Águas do São Francisco garantem abastecimento para as maiores festas juninas do país.
Antes ameaçadas pela escassez hídrica, Campina Grande (PB) e
Caruaru (PE) contam hoje com as águas do Rio São Francisco para receber milhões
de pessoas durante o São João
As águas do Rio São Francisco já foram responsáveis por
garantir os festejos de São João no Nordeste brasileiro. Em 2017, às vésperas
da festa em Campina Grande (PB), a cidade enfrentava uma das mais graves crises
hídricas de sua história. O Açude Epitácio Pessoa, principal manancial da
cidade, chegou a menos de 3% da capacidade. Foi a chegada das águas do Projeto
de Integração do Rio São Francisco (PISF), coordenado pelo Ministério da
Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que reverteu esse cenário,
garantindo a recuperação do reservatório e o abastecimento de água necessários
para a realização do evento. Anos depois, em 2024, a mesma solução chegaria a
Caruaru (PE). A cidade passou a receber as águas do Velho Chico por meio do
Ramal e da Adutora do Agreste. Hoje, a infraestrutura assegura mais
tranquilidade para moradores, comerciantes e visitantes que participam dos
festejos ao longo do mês de junho.
“Como engenheiro e servidor público, é uma sensação de dever
cumprido implantar um projeto que hoje fornece água para mais de 800 mil
nordestinos nessas duas grandes cidades, que são símbolos e potências da
região. Como nordestino, tem uma conotação ainda maior: o Projeto de Integração
do Rio São Francisco está ajudando a preservar a cultura através das duas
maiores festas juninas que nós temos no Nordeste”, comenta Bruno Cravo, diretor
do Departamento de Projetos Estratégicos do MIDR. “Além da segurança hídrica, é
uma questão de preservação cultural e de incentivo à economia da região”,
destacou.
Somadas, as duas cidades recebem milhões de visitantes ao
longo do mês de junho. Além de movimentar a economia local e preservar
tradições culturais, os festejos exigem um aumento significativo na demanda por
água para abastecimento humano, comércio, rede hoteleira, restaurantes e
serviços. E é justamente aqui que o PISF entra em ação. Hoje, tanto Campina
Grande quanto Caruaru contam com o reforço das águas do Rio São Francisco para
garantir o abastecimento da população e dos visitantes.
O caminho até Campina Grande
Na Paraíba, as águas do São Francisco chegam por meio do Eixo
Leste do PISF. O percurso começa na captação realizada no Lago de Itaparica, em
Pernambuco. A água percorre canais, túneis, aquedutos e estações de bombeamento
até atravessar o Sertão pernambucano e chegar ao município de Monteiro,
primeira cidade paraibana a receber as águas da transposição.
A partir de Monteiro, a água segue pelo leito do Rio Paraíba,
reforçando importantes reservatórios do estado, como os açudes São José, Poções
e Camalaú, até alcançar o Açude Epitácio Pessoa, conhecido como Boqueirão,
principal manancial responsável pelo abastecimento de Campina Grande e de
diversos municípios da região. Dali, a água é distribuída por adutoras e
sistemas de abastecimento até chegar às torneiras da população.
Segundo o presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas
da Paraíba (AESA), Porfírio Loureiro, a chegada das águas do São Francisco
transformou a realidade hídrica do estado. “A importância das águas do São
Francisco para a Paraíba é vital para a nossa segurança hídrica e para o
desenvolvimento de todo o estado. No Eixo Leste, a entrada das águas por
Monteiro garantiu segurança hídrica para Campina Grande, cidade que realiza o
Maior São João do Mundo. A liberação das Águas no Portal Monteiro foi dia 10 de
março de 2017, e a chegada ao Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão) foi no dia 18
de abril de 2017. Se não tivessem chegado as águas do PISF provavelmente não
haveria o Maior São João do Mundo”, afirma.
Rumo a Caruaru
Em Pernambuco, o abastecimento de Caruaru também passou a
contar com as águas do São Francisco a partir de uma extensa infraestrutura
hídrica. O percurso começa igualmente no Lago de Itaparica, segue pelo Eixo
Leste do PISF e atravessa municípios como Floresta, Betânia, Custódia e
Sertânia.
Em Sertânia, a água chega ao Reservatório Barro Branco, de
onde segue pelo Ramal do Agreste, estrutura construída para levar água ao
Agreste pernambucano. O trajeto continua até o Reservatório Ipojuca,
considerado um dos principais pontos de distribuição da região. A partir dali,
a água é conduzida pela Adutora do Agreste até municípios como Caruaru, Belo
Jardim, Bezerros, Gravatá e Santa Cruz do Capibaribe.
Douglas Nóbrega, presidente da Companhia Pernambucana de
Saneamento (Compesa), explica que a chegada das águas do São Francisco
representou uma mudança histórica para o município. “Em 2024, as águas do São
Francisco chegaram a Caruaru. Percorrendo mais de 300 quilômetros desde o Eixo
Leste da transposição, a cidade recebeu um incremento de cerca de 700 litros
por segundo, vazão suficiente para melhorar a vida e eliminar o rodízio de
aproximadamente 38 mil famílias. Além disso, comunidades rurais que há mais de
20 anos não recebiam água passaram a contar com abastecimento regular. Foi uma
verdadeira transformação para Caruaru”, ressalta.
Água para a cultura e o desenvolvimento
Criado para ampliar a segurança hídrica do Nordeste, o
Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF) é a maior obra de
infraestrutura hídrica do Brasil. Com 477 quilômetros de extensão nos eixos
Norte e Leste, o empreendimento promove segurança hídrica para mais de 12
milhões de pessoas em cerca de 390 municípios de Pernambuco, Paraíba, Ceará e
Rio Grande do Norte. Além de garantir o abastecimento humano em regiões
historicamente afetadas pela escassez de água, o projeto fortalece atividades
econômicas, impulsiona o desenvolvimento regional e contribui para a
preservação de tradições culturais que movimentam cidades inteiras.
Nas semanas em que Campina Grande e Caruaru se transformam
nos principais palcos do São João brasileiro, as águas do Velho Chico cumprem
um papel fundamental longe dos holofotes: garantir o abastecimento que sustenta
a realização das festas, movimenta a economia local e preserva uma das mais
importantes tradições culturais do Nordeste.
Fonte: Brasil 61 -


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