Jovem que utilizou caneta emagrecedora irregular recebe alta do Hospital Edson Ramalho.
Um recomeço, novos planos e
a certeza de que a saúde vale muito mais do que qualquer padrão estético. Foi
assim que Shirley Gomes, de 23 anos, deixou o Hospital do Servidor General
Edson Ramalho (HSGER), unidade do Governo da Paraíba gerenciada pela Fundação
Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde) em João Pessoa, após 69 dias de uma
luta intensa pela vida.
A alta hospitalar simbolizou
não apenas o fim de um tratamento complexo, mas também o início de uma nova
fase para a jovem, que quase morreu após usar um medicamento para emagrecimento
adquirido de forma irregular, sem registro da Agência Nacional de Vigilância
Sanitária (Anvisa).
A história começou durante
uma viagem de passeio a São Paulo. Longe da família e acreditando que faria
apenas um procedimento simples para reduzir uma pequena gordura abdominal que a
incomodava, Shirley aplicou algumas doses da caneta adquirida por meio de uma
conhecida. O medicamento era proveniente do Paraguai e não possuía autorização
da Anvisa para comercialização no Brasil.
No dia seguinte à aplicação,
surgiram os primeiros sintomas. “Eu só queria baixar uma barriguinha. No outro
dia, comecei a vomitar, minha barriga começou a estender e a dor só aumentava.
Nunca imaginei que fosse acontecer uma coisa dessas”, relembrou.
O que era para ser apenas um
passeio transformou-se em um pesadelo. O quadro evoluiu rapidamente para uma
pancreatite aguda grave induzida pelo medicamento. Shirley precisou ser
internada às pressas em um hospital de São Paulo, onde permaneceu 44 dias em
uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), parte desse período sob ventilação
mecânica.
Sozinha na maior parte da
internação, distante dos familiares, enfrentou momentos de medo e incerteza.
“Eu só lembro dos três primeiros dias. No terceiro dia, lembro de ouvir o
médico falar que precisava ser entubada. Pronto. Depois, lembro de acordar. E
só”, relatou Shirley.
Complicações exigiram
tratamento especializado
Após receber alta em São
Paulo, Shirley retornou para a Paraíba. Apenas seis dias depois, voltou a
passar mal e procurou atendimento em Catolé do Rocha. Diante da gravidade do
quadro, foi regulada para o Hospital do Servidor General Edson Ramalho.
Segundo o cirurgião
Alexandre Tamiro, que acompanhou a paciente, ela chegou ao hospital
apresentando uma das complicações mais complexas da cirurgia digestiva. “Ela
ficou internada 44 dias na UTI em São Paulo por causa de uma pancreatite aguda
grave medicamentosa. Depois, apresentou uma perfuração de duodeno, foi
submetida a uma cirurgia, mas desenvolveu uma fístula entérica. Conseguimos
estabilizar o quadro utilizando um kit específico para tratamento de fístulas.
Hoje, ela já consegue se alimentar por via oral e tem condições de continuar o
tratamento em acompanhamento ambulatorial”, explicou.
De acordo com a coordenadora
médica do Núcleo Interno de Regulação do HSGER, Indyra Suassuna, a recuperação
de Shirley é resultado da atuação integrada de diversas equipes. “Ela foi
regulada de Catolé do Rocha por se tratar de um caso extremamente complexo.
Desde a chegada, acompanhamos diariamente sua evolução junto com a Comissão de
Pele, a equipe da Cirurgia Geral e todo o corpo clínico do hospital. Hoje, para
honra e glória de Deus, ela está de alta. É uma alegria muito grande para todos
nós”, comemorou.
Um dos diferenciais no
tratamento de Shirley foi a atuação da Comissão de Pele, responsável pelo
manejo da fístula com a utilização de um kit especializado. Segundo a
coordenadora da Comissão de Pele, Jussara Fernandes, o caso exigiu
acompanhamento intensivo e um cuidado especializado. “O tratamento de uma
fístula intestinal é extremamente complexo e exige monitoramento contínuo e uma
assistência multiprofissional qualificada. O kit fístula foi fundamental para
controlar o extravasamento do conteúdo intestinal, proteger a pele, reduzir os
riscos de infecção e permitir que a paciente evoluísse de forma segura”,
explicou Jussara.
Cada etapa do tratamento foi
cuidadosamente planejada para proporcionar as melhores condições de
recuperação.
Ao receber a informação
sobre a alta hospitalar, a angústia de Shirley deu lugar ao sorriso largo. O
maior desejo era voltar para casa e reencontrar o filho de seis anos. “Estou me
sentindo bem. Realizada. Depois de quase três meses internada, poder ir para
casa é um presente. Fui muito bem tratada aqui. Não tenho do que reclamar.
Desde os médicos e enfermeiros até o pessoal da limpeza e da segurança, todos
foram excelentes”, ressaltou Shirley.
A prima, Karina Araújo,
também celebrou o momento. “Quando disseram que ela ia receber alta, eu me
arrepiei todinha. É uma bênção, uma glória! A gente esperava muito por esse
dia. Ver minha prima saindo daqui é a melhor sensação”, comemorou Karina.
Mesmo com a alta hospitalar,
Shirley continua acompanhada ambulatorialmente pelas equipes do hospital. “Ela
permanece sendo acompanhada regularmente pela nossa equipe multidisciplinar,
até ficar 100% recuperada”, frisou Jussara.
Secom PB


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