Vazamento de dados no INSS expõe 2,8 milhões de CPFs; 98% de falecidos.
Segundo Dataprev, 98% das
informações eram de pessoas mortas
O recente vazamento de dados
no sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) atingiu 2,8 milhões de
Cadastro de Pessoas Físicas (CPFs), informou nesta terça-feira (26) a Dataprev,
estatal responsável pelo processamento de informações da Previdência Social.
As informações foram
divulgadas na reunião do Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS).
Segundo a empresa, cerca de
98% dos dados acessados pertenciam a pessoas já falecidas. Ainda assim,
aproximadamente 52 mil segurados vivos tiveram informações expostas durante o
incidente de segurança ocorrido em abril.
O número divulgado agora é
superior à estimativa inicial apresentada por técnicos do Instituto Nacional do
Seguro Social, que mencionava cerca de 2 milhões de registros afetados.
Dados vazados
De acordo com a Dataprev, os
acessos indevidos envolveram CPFs e datas de nascimento de segurados.
A estatal explicou que um
mesmo CPF pode ter sido consultado mais de uma vez, o que ajuda a explicar o
volume elevado de acessos registrados.
Segundo a empresa, não houve
liberação indevida de benefícios nem contratação automática de empréstimos
consignados.
Falha no sistema
A investigação preliminar
aponta que o problema ocorreu por causa de uma falha no sistema do aplicativo
Meu INSS.
Segundo Edmar dos Santos
Ferreira Junior, representante da Dataprev no CNPS, uma área que deveria exigir
login estava acessível sem autenticação.
“Era uma consulta que estava
dentro de uma interface logada, mas ela aceitava uma resposta para quando você
estivesse em um ambiente público”, afirmou. O incidente, segundo ele, durou
apenas um dia.
Correção imediata
A Dataprev informou que o
erro foi corrigido assim que identificado. A empresa afirmou ainda que
desenvolve novas barreiras de segurança para impedir consultas simultâneas em
massa.
“Como medida de proteção
adicional, a Dataprev implementou novos controles de segurança com limites de
acesso”, informou a estatal.
Em nota, o INSS informou que
a concessão de benefícios possui diferentes etapas de validação e segurança.
“A concessão de qualquer
benefício possui uma série de travas de segurança. O INSS tem reforçado seus
controles internos a fim de oferecer maior segurança à análise de seus
benefícios”, afirmou a autarquia.
Caso revelado
O vazamento foi identificado
em 22 de abril, mas tornou-se público apenas na semana passada. Segundo a
Dataprev e o INSS, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foi
acionada logo após a descoberta do problema.
O caso levantou preocupação
entre especialistas em segurança digital por causa da quantidade de dados
expostos.
Risco de fraude
Embora o governo afirme que
não houve concessão irregular de benefícios, especialistas alertam que
informações vazadas podem ser usadas em golpes e fraudes financeiras.
O banco de dados do INSS
reúne informações pessoais de aposentados, pensionistas e beneficiários de
programas sociais, incluindo vínculos empregatícios e dados cadastrais.
Histórico recente
Essa não é a primeira falha
de segurança envolvendo sistemas do INSS.
Em 2024, o instituto
confirmou outro incidente que expôs informações sigilosas de aposentados e
beneficiários de programas assistenciais.
Na ocasião, o governo também
afirmou ter reforçado os mecanismos de proteção dos sistemas previdenciários.
Agência Brasil


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