Escala 6x1: proposta avança na Câmara e levanta debate sobre impactos nos pequenos negócios.
Comissão especial vai analisar PECs que reduzem jornada de
trabalho; representantes das empresas de MG alertam para aumento de custos, com
repasse ao consumidor, e riscos econômicos para o país
A criação de uma comissão especial na Câmara dos Deputados
para analisar as propostas de emenda à Constituição (PECs) – (PEC 221/19 e PEC
8/25) – que acabam com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso,
intensificou o debate sobre os impactos da proposta na economia, especialmente
para os pequenos negócios. Na avaliação de representantes das empresas de Minas
Gerais, as medidas estão sendo analisadas em um contexto político-eleitoral que
pode prejudicar a aprovação sem a devida atenção que o tema exige.
O vice-presidente da Confederação das Associações Comerciais
e Empresariais do Brasil (CACB) e presidente da Federação das Associações
Comerciais e Empresariais do Estado de Minas Gerais (Federaminas), Valmir
Rodrigues da Silva, defende que o debate sobre a redução da escala de trabalho
seja realizado com mais profundidade e critérios técnicos.
“A jornada reduzida vai gerar mais custo, principalmente para
as micro e pequenas empresas, que terão que repassar esse custo aos seus
produtos e serviços. Se fosse dialogado com mais profundidade, encontraríamos o
melhor caminho, dando sempre a melhor condição para que as pessoas possam ter
vida próspera. E infelizmente, com um projeto com cunho de populismo e
eleitoral, nós não vamos realmente avançar com qualidade sobre o tema”,
avalia.
Tenente Melo (Republicanos/MG), ex-subsecretário de liberdade
econômica e empreendedorismo de Minas Gerais, acredita que sem o debate
adequado a medida pode aumentar custos, com repasse ao consumidor, gerar
desemprego e causar riscos econômicos.
“O impacto é direto e muito arriscado. Uma decisão desse
tipo, tomada de maneira tão radical, tão brusca, sem o devido estudo, vai
comprometer. O primeiro impacto é o aumento de preços. Segundo quebra de
negócios, vão fechar muitos negócios. Se eu não tiver mercado para garantir
esse preço aumentado, vou acabar fechando o meu negócio e gerando desemprego.
Esse é o resultado em qualquer lugar do mundo que uma decisão econômica desse
porte foi tomada sem o devido cuidado, devido estudo, o impacto é sempre esse”,
pontuou.
Para o tenente Melo, “a proposta da alteração da escala de
trabalho é claramente política eleitoreira”. Ele também critica a tramitação
das propostas na Câmara e menciona que, pelo impacto do tema na economia, há
necessidade de mais tempo para análises profundas – inclusive com participação
de representantes dos pequenos empresários.
“A forma como ela foi proposta, por meio de PEC, que não é
necessário, o prazo, o período em que isso foi colocado em discussão, tudo fica
muito claro que é mais uma questão eleitoreira do que realmente um interesse na
mudança e melhoria de qualidade de vida do trabalhador”, completa.
Na avaliação de Melo, sem apresentação dos impactos devidos e
dos cálculos necessários, a medida pode ser perigosa para a economia do país.
CACB defende debate após as eleições
O presidente da CACB, da Federação das Associações Comerciais
do Estado de São Paulo (FACESP), e da Associação Comercial de SP (ACSP),
Alfredo Cotait Neto, afirmou em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo que o
tema é complexo e precisa de mais tempo para discussão. Ele defende que a
votação ocorra apenas em 2027.
"Trata-se de matéria extremamente sensível para ser
diluída e contaminada por um período eleitoral”, disse.
Ao Brasil61.com, Alfredo Cotait Neto reiterou a posição da
entidade em relação à análise e votação da medida apenas após o período
eleitoral.
“Nossa proposta é termos o debate de fato; porém, vamos
discutir isso em 2027, fora do período eleitoral, fora dessa eventual
interferência eleitoreira. A sociedade civil está pronta para debater, tanto os
trabalhadores, como os empresários, e encontrar a melhor solução, mas sem nunca
esquecer que na reforma trabalhista já pode haver a negociação, porque o
negociado prevalece sobre o legislado. Por que temos que engessar o tema numa
nova legislação? Essa é uma grande discussão”, salienta Alfredo Cotait Neto.
A comissão especial foi formalizada pelo presidente da
Câmara, Hugo Motta, após a admissibilidade das propostas ter sido aprovada na
Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O colegiado será responsável por
discutir o mérito de duas PECs. Conforme a Agência Câmara de Notícias, a
comissão terá 38 membros titulares e 38 suplentes.
Fonte: Brasil 61 -


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