).
Números
Dados apresentados pela entidade mostram que, em 2024, o
Brasil registrou 38.253 mortes no trânsito e quase 285 mil internações
hospitalares, com custo direto de aproximadamente R$ 400 milhões para o Sistema
Único de Saúde (SUS).
Os números, segundo a Abramet, não incluem despesas de longo
prazo com reabilitação e benefícios previdenciários, o que ampliaria ainda mais
o impacto econômico dos sinistros de trânsito.
A associação defende que a discussão seja tratada com base
técnica, citando que a condução de um veículo envolve requisitos físicos e
mentais que podem se alterar ao longo da vida, enquanto sistemas de
fiscalização monitoram comportamento, mas não condições de saúde.
Medida Provisória
A partir da MP, qualquer médico ou psicólogo poderá realizar
os exames de aptidão física, mental e avaliação psicológica, sem necessidade de
vínculo com Centros de Formação de Condutores (CFCs). Os valores máximos desses
exames passarão a ser fixados e o documento poderá ser emitido em formato
físico ou digital.
Pela medida, os motoristas sem infrações registradas no RNPC
terão renovação automática da CNH, dispensando novos exames, exceto nos casos
de:
● pessoas com 70 anos ou mais;
● motoristas com 50 anos ou mais, que terão direito a apenas
uma renovação automática;
● condutores com restrições médicas previstas no Código de
Trânsito.
Outras mudanças
No final do ano passado, o Conselho Nacional de Trânsito
(Contran) aprovou uma resolução com outras mudanças na CNH, como por exemplo, o
fim da obrigatoriedade de aulas de
autoescola obrigatórias para obtenção do documento.
A resolução prevê que o candidato possa escolher diferentes
formas de se preparar para os exames teórico e prático, que continuarão
obrigatórios para a emissão da CNH.
Agência Brasil


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