AGU viabiliza uso de capela histórica em assentamento do Incra na Paraíba.
Capela com arte sacra dedicada a São Sebastião é entregue à
paróquia local e voltará a ser espaço de celebração de missas e outras
atividades comunitárias em Sumé
A Advocacia-Geral da União (AGU) articulou o diálogo
institucional que resultou na destinação, à paróquia local, da Capela de São
Sebastião, localizada no Assentamento Mandacaru, no município de Sumé (PB), a
260 quilômetros da capital João Pessoa. De propriedade do Instituto Nacional de
Colonização e Reforma Agrária (Incra), a capela foi entregue durante solenidade
na última terça-feira (16/06), e voltará a abrigar a realização regular de
missas e outras atividades da paróquia, após um período fechada.
A entrega ocorreu um mês após assinatura do contrato de
autorização de uso do imóvel pela Superintendência Regional do Incra na Paraíba
e pela Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, vinculada à Diocese de Campina
Grande. A paróquia ficará responsável pela conservação da capela e por buscar
meios de manutenção e eventual restauração do imóvel, construído entre 1916 e
1917.
“A vinculação à paróquia favorece a mobilização da
comunidade, de voluntários e de parceiros interessados na preservação do bem”,
avalia o procurador federal Omar Bradley, integrante da Equipe de Proteção ao
Patrimônio Histórico e Cultural da Procuradoria Regional Federal da 5ª Região
(PRF5), unidade da AGU.
Segundo ele, a atuação coordenada entre os órgãos públicos –
que envolveu ainda a Procuradoria Federal no Estado da Paraíba (PF/PB), a
Procuradoria Federal Especializada junto ao Incra (PFE/Incra) e a Prefeitura de
Sumé - demonstra que “é possível conciliar a política pública de reforma
agrária, desenvolvida pelo Incra, com a preservação de uma importante
referência da memória, da cultura e da religiosidade locais”.
A comunidade do Assentamento Mandacaru e autoridades locais
estiveram presentes na solenidade. Assinaram um ato simbólico para marcar a
entrega o superintendente regional do Incra na Paraíba, Antônio Barbosa; o
pároco de Sumé, Padre José Marcondes; o prefeito Manoel Lourenço; e o
procurador federal Omar Bradley, representando a PF/PB.
Arte sacra
O Assentamento Mandacaru fica na antiga Fazenda Feijão,
fundada em 1880, uma referência na produção agrícola na região. O dono da
propriedade, coronel Sizenando Raphael de Deus (1863-1943), era muito conhecido
e chegou a ser prefeito de Monteiro. Devoto de São Sebastião, construiu a
capela em homenagem ao santo e trouxe um bispo potiguar para morar na fazenda e
realizar ofícios diários e missas aos domingos. Em janeiro, a festa do santo
padroeiro da fazenda atraía devotos de Sumé e cidades vizinhas.
A capela é adornada com pinturas do artista sacro paraibano
Miguel Guilherme dos Santos (1902-1995), cuja obra integra o acervo e
patrimônio cultural de diversas igrejas e capelas da Paraíba e de Pernambuco.
Os afrescos retratam o martírio de São Sebastião e a história da Fazenda
Feijão. Na capela, estão os restos mortais do coronel Sizenando e de sua
esposa.
“Esta medida coordenada preserva a história, a fé e a
identidade de uma comunidade, protege um bem de reconhecida importância
cultural, assegura a função social da reforma agrária e reconhece a cidadania
de homens e mulheres do campo que constroem, todos os dias, o desenvolvimento
do nosso interior”, afirma o procurador-chefe da PF/PB, Lucas Ramalho.
Assessoria Especial de Comunicação Social da AGU

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