Lei que aumenta punição a crimes digitais contra crianças é sancionada.
Texto endurece pena em caso de uso de inteligência artificial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou, nesta
quinta-feira (6), a lei que amplia a atuação da polícia em meios digitais e
aumenta a punição para crimes de pornografia com uso de inteligência artificial
envolvendo crianças e adolescentes. O Congresso Nacional concluiu a aprovação
do texto em julho.
A lei endurece a pena do aliciamento quando houver uso de
inteligência artificial (IA), deepfake, perfis falsos, promessa de vantagem ou
aproveitamento de relação de confiança.
O objetivo é coibir criminosos, sobretudo os sexuais, de
usarem a tecnologia para enganar e atrair crianças para explorá-las e abusar
delas.
“A liberdade de expressão não pode ser confundida com
genocídio, violência, assassinato. Esse é o exercício da democracia plena. Por
mais liberdade que a gente tenha, a gente tem que ter limite. E o limite é não
ferir a liberdade do outro”, disse Lula.
O presidente ainda afirmou que é dever do Estado se
responsabilizar e criar condições de punição para qualquer pessoa que use os
vários recursos do mundo digital e da tecnologia para cometer crimes.
Aumento de penas
Para os crimes de produção, reprodução, direção, fotografia,
filmagem ou registro de conteúdo de violência sexual contra criança ou
adolescente, assim como a sua venda ou exposição, a pena passa de 4 a 8 anos de
reclusão para 4 a 10 anos de reclusão.
A pena é aumentada em um terço se a venda ou exposição
ocorrer por meio da internet e das redes sociais.
Além destas medidas, o PL aumenta a punição para quem
oferece, troca, disponibiliza, transmite, distribui, publica ou divulga
material de violência sexual contra criança ou adolescente. A pena nestes casos
passa de 3 a 6 anos de reclusão para 4 a 10 anos de reclusão.
A pena atual para quem adquire, possui ou armazena esse tipo
de material é de 1 a 4 anos de reclusão. O projeto aumenta essa punição para 3
a 6 anos de reclusão.
Em todos esses casos já era prevista multa além da reclusão,
e a lei sancionada manteve essa previsão.
Inteligência artificial
O uso de inteligência artificial na prática dos crimes
aumenta as penas de um terço a dois terços. Esse aumento de penas também é
aplicado no uso de deepfake (quando a tecnologia simula de forma realista o
rosto e a voz de uma pessoa), perfis falsos, jogos online e redes sociais para
aliciamento de crianças e adolescentes.
Quando uma pessoa se aproveita de uma relação de convivência
pessoal, autoridade, cuidado ou convivência familiar para praticar violência
contra a criança ou adolescente, a pena também aumenta de um terço a dois
terços.
Proteção
Além da repressão penal, o projeto contém medidas de proteção
às vítimas. O texto prevê que crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de
violência sexual terão direito a atendimento psicológico e psicossocial
individual, especializado, contínuo e integral.
Agência Brasil

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