Senado aprova alívio de imposto sobre combustíveis; texto vai à sanção.
Texto permite que
arrecadação extra compense benefícios tributários
O Projeto de Lei
Complementar (PLP) 114/2026, que reduz tributos federais sobre óleo diesel,
biodiesel, gasolina, etanol e querosene de aviação, foi aprovado na noite desta
quarta-feira (12), por 61 votos a 2, no Senado Federal, e agora seguirá para
sanção presidencial.
Horas antes, o mesmo texto
já havia passado pela Câmara dos Deputados, depois que um acordo entre governo
e lideranças do Congresso viabilizou o avanço da medida.
O principal objetivo do
projeto é mitigar os efeitos do aumento dos preços dos combustíveis decorrente
da guerra dos Estados Unidos (EUA) contra o Irã no Oriente Médio, que fechou a
principal rota de exportação do petróleo na região, provocando fortes
oscilações na cotação do barril.
Mesmo assim, o alcance da
norma foi ampliado pelos parlamentares para conceder benefícios fiscais a
diferentes setores, incluindo a produção de etanol, de fertilizantes agrícolas,
de pesquisa de minerais críticos e terras raras, bem como a desoneração de
impostos para a Fifa, organizadora da Copa do Mundo de Futebol Feminino, que será
realizada no Brasil, em 2027.
A perda de arrecadação, de
acordo com o texto, será compensada pelo aumento extraordinário de receitas da
União obtidas justamente por conta do aumento no valor do petróleo, que ampliou
os royalties e outras participações desde o início do ano.
Entre janeiro e março de
2026, a arrecadação federal chegou a R$ 28 bilhões, contra R$ 9 bilhões no
mesmo período em 2025, um crescimento real superior a 200%.
Benefícios tributários
A inclusão do etanol e
biocombustível foi um apelo do setor e busca impedir que subsídios à gasolina e
ao diesel, por conta dos efeitos do preço do petróleo, eliminem a vantagem
tributária dos combustíveis não fósseis.
A diferença deverá ser
equivalente à praticada antes do conflito, tanto em termos percentuais quanto
absolutos por unidade de medida. Se a tributação federal da gasolina cair 30%
ou mais, as alíquotas do etanol serão reduzidas a zero.
O projeto de lei prevê que o
governo concederá subvenção de R$ 1,2 bilhão aos produtores de etanol hidratado
para garantir a diferenciação nos preços da gasolina e do etanol.
Produtores de etanol,
inclusive cooperativas, também poderão compensar até R$ 750 milhões em débitos
com a Receita Federal. A compensação será feita por meio de saldos credores da
contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. O valor será proporcional ao
percentual de produção de etanol hidratado em 2025 dos contribuintes
habilitados.
Entre as medidas para os
produtores rurais, o texto reduz de 50% para 30% o limite da receita com
exportação para que a empresa possa se enquadrar na suspensão do pagamento do
IBS e da CBS.
Outro benefício tributário
contido no projeto permite à União conceder até R$ 5 bilhões em créditos
fiscais para a produção de fertilizantes, matérias-primas, remineralizadores e
bioinsumos entre 2027 e 2031. Os créditos serão de até R$ 1 bilhão por ano. O
valor corresponderá a até 20% dos gastos com produção de fertilizantes e
matérias-primas em território nacional.
As mercadorias destinadas a
projetos de desenvolvimento da indústria de fertilizantes e matérias-primas
ficarão isentas do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante
(AFRMM). A renúncia de receita deverá ser de até R$ 200 milhões por ano, de
acordo com o texto.
Outros pontos do texto
incluem a autorização ao governo para ampliar em até R$ 2,5 bilhões as despesas
do Ministério da Defesa fora dos limites de gastos, que serão descontados de
orçamentos futuros da pasta. Também passou no projeto uma autorização para
antecipar até R$ 3 bilhões em despesas temporárias com saúde e educação que
seriam programadas apenas para 2027.
Trava sobre despesas
O texto negociado com o
governo incluiu dispositivos para atrelar o crescimento de determinadas
despesas aos limites do arcabouço fiscal, em caso de previsão de déficit fiscal
projetado pelo relatório bimestral de receitas e despesas do governo.
Caso se aponte déficit,
recursos de fundos, como o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e o
Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), só poderão
ser corrigidos, no exercício seguinte, pela variação da inflação e mais um
percentual máximo de até 2,5%.
Esse mesmo gatilho pode
frear o crescimento dos pisos constitucionais de saúde e educação, atualmente
definidos em 15% e 18%, respectivamente, da Receita Corrente Líquida (RCL) da
União.
O projeto não altera a
fórmula de cálculo da RCL e suas vinculações de despesas, mas impede que determinadas
receitas extraordinárias, especialmente as provenientes do petróleo, sejam
utilizadas para ampliar automaticamente despesas cuja evolução está vinculada à
RCL. Nestes casos, se houve previsão de déficit fiscal, o crescimento dessas
despesas também fica limitado à correção da inflação até o máximo de 2,5%.
Acordo com o governo
A votação deste Projeto de
Lei Complementar foi viabilizada após acordo do governo com lideranças do
Congresso Nacional, com participação dos ministérios do Planejamento e da
Fazenda. Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do
Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), se reuniram no Palácio da Alvorada para
definir as prioridades legislativas deste período de esforço concentrado no
Parlamento.
Também participaram do
encontro o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, e
a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE).
O Congresso Nacional retomou
a agenda legislativa esta semana, após o recesso parlamentar, em um esforço
concentrado para votações em plenário e nas comissões.
De acordo com os presidentes
da Câmara e do Senado, serão duas semanas de esforço concentrado antes das
eleições: entre 10 e 14 de agosto, e entre 31 de agosto e 3 de setembro.
Agência Brasil


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