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PALAVRA DO SENHOR – Ninguém precisa ir embora

Mais uma vez a Palavra de Deus nos reúne para falar-nos ao coração e despertar-nos à esperança e a vida. Iniciamos mais um mês (Agosto), popularmente dedicado às vocações (neste primeiro domingo rezamos pela vocação sacerdotal) e já estamos com o barco de nossa vida um pouco mais adiante da metade do ano civil (2026). O tempo passa e, juntos como irmãos, nos unimos para enfrentar os desafios da vida na certeza de que “nada nos separará do amor de Cristo” (Rm 8, 35. 37-39) e que “ninguém precisa ir embora, no entardecer da vida, quando ela pesar” (cf. Mt 14, 16), pois a igreja é casa de todos,

As antigas Diretrizes da Ação Evangelizadora no Brasil falavam da comunidade eclesial (Igreja) como uma casa, um lugar comum. Mas, agora, as Novas Diretrizes da Ação Evangelizadora do Brasil, resgatam uma expressão do profeta Isaías e nos fala que as comunidades eclesiais são “uma tenda alargada” (cf. Is 54, 2) para acolher a todos. Acolher a todos, incluindo os mais frágeis e invisíveis. O Concílio Vaticano II (1962-1965) disse que essa é a nossa urgência pastoral. Assim como nada escapa ao Coração de Cristo (GS,1) tudo encontra abrigo Nele.

A Palavra de Deus nos ensina que não é possível o anúncio e o acolhimento do Reino de Deus sem afetos. A Ação Evangelizadora passa pela ação do acolher com afetos: “Ouvi e tereis vida” (Is 55, 3), “O Senhor é muito bom (...) e sua ternura abraça a todos” (Sl 144(145), “Quem nos separará do amor de Cristo” (Rm 8, 35) e “Encheu-se de compaixão” (Mt 14, 14). Vamos aos textos deste 18º Domingo do Tempo Comum (A).

Na 1ª Leitura (Isaías 55, 1-3) o profeta se torna portador de uma utopia que o Senhor semeou em seu coração. O Reino de Deus é apresentado como um grande banquete onde o Senhor convida todos a uma justiça equitativa, revigorante e de satisfação plena: “alimentai-vos bem” (v. 2c).

O texto situa-nos no período pós-exílio da Babilônia. O retornar para sua terra (entre familiares e os amigos que restaram) é motivado a um sentar-se a mesa para o banquete da vida. Em regimes de escravidão há a desumanização do trabalho, há desigualdades e as injustiças sociais, há exclusão, há exploração que não gera fraternidade e vida.

“Retornar para a terra” nos lembra da utopia da soberania e dos direitos individuais, da valorização da cultura e das pessoas. Tudo isso deve ser defendido e celebrado. Este banquete vale apena gastar o digno e suado salário que todo o trabalhador tem o direito.

No Evangelho (Mt 14, 13-21) encontramos o Filho de Deus afetado pela “fome e sede de justiça” do povo “no entardecer (...) e no deserto” (v. 15). Os discípulos querem despedir o povo, mas Jesus ensina que é preciso acolher as pessoas como parte constitutiva da espiritualidade da Nova Aliança. Mas, se os discípulos não mudarem a sua concepção de Deus, de fé, de anúncio do Reino e acolherem a proposta de Jesus, então, eles não compreenderão o Reino.

É preciso fugir de toda ideologia de escravidão e egoísmo para o dom da liberdade e fraternidade. Ainda hoje somos desafiados acolher os dons de Deus e aprender a reparti-lo. É fundamental aprendermos a “alargar a tenda do coração”.

Deus não fica indiferente a nada de seus filhos. Ele está sempre atento a tudo, mas também nos provoca: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (v. 16). Jesus ensina a seus discípulos (as comunidades) a ser tornarem pessoas afetadas (ter empatia) pelos sofrimentos dos outros.

Na 2ª Leitura (Rm 8 35. 35. 37-39) Paulo celebra a amizade e liberdade espiritual onde nada nos separará do amor de Deus. O amor de Deus nos alcança, nos envolve e nos compromete.

O amor de Deus é causa de comprometimento para enfrentar juntos os desafios da vida. Mas, o espirito do mundo (ganância e ambição) pode destruir a obra do Criador. O Espirito de Deus nos faz pensar a vida e a eclesiologia de outra maneira: vida plena para todos. Portanto, que a Palavra de Deus ensine que ninguém precisa ir embora, mas quem deseja ficar precisa aprender que somos todos irmãos.

Boa semana! Oremos por todos os sacerdotes.

 

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo

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