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PALAVRA DO SENHOR – Comunidade de Amor

Na Primeira Leitura (Ex 34, 4b-6. 8-9) encontramos Moisés subindo ao Monte para se encontrar com Deus. Há uma caminhada e um esforço de ambas as partes (Deus e o homem) na composição da Nova Aliança e no compromisso de instaurar o projeto de Deus na construção de um povo novo e uma terra nova nascida no dom da liberdade.

Essa narração nos lembra daquela pintura de Michelangelo na Capela Cistina onde Deus se estica com seu dedo para tocar no ser humano. Do outro lado, um pouco esforço de Adão para tocar no dedo de Deus. A pintura mostra o esforço de Deus em “sair de si” para ir ao encontro do ser humano, mas também denuncia a dureza do coração humano. Adão parece não fazer o esforço necessário para ir ao encontro com Deus.

É preciso ter confiança em Deus, é importante ter com Ele essa relação de intimidade e aceitar aquilo que Ele nos ensina como caminho de vida. Será que estamos escutando a Deus? Esticamos o nosso braço e saímos do lugar para encontrar-se com Ele?

A cena da primeira leitura contrapõe o capitulo anterior (Ex. 32), pois enquanto Moisés sobe ao Monte para Adorar ao Deus do amor e da misericórdia, o povo se reúne com Arão (irmão mais velho de Moisés e o primeiro sumo sacerdote de Israel), que depois de recolher todos os objetos de ouro do povo e ter fundido para construção de um bezerro de ouro, foram adorá-lo. Moisés desce do Monte, encontra o povo cantando para o Bezerro de Ouro e enfurecido quebra o Bezerro.

É interessante descrever a cena, pois enquanto Moisés sobe a montanha para adorar ao Deus do Amor o povo se perdeu na fé, lá em baixo, junto a um sacerdote famoso, adorando o “bezerro de ouro”. Não é por acaso que Jesus, mais tarde, vai dizer que ninguém pode servir a dois senhores. A quem você adora e serve?

Na Segunda Leitura (2Cor 13, 11-13) escutamos a conclusão da Carta de Paulo aos cristãos de Corinto. Desde a primeira, Paulo vem exortando o povo a ter atitudes condizentes que estejam a altura do nome de cristãos. Essa carta causou uma reação muito forte e as pessoas acabaram por tentar desacreditar Paulo, diante da comunidade.

Paulo sai de Efésio e retorna a Corinto (durante a terceira viagem) para colocar ordem na igreja. Ele tem um duro confronto com algumas pessoas da comunidade, foi tão tenso e dolorosa (2Cor 2, 1) que ele a considera como rebelde por ser influenciada por falsos mestres. Ali ele chora e tenta defender sua autoridade com força severidade. 

Paulo retorna a Éfeso. Depois, Tito vai ao seu encontro e lhe diz que a comunidade está apaziguada e voltou a ter comunhão com Paulo. Já reconfortado, Paulo escreve uma nova carta a Corinto e lhe diz: “cultivai a concórdia, vivei na paz (...)”.

Interessante que na primeira despedida de Paulo, há uma fervorosa acolhida e despedida da comunidade para com Paulo; mas, nessa segunda carta você percebe que a sua segunda despedida já não tinha mais tanto sabor de fraternidade. Há muita frieza e nem parece uma despedida de reconciliação. Não há alegria, mas muitas tensões. Não há mais a busca na perfeição do amor. Eles não compartilham dos mesmos sentimentos.

É dentro desse contexto que Paulo diz, no último versículo, uma saudação trinitária: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (v. 1;3). A invocação Trinitária, já usada nas primeiras comunidades e nos ambientes litúrgicos já manifestava a fé num Deus Uno e Trino, uma fé num Deus que representava uma família perfeita na comunhão e na fraternidade. Portanto, ao utilizar esta fórmula, os membros das comunidades se reconheciam como membros desta mesma Família que é uma comunidade de amor.

No Evangelho de hoje (Jo 3,16-18), escutamos uma amizade nascendo numa boa conversa: Jesus e Nicodemos. Em João, Jesus “chama os discípulos de amigos e não de servos, pois lhes deu a conhecer as coisas os mistérios do Reino” (Jo 15, 15). Deus não nos trata com distâncias, mas com proximidade.

No inicio do cap. 13. Nicodemos reconhece que as obras que Jesus realiza só podem ser de Alguém que veio da parte de Deus. Aqui, Jesus convida Nicodemos a confiar Nele. Jesus tentar dizer a Nicodemos que Deus amou tanto o mundo que enviou o Seu Filho não para condenar, mas para salvar e que quem Nele Crer, terá a vida eterna.

Jesus sempre quis partilhar da vida. Ele entra na história humana para nos revelar que Deus se preocupa com todos, mas ao mesmo tempo propõe caminhos que, de fato, superem os sistemas de pecado desse mundo: injustiças, guerras, exclusão, etc.

A revelação da Santíssima Trindade foi a maior novidade trazida por Jesus. Antes, os profetas haviam fala de Javé que criou o universo para derramar o seu amor sobre todas as coisas. Mas, foi Jesus que levou os homens ao conhecimento de vida e de uma dialética de amor no próprio Deus. 

Jesus inspirou o Novo Testamento definindo Deus como “amor” (1Jo 4, 8) e que amor não se fecha em si mesmo, mas, por sua natureza, se expande e circula. Algo muito próximo do que se diz do universo (criatura).

O Deus de Jesus Cristo é Uno e Trino, exatamente porque Deus é amor. “Eu e o Pai somos um”, trata-se de uma pluralidade de pessoas numa única realidade divina. Em Jesus, a Igreja vem tomando consciência, aos poucos, deste mistério e tornando-O fonte de inspiração de sua vivencia e testemunho.

A intensão de Deus é de libertar as pessoas do egoísmo e da escravidão da morte. Jesus é caminho de vida até mesmo quando é erguido na cruz. Quem olha para Jesus entende que a vida divina consiste na obediência ao projeto de Deus.

Jesus, o novo Adão, veio ao mundo para mostrar que Deus continua a estender a mão. Mas, também nos ensina a estender a mão para Ele e ao próximo (seus mandamentos). Ele não veio ao mundo para ir ao encontro de pessoas perfeitas, justas e santas (padrão do mundo fariseu), mas para aquele que necessitava de salvação. Jesus demonstrou o amor que Deus tem por cada um de nós. E que seu amor tem poder de transformar todas as pessoas.

Para Nicodemos, Jesus lhes fala da proposta da salvação e oferece o Espírito Santo e passa a viver numa vida de amor e doação. E, consequentemente, passa a caminhar rumo à salvação. Jesus ensina que a salvação não é fruto de méritos pessoais, nem muito menos pode comprá-la, mas ela é salvação e dom gratuito para todos. A salvação pode ser aceita ou rejeitada. Como respondemos a essa proposta?

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio agora e sempre. Amém!

Boa Semana!

 

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo

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