Governo fixa subvenção da gasolina em R$ 0,44 por litro. Medida terá custo de R$ 2,4 bilhões em dois meses.
A subvenção para a gasolina ficará em R$ 0,44 por litro, como
forma de reduzir os impactos da alta internacional do petróleo provocada pela
guerra no Irã. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (22) pelo ministro do
Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.
Segundo o ministro, o valor corresponde a cerca de metade dos
tributos federais incidentes sobre o combustível e foi definido com cautela
para evitar um impacto maior nas contas públicas. A medida ainda será
apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima segunda-feira
(25).
Ao anunciar a decisão, na semana passada, a equipe econômica
tinha informado que o subsídio ficaria entre R$ 0,40 e R$ 0,45 por litro.
No caso do diesel, a subvenção de R$ 0,3515 entrará em vigor
em junho, quando acabará a redução a zero dos tributos federais.
Valor definido
A subvenção funcionará como uma compensação temporária para
reduzir o preço da gasolina ao consumidor final. Inicialmente, o governo
estudava um benefício de até R$ 0,89 por litro, equivalente ao total de
tributos federais cobrados sobre o combustível. A equipe econômica, porém,
optou por um valor menor.
“Dada a nossa cautela, inclusive do ponto de vista fiscal,
olhando para o quanto variou o preço da gasolina, considerando o preço antes da
guerra, achamos melhor ficar em torno da metade desse limite, afirmou Moretti,
em entrevista coletiva para explicar o bloqueio adicional de R$ 22,1 bilhões no
Orçamento de 2026.
O ministro acrescentou que o impacto da guerra foi mais forte
no diesel do que na gasolina, o que permitiu uma compensação menor neste caso.
“[Um total de] R$ 0,44 é hoje o valor por litro mais
apropriado para a subvenção e deve ser suficiente para amortecer o choque de
preços na gasolina”, disse.
Custo da medida
O governo calcula que a medida terá custo de cerca de R$ 1,2
bilhão por mês. Como a duração inicial prevista é de dois meses, o impacto
total estimado chega a R$ 2,4 bilhões.
Segundo Moretti, o gasto ainda não foi incorporado
oficialmente às projeções do Orçamento porque o decreto de regulamentação ainda
está sendo finalizado pelo governo federal.
Após a aprovação presidencial, a subvenção será implementada
por meio de ato do Ministério da Fazenda.
Prazo temporário
A ajuda terá validade inicial de dois meses e depois será
reavaliada pela equipe econômica.
O governo pretende seguir modelo semelhante ao adotado na
subvenção ao diesel, criada em março para conter os efeitos da disparada do
petróleo no mercado internacional.
De acordo com Moretti, a continuidade ou não do subsídio ao
diesel ainda está em discussão dentro do governo.
Guerra pressiona
A escalada do conflito no Oriente Médio elevou os preços
internacionais do petróleo nas últimas semanas, aumentando os custos de
combustíveis em diversos países.
Como o Brasil ainda depende parcialmente de importações de
derivados, oscilações internacionais acabam pressionando os preços internos da
gasolina e do diesel.
A estratégia do governo é usar recursos públicos para reduzir
temporariamente parte desse impacto enquanto o mercado internacional permanece
instável.
Leilão adiado
Durante a coletiva, Moretti também anunciou que o governo
decidiu não realizar neste ano o leilão de áreas da União no pré-sal que ainda
não foram contratadas.
A expectativa inicial era arrecadar cerca de R$ 31 bilhões
com o certame em 2026, mas a previsão foi retirada das contas públicas.
“Para este exercício, em meio a uma guerra, em meio à
oscilação de preços, não era a melhor decisão colocarmos em prática um leilão
dessas áreas”, afirmou o ministro.
Receitas do petróleo
Segundo o governo, a perda de arrecadação com o adiamento do
leilão será parcialmente compensada pelo aumento das receitas com royalties e
com a venda de petróleo da Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA).
Com a alta do preço internacional do barril em meio à guerra
no Irã, a arrecadação ligada à exploração de petróleo cresceu
significativamente nas últimas semanas.
Agência Brasil


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