Mãe da bebê de 10 meses morta em Fortaleza e primo do namorado que dormiu por cima da criança são denunciados pelo MP
O Ministério Público do Ceará disse que não era possível
fazer Acordo de Não Persecução Penal com os acusados pois o caso aconteceu em
contexto de violência doméstica.
A mãe da bebê de 10 meses morta em Fortaleza e o primo do
namorado dela foram denunciados pelo Ministério Público do Ceará (MPCE) por
homicídio culposo. O suspeito, que chegou a ser preso e depois foi liberado,
teria dormido por cima da criança, o que causou a morte por asfixia. O caso
chegou a ser tratado como estupro, mas a hipótese foi descarta por laudo
pericial.
O MPCE informou que a denúncia foi ofertada à Justiça no dia
20 de julho - uma semana após a morte da criança - e que deixou de oferecer
Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) porque o crime ocorreu no contexto de
violência doméstica.
Apesar de o Ministério Público não divulgar os denunciados
pelo crime, o g1 apurou que a denúncia foi apresentada contra a mãe da bebê,
Ysabelle Rodrigues, e o primo do namorado dela, Roberto Levy Oliveira
Magalhães.
O denunciado e um primo dele, que seria namorado da mãe,
foram presos no dia da morte. Porém, eles foram soltos nesta terça-feira (21),
após a decisão da Justiça do Ceará.
A morte da criança ocorreu no dia 13 de julho, no Bairro
Dionísio Torres, enquanto a menina dormia em um dos quartos do apartamento onde
os homens estavam. O laudo aponta que a criança morreu por asfixia, em
consequência de o homem ter dormido sobre a bebê. Ele e a mãe da menina foram
indiciados.
Segundo o Tribunal de Justiça do Estado (TJCE), a soltura de
Roberto Levy Oliveira Magalhães, de 26 anos e Francisco Ray Rodrigues
Magalhães, de 22 anos, namorado da mãe da vítima, ocorreu em deferimento ao
pedido do Ministério Público, que solicitou a revogação das prisões preventivas
dos dois homens, "diante da ausência, no momento, dos requisitos legais
para a manutenção da prisão cautelar".
Ainda conforme o TJCE, nesta segunda-feira (20) o processo
sobre a morte da menina foi redistribuído para a Vara Especializada em Crimes
contra a Criança e o Adolescente da Comarca de Fortaleza. O órgão não confirmou
se a Justiça Estadual recebeu ou não a denúncia do Ministério Público.
"O processo tramita sob segredo de justiça. Em razão das
restrições legais, não é possível divulgar outras informações", disse o
Tribunal de Justiça.
A advogada Gleicy Kelly Leitão, responsonsável pela defesa de
Francisco Ray, fez uma publicação nas redes sociais comemorando a soltura do
cliente e do primo dele.
"Hoje os dois saíram pela porta da frente, após uma
acusação gravíssima de violência sexual contra uma bebê, ficou comprovado que
não houve o crime sexual. Francisco Ray deixa o caso inocentado. Já Levy,
responderá por homicídio culposo, em razão dos elementos apurados na
investigação", publicou a advogada Gleicy Kelly Leitão.
Na mesma publicação, a advogada ainda criticou a condução da
acusação contra Ray e Levy, que inicialmente foram apontados como autores de
violência sexual contra a criança, o que foi descartado pela perícia.
"Que este caso sirva de reflexão sobre os riscos dos
julgamentos precipitados e a importância de aguardar a conclusão das
investigações", publicou a advogada.
Mudança de linha de investigação
Na última sexta-feira (17), o caso da morte da bebê teve uma
mudança na linha de investigação. O laudo pericial da morte da criança
constatou que não houve estupro, ao contrário do que havia sido verificado no
hospital, segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará
(SSPDS) divulgou no primeiro momento.
A análise da Perícia Forense do Ceará (Pefoce) foi revelada e
apontou asfixia como a causa da morte, como sustentava a defesa de um dos dois
homens presos em flagrante.
"Foram realizados exames laboratoriais de alcoolemia e
de drogas no sangue, que não constataram a presença dessas substâncias nas
amostras coletadas na criança. Os exames realizados pela Pefoce também não
constataram presença de sêmen e não indicaram presença de material genético dos
dois homens envolvidos na ocorrência no corpo dela. O exame sexológico apontou
que não houve violência sexual", informou a SSPDS, em nota, nesta sexta
(17).
O caso vinha sendo tratado pela Polícia Civil como "uma
ocorrência de estupro de vulnerável seguido de morte". Segundo a polícia,
as prisões em flagrante foram baseadas no documento produzido pelo hospital
particular onde a bebê foi atendida por quatro médicos de emergência pediátrica
e dois cardiologistas. Entretanto, após o laudo pericial, a investigação passou
a tratar o caso como homicídio culposo e descartou violência sexual contra a
criança.
"Após a conclusão dos laudos periciais da Pefoce e com o
andamento das diligências policiais, a investigação conduzida pela Delegacia de
Combate à Exploração da Criança e do Adolescente (Dececa) concluiu tratar-se de
homicídio culposo, descartando com base nos laudos periciais a ocorrência de
violência sexual contra a criança", complementou o órgão.
A bebê morreu na casa onde Ray morava. A mãe da criança
estava no local no momento em que a morte aconteceu e acreditou, inicialmente,
que a filha estivesse engasgada. Por isso, chamou a Polícia Militar e o Corpo
de Bombeiros. Como o socorro não chegou, ela decidiu levar a bebê a uma unidade
de saúde por conta própria.
"A morte foi por asfixia, justamente a tese defensiva de
que Levy, primo de Ray, [...] esmagou a criança com seu peso corporal ao deitar
na cama, embriagado. O que agora deve mudar completamente o rumo da
investigação e ser tratado como um homicídio culposo, ou seja, quando não há a
intenção de matar", comentou Gleicy Kelly Leitão, advogada de Ray.
Equipes da Polícia Militar do Ceará (PMCE), do Corpo de
Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMCE) e da Perícia Forense do Estado do
Ceará (Pefoce) atenderam a ocorrência e participam da investigação.
Por Redação g1 CE


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