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PALAVRA DO SENHOR – O mundo não acolheu o mandamento de Jesus

A CATEQUESE DO TEMPO DA PÁSCOA VEM NOS APRESENTANDO ALGUNS VERBOS: “VER”, “TOCAR” “RECONHECER”, “ACOLHER”, “ACREDITAR” E “TESTEMUNHAR”. No Evangelho proposto para este 6º Domingo da Páscoa (Jo 14,15-21) Jesus diz que o mundo não O acolheu: “O Espirito da Verdade que o mundo não foi capaz de receber” (v. 17).

O Espírito de Deus foi doado para atender a necessidade de entendimento e acolhimento do projeto de Deus, que muitos insistem em não conhecer, entender e acolher. Porém, o discípulo CONHECE, pois o Espírito permanece junto e dentro dele. Jesus o chama de Espírito da Verdade, pois torna conhecida a verdade sobre Deus. E quem é Deus?

“Deus é amor" (1Jo 4, 16). Deus é o amor generoso que está sempre a favor dos homens. João denuncia que há uma forte oposição entre os sistemas injustos do mundo e a vontade de Deus. Até mesmo o Sinédrio (instituição religiosa) faz parte desse sistema mundano que não pode receber a verdade do amor de Deus. O Espírito da Verdade é o amor do Pai que está sempre cuidando das pessoas. O sistema religioso que fez oposição a Jesus e ao Pai pensa só em si próprio, em suas conveniências egoístas (patologia). As reflexões sobre o bem e o mal estão sujeitas aos seus próprios interesses e discernimentos. Por isso, fechados, não podem receber o Espirito da Verdade.  

Esta falta de CONHECIMENTO é uma acusação que o evangelho de João dirige aos líderes e grupos religiosos: “no meio de vós está aquele quem vós não o conheceis” (Jo 1,26). Jesus garante aos seus seguidores “vós CONHECEIS porque Ele permanece”.

O mesmo Espírito que desceu e permaneceu sobre Ele (cf. Lc 3, 22) é o mesmo que estará com aquele ouvir a Sua Verdade. Esta verdade não está fora, mas dentro de cada pessoa. Em João 14, 18. Jesus ainda apresenta outra garantia às comunidades: “Não vos deixareis órfãos. Eu virei a vós”. A morte de Jesus não significará ruptura ou ausência, mas presença ainda mais forte: DENTRO DO DISCIPULO.

“O mundo não mais me verá, mas vós me vereis, porque eu vivo e vós vivereis” (Jo 14, 19). Os sistemas injustos e cheios de ódio não mais verão Jesus. Eles até ficarão felizes pela ausência de Jesus achando que tem poder sobre todos. Mas, os discípulos ficarão sempre contentes, pois de coração e mentes abertas terão a percepção da presença de Jesus no meio da humanidade, com seus gestos de amor, que só quem tem fé, ver.

Jesus vive e todos terão vida plena. Os sistemas de exclusão e morte tiram a vida do povo e Jesus foi vítima disso. Mas, Jesus venceu a raiz da iniquidade, presente nestes sistemas, quando propôs a verdade do amor como garantia de vida plena e vida eterna.  

Jesus é o vivo e o vivente que nos ensina a não só estar vivos na carne, mas também no Espírito. A verdade e o amor tem uma causa: “dar a vida para que o mundo tenha vida”. Quem ama tem a Verdade/Deus dentro de si. E descobrirá que Jesus está no Pai e que o discípulo mantém uma relação de comunhão entre ele, Filho e o Pai (v. 20).

“Naquele dia sabereis”. No evangelho de João “o dia” e a “hora” da manifestação de Deus é a cruz (cf. Jo 2, 4. 17,1). A cruz traduz a lógica do Reino de Deus, que é amor, que contraria os sistemas injustos desse mundo. O dia da morte de Jesus é, também, o dia do dom do Espírito. E, desde então, há uma fusão entre Deus e os homens. Deus pede para ser acolhido para que o ser humano tenha a capacidade de amar e combater as injustiças. Assim, Ele quer fazer de cada um de nós o único santuário de onde se irradiam o seu amor, misericórdia e compaixão.

Aquele que ama, acolheu os mandamentos de Jesus (cf. Jo 14, 21a). Os mandamentos de Jesus não são norminhas, rubricas, preceitos, mas uma energia vital interior que se manifesta em doação, acolhimento, perdão, etc. Amar não é pecado e ninguém precisa ser curado disso. O egoísmo e o preconceito, denunciados por Jesus como sintomas de uma patologia que precisam ser convertidos e curados.

Os mandamentos não são de Moisés (para ficarmos presos ao Antigo Testamento) nem mesmo de pregadores modernos que arrastam multidões à mesquinhez e ao preconceito. Os mandamentos que devemos seguir são os de Jesus. Os mandamentos de Jesus não diminuem o ser humano, mas o plenifica para amar ainda mais. As comunidades que aprenderam a amar como Jesus acabaram se tornado um sinal profético dentro de um mundo fechado e odioso. Temos convicção disso?

A fé nos une nesse grande projeto de amor de Jesus. Portanto, devemos ter muito cuidado para que o “eu” não se torne o único critério para ser levado em conta para tudo. ONDE O EGO ESTÁ NO CENTRO, O EVANGELHO NÃO ACONTECE.

Há muitas propostas de cristianismos em nossos dias. É um verdadeiro delivery espiritual e muitos gurus religiosos tentando atender as expectativas da clientela que bate o ponto nas missas/cultos de final de semana. Estes precisam apenas bater metas financeiras e não evangelizar o povo. O evangelista João denunciou as lideranças de seu tempo que se tornaram mercenários que vivem explorando o povo: “preferiram a glória dos homens, à gloria de Deus” (12, 43).

O evangelho do amor precisa voltar ao centro e a razão da vida comunitária. O cristianismo só tem sua razão de existir no amor. É preciso deixar-se inquietar para podermos organizar as nossas comunidades e grupos.

Ensinar a amar pode não dar dinheiro e nem sucesso, mas é a razão de ser da evangelização. Guardar os mandamentos de Jesus não é viver se autoflagelando e se acusando porque faltou a uma missa; mas principalmente porque foi para a missa e não aprendeu nada. E nessa matéria penitencial todos nós nos tornamos devedores; e, mesmo aqueles que já têm muitos anos de vida eclesial e estão só ocupando funções.

Jesus pede ao Pai que o Espírito venha em nosso socorro, porque o destino que nos espera é sempre cheio de problemas. Anunciar o evangelho do amor tem seus riscos. Os sistemas de morte estão sempre na ativa (dentro das pessoas). Às vezes, a própria religião é uma das vertentes desse sistema que matou Jesus e que mata a muitos. O Verbo do Pai pregava o respeito, a inclusão, a compreensão (como sintoma do amor), mas o sistema religioso com seu moralismo e corações fechados não conseguiu ir além. Diante deste sistema Jesus disse: “Procurai matar-me, porque minha palavra não encontra espaço dentro de vós” (Jo 8, 37). Esse mesmo problema se da nos sistemas políticos que vivem a ameaçar os pobres e os pequenos, para sustentar a eterna burguesia egocêntrica.

Os sistemas deste mundo costumam deixar as pessoas órfãs e colocar-nos uns contra os outros: a mentira se torna estratégia, a exploração é chamada de negócios, os discursos de ódio são chamados de tolerância, a injustiça é chamada de ordem, a arbitrariedade é chamada de liberdade, a falta de respeito é confundida com sinceridade.  Jesus envia o Espírito para manter a fé viva do povo. Há muitos que roubam a fé, a esperança e a caridade, mas o Espírito faz romper com o horizonte da mentira deste mundo.

Senhor, enviai o vosso Espirito e tudo será renovado!

Feliz dia das Mães! Boa semana!

 

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo

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