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Um é de Nova Floresta: Jovens da PB são selecionados como embaixadores em projeto que estimula o interesse pela ciência.

João Cícero, de Cajazeiras, e Kaio Rafael, de Nova Floresta, estão entre os escolhidos como embaixadores mirins do Prêmio Pop Ciência 2026, do Governo Federal

Três jovens da Paraíba foram selecionados como embaixadores mirins do Prêmio Pop Ciência 2026, iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) que busca aproximar a ciência do cotidiano de crianças e adolescentes. Entre os escolhidos estão João Cícero Oliveira Neves, de 12 anos, de Cajazeiras, e Kaio Rafael da Silva Araújo, de 16 anos, de Nova Floresta.

Uma terceira selecionada teve apenas o primeiro nome, Ana, divulgado, o g1 não conseguiu contato com ela.

Criado em 2024, o programa Embaixadores Mirins reconhece crianças e adolescentes que desenvolvem ou compartilham experimentos, conteúdos e outras ações de divulgação científica. A proposta é estimular o interesse pela ciência e formar jovens capazes de levar esse conhecimento para outros estudantes, mostrando que a ciência também pode ser aprendida de forma prática, criativa e acessível.

“Eu sempre gostei de ciência, desde bem pequeno”

Aos 12 anos, João Cícero já acumula mais de 30 medalhas conquistadas em olimpíadas de robótica, matemática e outras áreas, além de participar de atividades de divulgação científica. Aluno do 7º ano, ele conta que o interesse pela ciência surgiu ainda na infância, com experimentos realizados em casa ao lado dos pais.

Entre as experiências, ele cita o tradicional vulcão feito com bicarbonato de sódio e vinagre e até a construção de um foguete em que era possível entrar. Aos 9 anos, começou a participar de olimpíadas científicas.

A rotina do estudante inclui aulas pela manhã e, à tarde, atividades extracurriculares, como natação, tênis de mesa e preparação para competições. João também organiza, com um colega, revisões para outros estudantes da escola.

Segundo ele, colegas e familiares também recorrem à ajuda dele quando precisam desenvolver projetos. Um dos exemplos foi o auxílio a um primo que mora em São Paulo na construção de um carrinho com materiais recicláveis.

A seleção para o Prêmio Pop Ciência, segundo João, não ocorreu por causa de um único projeto. Ele apresentou um portfólio com palestras realizadas em escolas, oficinas de foguetes, conteúdos sobre astronomia e astronáutica, além de certificados obtidos em olimpíadas científicas.

“Ser embaixador Mirim Pop Ciência é uma honra e uma oportunidade de levar ciências até mais crianças, dividir meus conhecimentos e divulgar ciência aqui na Paraíba.”

Para o estudante, a ciência pode estar presente em atividades que fazem parte do cotidiano, e deixa uma reflexão para outras crianças que não gostam muito da área.

“Você gosta de saber como é o universo? Como as coisas funcionam? Gosta de tecnologia? Então você gosta de ciências e nem sabe.”

João afirma que tem interesse principalmente por astronomia, astronáutica e matemática e pretende seguir carreira como engenheiro aeroespacial.

A mãe dele, Chislene, acompanha a trajetória do filho e participa da organização das palestras e atividades. Para ela, as conquistas acadêmicas são motivo de orgulho, mas o desenvolvimento pessoal do estudante tem um significado ainda maior.

“Nada supera ver ele crescendo sendo uma pessoa generosa, gentil. Ele gosta de estudar e gosta de ensinar, mas é um menino que ainda brinca no pula-pula.”

Chislene também destaca uma experiência do filho em um clube de ciências, onde aprendeu a participar de uma iniciativa de caça a asteroides. Depois, João formou uma equipe com colegas da escola e ensinou os estudantes a utilizar o programa.

Kaio quer levar ciência para outras escolas

Outro paraibano selecionado é Kaio Rafael da Silva Araújo, de 16 anos. Ele é aluno do 2º ano do curso técnico de Informática da ECIT Jornalista José Itamar da Rocha Cândido, em Nova Floresta.

Vindo de uma família de educadores, o estudante desenvolve projetos científicos e participa de competições e programas de formação na área de tecnologia. Entre os trabalhos apresentados no portfólio está o Arbotech, projeto voltado ao combate às arboviroses no município de Cuité.

A proposta utiliza uma armadilha tecnológica e uma plataforma para visualização, em tempo real, dos dados coletados, com o objetivo de contribuir para ações de prevenção e combate às doenças.

Kaio também participou de competições internacionais. Segundo ele, ficou entre os 20% melhores alunos do mundo em uma competição internacional de química e participou da Olimpíada Internacional de Matemática e do Conhecimento.

Outra experiência foi a participação no AFS Global STEM Innovators, para o qual recebeu uma bolsa integral entre 50 estudantes selecionados em todo o Brasil.

A escolha como embaixador mirim representa, para Kaio, uma oportunidade de ampliar as ações de divulgação científica que já desenvolve na escola.

O estudante pretende atuar em projetos como a FICA (Feira de Inovação e Ciências da Caatinga) e o STEAM itinerante, iniciativa que leva atividades relacionadas a ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática para outras escolas.

“A ciência é para todos. E eu estou disposto a levar essa bandeira comigo até o último dia em que eu optar.”

Estímulo a outros estudantes

Kaio também participa do Laboratório de Inovação e Protagonismo Estudantil (LIPE), espaço criado na escola para estimular o protagonismo dos estudantes e o desenvolvimento de projetos.

Para ele, o interesse pela ciência está ligado à curiosidade e à vontade de compreender fenômenos que estão além do conteúdo tradicional da sala de aula.

“Buscar ciência não é apenas querer ser cientista, mas fazer a diferença e deixar a nossa marca.”

A rotina, no entanto, exige conciliação entre estudos, projetos, exercícios e outras atividades. O estudante afirma que o processo nem sempre é fácil, mas atribui parte dos resultados à disciplina e à constância.

“A realização acadêmica, eu acredito que muito disso se dá não por nossa vontade, mas pela constância.”

Kaio pretende cursar Ciência da Computação e considera posteriormente uma formação em Engenharia de Software ou Engenharia da Computação. Apesar de já ter planos para o futuro, afirma que ainda pretende conhecer outras possibilidades ao longo da trajetória acadêmica.

 

Por Gabi Lins, g1 PB

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