Dino ordena que parlamentares sejam responsabilizados por emendas.
Congresso deverá apresentar proposta para controle
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),
decidiu nesta quarta-feira (29) que a Câmara dos Deputados e o Senado devem
apresentar à Corte uma matriz de responsabilidades para controle das emendas
parlamentares.
A decisão foi tomada após o ministro analisar relatórios
sucessivos da Controladoria-Geral da União (CGU), do Tribunal de Contas da
União (TCU) e da Polícia Federal (PF) que apontaram a recorrência de
irregularidades na execução de emendas.
Conforme a decisão, a Câmara e o Senado devem prestar
informações ao Supremo sobre as indicações de emendas. A manifestação deverá
conter uma proposta de matriz de responsabilidades, que deverá conter a
identificação dos agentes envolvidos em todas as etapas de pagamento das
emendas.
Além disso, o ministro afirmou que a proposta também deverá
alcançar a existência da responsabilidade do parlamentar autor da emenda
individual.
Para Dino, a questão das emendas envolve questão
constitucional e ultrapassa o "território discricionário da
política".
"Emprego do dinheiro público subordina-se a critérios
regrados pela Constituição Federal, compondo o devido processo constitucional
orçamentário. Dizendo de modo mais óbvio: indicar uma emenda Pix não é o mesmo
que passar um Pix para uma pessoa da família ou um comércio da esquina",
afirmou Dino.
O ministro também deu prazo para manifestação da Presidência
da República, por meio da Advocacia-Geral da União (AGU), e da
Procuradoria-Geral da República (PGR).
Entenda
O impasse sobre a liberação das emendas começou em dezembro
de 2022, quando o STF entendeu que as emendas chamadas de RP8 e RP9 eram
inconstitucionais. Após a decisão, o Congresso Nacional aprovou uma resolução
que mudou as regras de distribuição de recursos por emendas de relator para
cumprir a determinação da Corte.
No entanto, o PSOL, partido que entrou com a ação contra as
emendas, apontou que a decisão continuava em descumprimento.
Após a aposentadoria da ministra Rosa Weber, relatora
original do caso, Flávio Dino assumiu a condução do caso.
Agência Brasil


Nenhum comentário