Marcha dos prefeitos: CNM alerta para colapso fiscal dos municípios e pressiona Congresso contra novas despesas.
Gestores municipais de todo
o país estão preocupados com a falta de recursos para manter serviços
essenciais à população. Em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira
(18) na sede da Confederação Nacional de Municípios (CNM), o presidente da entidade,
Paulo Ziulkoski, apresentou um panorama das principais dificuldades enfrentadas
pelas prefeituras brasileiras.
Entre os temas destacados
estão o aumento das despesas municipais após os reajustes do piso salarial do
magistério, a criação de programas federais sem a devida previsão de repasses
financeiros e a tramitação de propostas no Congresso Nacional que, segundo a
CNM, podem ampliar a crise fiscal dos municípios.
As reivindicações e os
estudos elaborados pelo movimento municipalista serão entregues ao governo
federal, aos presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, e do Senado
Federal, Davi Alcolumbre, além de ministros, deputados e senadores durante a
programação da XXVII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios.
A abertura oficial da
mobilização municipalista está marcada para esta terça-feira (19), às 9h, em
Brasília.
Aprovação de projetos sem
diálogo com os municípios
Durante a coletiva,
Ziulkoski afirmou que a Marcha busca apresentar às autoridades e à sociedade os
impactos da crise financeira sobre as administrações locais. Segundo ele,
diversos projetos em tramitação no Congresso podem gerar novos custos para as
prefeituras sem a devida compensação financeira.
“São mais de 200 programas
federais criados por lei e não são dialogados com os prefeitos; geralmente são
com entidades privadas. Como é que a gente paga isso? Estamos encaminhando
documento aos presidentes da Câmara e do Senado para que não votem nenhuma
dessas pautas”, adiantou.
Entre os projetos apontados
pela CNM estão propostas relacionadas à segurança pública e à redução da
jornada de trabalho, com previsão de análise e votação nos próximos dias.
Segundo o presidente da entidade, os municípios de pequeno e médio porte seriam
os mais afetados.
“Os municípios de pequeno e
médio porte, principalmente, não têm estrutura nem apoio para o custeio da
segurança pública. Já a redução da jornada de trabalho deve trazer impacto de
R$ 48 bilhões para os municípios, o que mexe não apenas na iniciativa privada,
mas nos direitos dos servidores concursados. A gente tentou sugerir emendas aos
parlamentares, mas eles não aceitaram”, enfatizou.
Piso dos professores
pressiona orçamento municipal
O impacto do piso salarial
dos professores também foi um dos principais pontos abordados pela CNM. De
acordo com Ziulkoski, os reajustes anuais vêm comprometendo grande parte dos
recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica
(Fundeb).
“Ninguém é contra pagar os
professores, mas tem que ter recurso. O impacto do piso somente neste ano é de
R$ 8,5 bilhões, e a gente não sabe como será o comportamento do Fundeb. Hoje,
88% dos recursos são destinados ao pagamento do piso”, alertou.
Bolsa Família e demanda
crescente nas prefeituras
Sobre o Bolsa Família, o
presidente da CNM afirmou que há cerca de 3,1 milhões de pessoas habilitadas
para receber o benefício, mas que os repasses não estão sendo realizados por
falta de orçamento federal.
“Essas pessoas batem na
prefeitura e o gestor precisa fazer alguma coisa para ajudar essas pessoas em
situação de vulnerabilidade”, afirmou.
Royalties e fiscalização da
Cfem
Como forma de ampliar as
receitas e promover uma distribuição mais equilibrada dos recursos entre os
municípios do país, a CNM voltou a defender mudanças na divisão dos royalties
do petróleo.
O julgamento sobre o tema no
Supremo Tribunal Federal (STF) foi suspenso após pedido de vista do ministro
Flávio Dino. Segundo Ziulkoski, a entidade continuará pressionando por uma
revisão no modelo de distribuição. “O petróleo é patrimônio de todos e faremos
uma ação bem contundente para que se tenha justiça federativa na distribuição”,
pontuou.
Ainda sobre a exploração de
recursos naturais, o presidente da CNM defendeu que a Agência Nacional de
Mineração (ANM) permita, por decreto, que as prefeituras sejam responsáveis
pela fiscalização da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos
Minerais (Cfem).
Segundo ele, a medida
ajudaria os municípios a garantir arrecadação adequada para manutenção da
infraestrutura afetada pela atividade mineradora. “Queremos que seja de
atribuição do prefeito o poder fiscalizar e esse dinheiro chegar ao cidadão”,
reforçou.
Adicional do FPM
Outra proposta defendida
pela CNM é a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê um
adicional de 1,5% no Fundo de Participação dos Municípios (FPM) no mês de março
— período historicamente marcado pela queda nos repasses.
“Esse pleito beneficiaria os
municípios na saúde e na educação. O recurso não vai para o prefeito, vai para
a população. Estamos lutando muito por esse pleito, mas não está andando no
Congresso Nacional”, disse.
A programação da XXVII
Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios segue até a próxima quinta-feira
(21).
Fonte: Brasil 61 –


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