Desigualdade educacional impede repasse maior do Fundeb a 1.914 municípios.
Exigência ligada à equidade
racial e socioeconômica é principal obstáculo para ampliar acesso a R$ 7,5
bilhões em recursos federais, segundo o Ministério da Educação
Um em cada três municípios
brasileiros não conseguiu cumprir o critério de redução das desigualdades
raciais e socioeconômicas na aprendizagem exigido para ampliar o recebimento de
recursos federais destinados à educação. Segundo reportagem do jornal O Estado
de S. Paulo, com base em dados do Ministério da Educação (MEC), 1.914 cidades
descumpriram a exigência.
O critério é estabelecido
pelo Valor Aluno Ano Resultado (VAAR), mecanismo criado no âmbito do novo Fundo
de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). O VAAR estipula
condições para ampliar os repasses da União a estados e municípios. Atualmente,
o governo federal dispõe de R$ 7,5 bilhões para distribuição por meio desse
instrumento.
A lista de critérios inclui:
● Redução das desigualdades
raciais e socioeconômicas de aprendizagem — item com maior índice de
descumprimento entre os municípios;
● Seleção de diretores
escolares com base em critérios técnicos — descumprido por 10% das cidades;
● Participação superior a
80% no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) — descumprido por 7%;
● Regulamentação do repasse
de parte da arrecadação do ICMS — descumprido por 2%;
● Adoção de referenciais
curriculares alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) — descumprido
por 1%.
Impacto da redução das
desigualdades educacionais
A reportagem também destaca
um estudo do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Faculdade de
Ciências Econômicas (Cedeplar), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),
que aponta os impactos da redução das desigualdades educacionais.
A pesquisa, utilizada como
referência pela Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e
Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi) do MEC, indica que, caso o Brasil
eliminasse a desigualdade de aprendizagem entre estudantes brancos e negros no
ensino médio, a renda da população dos municípios poderia crescer, em média,
11,1%. No ensino superior, a eliminação dessa diferença resultaria em um
aumento estimado de 7% na renda.
Estados também enfrentam
dificuldades
Em entrevista ao Estadão, a
secretária do MEC, Zara Figueiredo, afirmou que atualmente apenas 11 estados
cumprem o critério de redução das desigualdades raciais e
socioeconômicas.
Segundo a secretária, o
problema não está concentrado em um perfil específico de município: tanto
cidades pequenas quanto grandes não conseguiram atender às exigências.
Diante da dificuldade de
implementação das medidas, o MEC decidiu redistribuir 1.533 agentes de
governança para apoiar as redes de ensino na promoção da equidade racial e
socioeconômica. A iniciativa busca fortalecer a articulação entre as escolas e
a gestão do ministério.
Além disso, a pasta anunciou
o repasse de R$ 115 milhões por meio do Programa Dinheiro Direto na Escola
Equidade (PDDE Equidade), destinado ao financiamento de ações voltadas à
redução das desigualdades educacionais. O MEC também pretende disponibilizar
guias e protocolos para auxiliar gestores escolares na implementação de
políticas de equidade.
Fonte: Brasil 61 -


Nenhum comentário