Transparência em obras públicas é baixa na maioria dos municípios brasileiros.
Estudo aponta que 64,8% das
329 cidades analisadas apresentam falhas na divulgação de obras públicas
Mais de 64,8% dos municípios
brasileiros apresentam baixos níveis de transparência na gestão de obras públicas,
segundo dados de 2025 do Índice de Transparência e Governança Pública (ITGP-M).
O resultado coloca a maioria das prefeituras nas faixas mais críticas do
indicador e evidencia dificuldades estruturais na divulgação de informações
sobre investimentos em infraestrutura.
O levantamento, que analisou
329 cidades das regiões Sul, Sudeste, Norte e Nordeste, apontou desempenho
geral classificado como “ruim”, com média de 32,9 pontos em uma escala de 0 a
100. Além disso, cerca de um em cada quatro municípios não disponibiliza
qualquer informação sobre obras em seus portais oficiais, ampliando o risco de
falhas no controle e na fiscalização dos recursos públicos.
As conclusões foram
apresentadas em um webinar promovido pela Transparência Internacional – Brasil,
que reuniu servidores de diferentes entes federativos para discutir caminhos de
melhoria na área. O evento também marcou o lançamento de duas notas técnicas
baseadas nos dados do índice, sendo uma voltada aos estados e outra às
prefeituras.
O diagnóstico revela ainda
forte desigualdade regional. Enquanto municípios do Espírito Santo alcançam
média considerada “boa”, com 70,2 pontos, localidades do interior de São Paulo
e do Piauí apresentam desempenhos classificados como “péssimos”. Nos estados,
apenas cinco unidades da federação divulgam informações completas sobre a
execução financeira de obras públicas.
Falta de divulgação dos
dados
Entre os pontos mais
críticos está a chamada “tríade de transparência ambiental e participativa”.
Apenas 16,7% dos municípios publicam estudos de impacto ambiental e de
vizinhança, e 16,4% divulgam dados completos sobre audiências ou consultas
públicas relacionadas às obras, limitando a participação social e o
acompanhamento por parte da população.
Por outro lado, o estudo
destaca experiências positivas em municípios de pequeno e médio porte,
especialmente no Espírito Santo e em Santa Catarina. Essas cidades atingiram
altos níveis de transparência ao utilizar plataformas compartilhadas, como
painéis disponibilizados por Tribunais de Contas Estaduais, o que demonstra que
soluções de baixo custo podem contribuir para ampliar o acesso às informações.
Criado para avaliar mais de
100 critérios, como dados abertos, integridade e participação social, o ITGP
tem como objetivo estimular a transparência ativa e fortalecer a governança
pública nos níveis estadual e municipal. O cenário identificado em 2025, no
entanto, indica que ainda há desafios significativos para garantir prestação de
contas adequada e reduzir vulnerabilidades à corrupção na execução de obras
públicas no país.
Fonte: Brasil 61


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