Emendas de vereadores já alcançam quase metade dos municípios brasileiros.
Estudo da CNM aponta que
prefeituras têm complementado com recursos próprios obras e serviços previstos
nas emendas impositivas
Quase metade das prefeituras
brasileiras já convive com emendas impositivas de vereadores, mecanismo que,
segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), tem gerado
desafios para a gestão orçamentária local e levado parte dos municípios a
complementar com recursos próprios projetos inicialmente financiados por esses
instrumentos.
O estudo, realizado com 3,2
mil entes locais de todas as regiões do país, aponta que 47% dos prefeitos
afirmaram possuir emendas impositivas de vereadores. Para a CNM, esse
percentual pode alcançar 60% nos próximos anos.
As emendas parlamentares são
instrumentos que permitem ao Poder Legislativo participar da elaboração do
orçamento público. Por meio delas, deputados estaduais, deputados federais,
senadores e vereadores podem direcionar recursos previstos no Projeto de Lei
Orçamentária Anual (PLOA) para ações e projetos considerados prioritários.
De acordo com a pesquisa,
85% dos municípios que adotaram o mecanismo já incluíram as emendas na Lei
Orgânica municipal, o que torna sua manutenção praticamente definitiva. Entre
os prefeitos ouvidos, 52% afirmaram precisar complementar com recursos da
própria administração os valores destinados pelos vereadores para garantir a
execução de obras e serviços.
A insuficiência de recursos,
segundo o levantamento, está relacionada principalmente ao fracionamento das
emendas sem a definição de um valor mínimo. Esse fator foi apontado por 53% dos
gestores consultados.
O estudo também indica que a
adoção das emendas tem dificultado o cumprimento de metas previstas nos
orçamentos municipais. Com base na extrapolação dos dados coletados, a CNM
estima que aproximadamente 2,6 mil prefeituras brasileiras já possuam emendas
impositivas de vereadores.
Em cerca de um terço dessas
cidades, o percentual destinado às emendas ultrapassa o limite de 1,55% da
Receita Corrente Líquida estabelecido pela jurisprudência do Supremo Tribunal
Federal (STF). A pesquisa ainda identificou a existência de emendas de bancada
em mais de um terço dos municípios que possuem previsão de emendas
parlamentares — o equivalente a até 915 prefeituras na projeção realizada pela
entidade. A legalidade desse modelo está sendo discutida na Justiça e deve ser
analisada pelo STF.
Recursos insuficientes
Outro dado apontado pelo
levantamento é que 44% dos gestores que responderam à pesquisa consideram os
recursos destinados às emendas insuficientes para a execução das obras e
serviços previstos. Nesses casos, as prefeituras acabam assumindo parte dos custos
para viabilizar os projetos.
Para o presidente da CNM,
Paulo Ziulkoski, o avanço desse modelo amplia as dificuldades financeiras
enfrentadas pelos governos locais.
“A existência de emendas
municipais tem agravado ainda mais o subfinanciamento da esfera local, pois,
além de manter intacto o duodécimo do Poder Legislativo, fragiliza a realização
de políticas públicas efetivamente estruturantes. A repetição, em nível local,
de mecanismo existente na esfera federal, desconsidera as assimetrias
federativas e a profunda disparidade entre o excesso de arrecadação por parte
da União e a histórica deficiência financeira identificada nos Municípios”,
ressalta o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.
Diante desse cenário, a
entidade pretende ampliar o debate sobre os impactos das emendas impositivas
com a sociedade e com os poderes Executivo e Legislativo municipais. O
objetivo, segundo a CNM, é discutir as atribuições de cada poder e buscar maior
eficiência na implementação de políticas públicas.
Aumento no volume de
emendas
O estudo também mostra o
crescimento do volume de emendas parlamentares nos últimos anos. Somadas as
esferas federal e estadual, os recursos passaram de R$ 56,7 bilhões em 2024
para R$ 63 bilhões em 2026.
Desse total, R$ 49,9 bilhões
correspondem às emendas federais e R$ 13,2 bilhões às estaduais. A participação
dos estados nesse montante aumentou de 15,6% para 20,9% no período
analisado.
Fonte: Brasil 61


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