Cantor João Lima, réu por tentativa de feminicídio, é solto com medidas cautelares.
Decisão é da juíza Francilucy Rejane, do 2º Tribunal do Júri
de João Pessoa, e foi proferida nesta terça-feira (26).
O cantor João Lima, réu por tentativa de feminicídio contra a
ex-esposa, foi solto nesta terça-feira (26). A decisão é da juíza Francilucy
Rejane, da 2º Tribunal do Júri de João Pessoa. O cantor vai cumprir algumas
medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
A Rede Paraíba entrou em contato com a defesa, que disse que
ainda vai se pronunciar sobre o ocorrido.
A juíza revogou a prisão preventiva de João Lima entendendo
que não há mais necessidade atual da manutenção da prisão. A decisão considera
que os fundamentos que justificaram a prisão perderam força no momento
processual atual.
De acordo com a decisão, ele não teria descumprido medidas
protetivas após ter ciência formal delas. Além disso, a prisão havia sido
decretada muito próxima ao deferimento das medidas protetivas, antes de haver
demonstração concreta de desobediência posterior. A magistrada entendeu, ainda,
que não houve fato novo suficiente para justificar a continuidade da prisão.
Além do uso de tornozeleira eletrônica, a decisão da juíza
estabeleceu o cumprimento de outras medidas cautelares como condicionante para
a soltura do cantor João Lima:
● Entrega do passaporte, no prazo de 24 horas;
● Proibição de se ausentar da cidade por mais de oito dias
sem autorização judicial prévia e expressa;
● Comparecer a todos os atos processuais e sempre que for
chamado;
● Informar e manter atualizado o endereço residencial e
telefônico.
João Lima estava preso desde o dia 26 de janeiro de 2026, no
Presídio do Róger, em João Pessoa. Com a medida, ele vai sair para a
Penitenciária de Segurança Média, em Mangabeira, para colocar tornozeleira
eletrônica.
Mesmo com a soltura, as medidas protetivas da vítima
permanecem totalmente em vigor e devem ser rigorosamente cumpridas. A
justificativa é que a proteção da vítima continua garantida pela Lei Maria da
Penha.
João Lima é réu por tentativa de feminicídio
Na denúncia contra o cantor, o MPPB aponta que João Lima deve
responder pelos seguintes crimes:
● tentativa de feminicídio, com agravantes de meio cruel
(asfixia) e recurso que dificultou a defesa da vítima;
● estupro;
● lesão corporal no contexto de violência doméstica;
● induzimento ao suicídio;
● ameaça;
● violência psicológica contra a mulher.
“Isso não é uma condenação, mas também não é algo simples. É
o reconhecimento de que há indícios concretos de autoria e materialidade, e que
o caso precisa ser enfrentado com seriedade. Para a Rafaella, isso tem um peso
muito grande. Porque deixa de ser apenas a dor dela narrada e passa a ser uma
acusação formal, construída com base em provas, laudos e depoimentos”, afirmou
a advogada da ex-esposa de João Lima, Dayane Carvalho.
Relembre o caso
O cantor paraibano João Lima passou a ser investigado por
violência doméstica contra a ex-esposa, após vídeos divulgados em redes sociais
mostrarem agressões. A vítima registrou Boletim de Ocorrência na Delegacia
Especializada de Atendimento à Mulher de João Pessoa.
Após a repercussão do caso, a ex-esposa de João Lima, a
ex-esposa publicou um texto nas redes sociais onde confirmou publicamente, pela
primeira vez, a violência sofrida. Ela relatou que está enfrentando "uma
dor que atravessa o corpo, a alma e a história", e disse que "não há
palavras que expliquem o impacto disso na vida de alguém".
Segundo os autos do processo, as agressões registradas por
uma câmera de segurança ocorreram em 18 de janeiro. Na denúncia, João Lima
“teria agredido a vítima com socos, apertos na mandíbula e amordaçamento para
silenciar seus gritos”. Ainda de acordo com o documento, ele teria entregado
uma faca à mulher e mandado que ela se matasse.
Três dias depois, o cantor teria ido à casa da mãe da vítima
e feito novas ameaças, afirmando que “acabaria com a vida dela caso não
reatasse o relacionamento” e que, se ela se envolvesse com outra pessoa,
“mataria ambos”.
A advogada da vítima, Dayane Carvalho, afirma que não houve
episódios de violência durante os dois anos de namoro. Já depois do casamento,
câmeras internas da casa do casal registraram algumas das agressões.
A vítima e João Lima se casaram em novembro de 2025, e as
agressões começaram ainda na lua de mel. “Cinco dias depois, quando eu estava
na minha lua de mel, ele já me bateu.”
A defesa da vítima informou que, em um dos episódios
registrados, o casal já estava separado, após a vítima pedir um tempo no
relacionamento. Nesse período, ela voltou a morar com os pais e ainda não havia
contado sobre as agressões.
Por g1 PB

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