Médica americana que matou seus três filhos pesquisou antes sobre alucinações, psicose e efeitos de remédios.
Clancy é acusada de matar os três filhos em 2023; defesa
afirma que ela sofria de transtorno bipolar e psicose pós-parto, enquanto a
promotoria sustenta que os crimes foram planejados.
Semanas antes de estrangular seus três filhos, em janeiro de
2023, Lindsay Clancy fez diversas buscas na internet sobre alucinações, psicose
e os efeitos colaterais de remédios que estava tomando. A informação veio de
uma análise do celular de Clancy, apresentada nesta quinta-feira (13) durante
seu julgamento por assassinato.
Segundo os dados apresentados, no fim de dezembro de 2022
Clancy pesquisou sobre métodos de suicídio, transtorno bipolar e insônia.
Já em janeiro, passou a buscar informações sobre depressão
pós-parto. Em outubro do mesmo ano, ela também havia escrito um bilhete
detalhado no qual expressava dúvidas sobre suas escolhas como mãe, questionava
a decisão de ter parado de amamentar o filho mais novo, então com 8 meses, e
reconsiderava os planos do casal de ter um quarto filho.
A defesa argumenta que a ex-enfermeira obstétrica de 36 anos
agia sob efeito de transtorno bipolar e psicose pós-parto — uma condição rara
que pode alterar a percepção de realidade de mulheres após o parto. Um
psiquiatra forense diagnosticou Clancy com essas duas condições depois dos
assassinatos.
No bilhete, ela demonstrava principalmente receio de não
conseguir dar ao filho caçula a mesma atenção dedicada aos dois mais velhos, de
3 e 5 anos, e descrevia sentir-se sobrecarregada pelo excesso de informação
sobre maternidade a que tinha se exposto nos últimos anos.
Clancy se declarou inocente das acusações de assassinato das
crianças Callan, Dawson e Cora. O pai das crianças as encontrou no porão da
casa da família, na cidade litorânea de Duxbury, ao sul de Boston. A mãe foi
encontrada no quintal, após pular pela janela do segundo andar — ela ficou
paraplégica em consequência da queda.
Mensagens trocadas entre Lindsay e seu então marido, Patrick
Clancy, mostram o casal lidando com a rotina da paternidade no dia do crime,
incluindo um momento em que ele a elogiou como mãe e ela respondeu com emojis.
O perito da Polícia Estadual de Massachusetts, Tim Chiappini, leu essas
mensagens durante o julgamento, que tem sido transmitido ao vivo e atraído
grande atenção pública, com jornalistas e espectadores lotando o tribunal.
Os advogados de Clancy não negam que ela matou as crianças,
mas defendem que o júri não deve responsabilizá-la criminalmente, alegando que
ela agia sob transtorno mental e acreditava ouvir vozes ordenando que tirasse a
vida dos filhos e a própria.
Já a promotoria sustenta que houve premeditação: segundo os
promotores, Clancy teria se articulado para tirar o marido de casa — mandando-o
comprar comida e ir à farmácia, no dia 24 de janeiro de 2023 — antes de
estrangular as crianças com faixas elásticas de exercício. A promotora Shanan
Buckingham pediu ao júri que não tratasse o caso como um debate público sobre
saúde mental feminina.
Se condenada por assassinato, Clancy pode pegar prisão
perpétua sem direito a liberdade condicional. Caso seja considerada não
responsável criminalmente por conta da doença mental, ela seria internada em
uma instituição psiquiátrica estadual.
A defesa afirma que Clancy buscou ajuda por diversos caminhos
antes da tragédia: consultou vários profissionais de saúde mental, testou
diferentes medicamentos prescritos, ligou para uma linha de apoio a pessoas em
crise, foi a um pronto-socorro, tentou (sem sucesso) vaga em um programa
hospitalar de tratamento intensivo para mulheres com problemas psiquiátricos
pós-parto, e chegou a se internar voluntariamente em uma clínica psiquiátrica
por alguns dias.
Segundo a família e os advogados, em vez de melhorar, seu
quadro piorou com a combinação de remédios psiquiátricos prescritos — alguns
deles considerados problemáticos para pacientes bipolares.
A promotoria, por sua vez, busca demonstrar que Clancy teve
acesso a uma ampla rede de serviços de saúde mental, mas ignorou orientações
médicas e interrompeu o uso de alguns medicamentos por conta própria.
Vários profissionais que a atenderam foram ouvidos como
testemunhas e afirmaram que ela nunca mencionou um plano concreto para se
machucar ou machucar os filhos, nem apresentou sinais de psicose ou mania —
embora tenha relatado pensamentos suicidas.
Por Redação g1

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