Polícia indicia vereador por importunação sexual contra estagiária na Câmara Municipal de Currais Novos.
Em sessão na Câmara, Lucieldo da Silva pediu desculpas em
público, disse que a atitude foi involuntária e que não tinha qualquer intenção
de desrespeitar estagiária.
A Polícia Civil indiciou o vereador Lucieldo da Silva (PSDB),
de Currais Novos, pelo crime de importunação sexual cometido contra uma
estagiária nas dependências da Câmara Municipal.
Segundo a polícia, a materialidade do crime foi comprovada
durante a investigação através de depoimentos da vítima e testemunhas e por
imagens de câmeras de segurança que "atestaram de forma nítida e
incontestável o contato físico invasivo e desprovido de anuência na região
glútea da ofendida".
Na sessão desta terça-feira (11) na Câmara, o vereador
Lucieldo da Silva pediu desculpas em público, disse que a atitude foi
involuntária e que não tinha qualquer intenção de desrespeitar ou causar
constrangimento à estagiária.
"Nós temos uma relação de amizade, conversamos,
brincamos. Jamais imaginei que um gesto involuntário pudesse ser interpretado
dessa maneira. Quero deixar muito claro, nunca tive a intenção de assediar ou
desrespeitar aquela servidora ou qualquer mulher que tenha nessa Casa",
falou.
O vereador disse que o vídeo não mostra, na opinião dele,
"nada que justifique toda à proporção que isso tomou".
Ele falou ainda no plenário da Casa que "é apenas um
corte de uma situação retirado de um contexto maior" e que "agora
está sendo utilizado para criar uma narrativa e alimentar uma disputa
política".
"Não quero atacar ninguém, quero apenas pedir à
população que reflita e não permita que a politicagem transforme qualquer
situação em instrumento de perseguição. Se alguém se sentiu desconfortável, eu
respeito e peço mais uma vez desculpas, mas também peço respeito à minha
história, à minha família e à minha honra", completou.
Na galeria da Câmara, houve manifestação de mulheres, que
levaram cartazes pedindo o fim violência contra as mulheres.
Indiciado por importunação sexual
O inquérito policial foi concluído e entregue ao Ministério
Público do Estado, que vai decidir pela denúncia ou não do investigado à
Justiça.
O vereador foi indiciado pela Polícia Civil no Artigo 215-A
do Código Penal Brasileiro, de importunação sexual, que pune a prática de ato
libidinoso contra alguém e sem o seu consentimento, com o objetivo de
satisfazer desejo sexual próprio ou de terceiro. A pena é de 1 a 5 anos de
prisão.
Presidente da Câmara se manifesta
O presidente da Câmara de Currais Novos, João Gustavo, disse
na sessão que a Casa Legislativa se manteve em silêncio durante a apuração do
fato por um procedimento jurídico.
"A denúncia, desde o seu protocolo, esteve resguardada
pelo sigilo da lei e pelo regimento, que impõe a procedimentos dessa natureza.
Sigilo que existe, em primeiro lugar, para proteger a dignidade, a intimidade e
a segurança da denunciante e, em segundo lugar, para preservar a rigidez do
próprio procedimento e a presunção de inocência do denunciado", informou.
"Qualquer manifestação prematura que essa mesa ou essa
presidência pudesse fazer poderia comprometer inclusive a apuração, expor
indevidamente a denunciante e macular o devido processo. Então a gente fala
hoje, porque o rito assim permite. Calei antes porque o direito assim também
exigia", completou.
Lucieldo da Silva está em seu segundo mandato. Ele foi eleito
vereador em 2024 com 712 votos. Antes, em 2020, havia sido eleito com 551
votos.
Por g1 RN e Inter TV Costa Branca


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