É MUIDO: Agentes da polícia presos tentaram ficar com parte de dinheiro de tráfico que seria entregue a delegado na PB.
Informação foi extraída de
decisão judicial que autorizou a prisão dos dois agentes da Polícia Civil e
também do delegado Braz Morroni. Episódios foram registrados como tendo
acontecido no ano passado.
Dois investigadores da
Polícia Civil da Paraíba, presos por participar de uma organização criminosa
que desviava drogas da corporação após operações, e revendia ilegalmente,
tentaram, dentro desse esquema, ficar com parte do dinheiro de uma venda de
drogas que seria destinado ao delegado Braz Morroni, também preso após
autorização da Justiça da Paraíba.
O relato do acontecido está
descrito na decisão da Justiça que autorizou as prisões e os mandados de busca
e apreensão na Operação Perfidus. Ao todo, foram nove presos na terça-feira
(2), entre integrantes da polícia e de uma facção criminosa. O g1 teve acesso a
este material.
No documento, é descrito que
um dos agentes presos, Everton Aires, em 8 de dezembro de 2025, "reclamou
de cobranças de drogas feitas pelo delegado" e ainda "planejou omitir
do chefe uma venda de R$ 18 mil". O outro agente é Eduardo Jorge Ferreira,
conhecido como "Mão Branca". O chefe, no caso, era considerado o
próprio Braz Morroni, segundo o documento da Justiça, por conta do cargo maior
que ele tinha dentro da corporação em relação aos agentes.
O documento afirma ainda que
essa trâmite aconteceu com objetivo de "reter a cota do delegado e
reinvestir no tráfico". No entanto, 22 dias depois do recebimento do
dinheiro oriundo da venda ilegal das drogas desviadas, a Justiça afirma que
"Braz Morroni compareceu pessoalmente à delegacia para arrecadar sua cota
em dinheiro".
Transferências financeiras
feitas por Everton Aires, um dos integrantes dessa organização criminosa, para
contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que indicariam a
reserva de uma parcela dos lucros para Braz em operações de tráfico e comércio
ilícito de drogas.
A investigação sustenta que
Braz Morroni recebia repasses de dinheiro provenientes das negociações
realizadas pelos dois investigadores, cobrava rapidez na recuperação de valores
referentes a drogas vendidas a prazo e utilizava sua posição hierárquica para
oferecer proteção institucional ao grupo.
O que dizem as defesas
Em contato com o g1, a
defesa do delegado Braz Morroni disse que a decisão da Justiça citada que fala
sobre a suposta ida do investigado para a delegacia recolher uma cota da venda
de drogas, "se baseou integralmente nos relatórios policiais" e que,
estes, "se utilizam de conversas indiretas, entre os agentes de polícia e
outros investigados" e que "não há uma única conversa do delegado com
qualquer dos envolvidos em todos os relatórios policiais".
O advogado disse também que
"isso revela que a Polícia Civil errou ao não fazer a devida
individualização das condutas entre o delegado e os demais investigados".
Ele afirmou também que o
delegado "está sendo preso e injustamente acusado antes mesmo de ser
ouvido, exercer o contraditório ou de que a investigação esteja
encerrada".
A defesa também disse que
"repudia todas as presunções que se baseiam exclusivamente em conversas de
terceiros" e que "não há uma única conversa que mostre o seu envolvimento
em qualquer prática ilícita, e ao longo da investigação todos os fatos restarão
devidamente esclarecidos e a inocência do delegado com efetivo serviço prestado
no combate ao crime será evidenciada".
Procurada, a defesa dos
agentes da polícia disse que os "investigados negam categoricamente a
prática dos fatos que lhes são atribuídos e confiam que, ao final da apuração,
a verdade será devidamente esclarecida". Além disso, a defesa também
afirma que "as prisões decretadas possuem natureza temporária, instituto
jurídico voltado exclusivamente a subsidiar o andamento das investigações, não
representando qualquer juízo de culpa".
Delegado está preso, mas
tenta prisão domiciliar
A defesa do delegado Braz
Morroni solicitou à Justiça da Paraíba, durante audiência de custódia, a
conversão da prisão dele, em caráter temporário, para prisão domiciliar
humanitária, alegando que ele foi diagnosticado com câncer de prostáta.
O pedido, conforme documento
que o g1 teve acesso, era baseado em documentos de saúde de 2023 e 2024, com
informações de que ele foi diagnosticado com câncer de próstata e submetido a
uma cirurgia naquele período. A juíza destacou que não foi anexado nenhum laudo
ou relatório médico atualizado de 2026 que demonstrasse o reaparecimento da doença,
complicações em curso ou um quadro atual de extrema debilidade física.
A magistrada da audiência de
custódia, Michelini de Oliveira Dantas, da 1ª Vara Regional de Garantias de
João Pessoa, também ressaltou que o exame traumatológico realizado no dia da
audiência atestou a integridade física do custodiado e não registrou qualquer
lesão ou queixa de debilidade que viesse a justificar a conversão em
domiciliar. Braz Morroni foi mantido preso em caráter temporário, por 30 dias,
e encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, na capital do estado.
Um outro argumento utilizado
pela juíza da audiência para indeferir a conversão da prisão foi de que, com
exceção de casos urgentes e específicos, não é possível analisar pedido de
prisão domiciliar humanitária pela audiência de custódia e, sim, no âmbito do
processo que autorizou a prisão inicial. No caso, quem deve avaliar o mérito do
pedido é a 2ª Vara de Garantias de João Pessoa.
Ao g1, a defesa do delegado
disse que o mérito vai ser avaliado pela juíza Conceição Marsicano, titular da
Vara, que emitiu os mandados de prisão temporários para o delegado e os outros
alvos da operação. Ele afirmou também que, inicialmente, a juíza pediu vistas
do processo para que o Ministério Público da Paraíba (MPPB) emita um parecer
sobre a concessão da prisão domiciliar ao delegado. Somente após este parecer
ela deve definir o mérito do pedido.
Por g1 PB


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