A 11 dias da eleição, Lula aposta em medidas contra bets e 'Dark Horse'; Flávio mira em voto útil e crise no STF
Na reta final para o
primeiro turno, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio
Bolsonaro (PL) concentram esforços em estratégias que consideram decisivas para
ampliar votos na disputa pela Presidência.
A apenas 11 dias das
eleições, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acredita que
a apresentação de medidas contra as bets pode melhorar a avaliação do governo
e, por consequência, a intenção de votos. Enquanto isso, Flávio Bolsonaro (PL)
aposta no voto útil de eleitores que originalmente pretendiam votar em outros
candidatos de direita para conseguir mais votos.
A equipe econômica do
presidente Lula dá como certa que ele anunciará até o primeiro turno, marcado
para o dia 4 de outubro, alguma medida de endurecimento ou proibição das bets
no Brasil. No entanto, ainda não se sabe quais serão os termos.
Integrantes do governo
aguardam o retorno de Lula ao Brasil, após a participação na Assembleia Geral
da ONU nesta terça-feira (22), para definir o formato da medida.
Alas da campanha defendem
uma medida provisória que acabe com as bets no Brasil. Outras defendem o envio
de um projeto de lei duro ao Congresso Nacional, mesmo sabendo que ele possa
ser desidratado pelos parlamentares.
No discurso de abertura da
Assembleia Geral da ONU, Lula disse que "o Brasil não vai mais tolerar
esse modelo de negócio".
A ideia é manter a pauta
acesa, pois a avaliação é de que o combate às bets é um tema que dialoga com
mulheres, evangélicos e com a bandeira de defesa da família, pouco associada à
campanha de Lula.
"A gente só está
podendo discutir proibir ou não agora porque a gente regulamentou e viu o
tamanho do problema. Tem uma preocupação com a melhor forma de fazer e
possíveis consequências jurídicas e arrecadatórias. Mas há um consenso de que
algo deve ser feito", disse sob reserva um integrante da equipe econômica
à GloboNews.
Enquanto isso, a principal
bandeira da campanha de Flávio Bolsonaro será a defesa do voto útil.
Pesquisa Quaest divulgada na
última segunda-feira (21) mostra que a soma de todos os outros candidatos,
exceto Lula e Flávio, diminuiu dois pontos percentuais em duas semanas. Era de
17% no dia 07 de setembro, 16% na semana seguinte e 15% na última pesquisa.
Em seus discursos, o
candidato tem pedido um voto de confiança em quem é contra Lula, mas pensa em
votar em outro candidato no primeiro turno.
Em postagens nas redes
sociais, a campanha começou a sinalizar que "podemos ganhar no primeiro
turno", em uma tentativa de estimular a militância a buscar votos entre
eleitores de outros candidatos.
"As pesquisas mostram
que a terceira via não vingou. A dinâmica das eleições está colocando esse
cenário. Flávio já está falando nos discursos e nas redes sociais (sobre voto
útil)", disse um integrante da campanha bolsonarista também sob reserva à
GloboNews.
Dark Horse e crise no STF
Estratégias antigas das duas
campanhas também serão intensificadas nesta reta final.
Do lado de Lula, a
associação de Flávio Bolsonaro ao escândalo do Banco Master a partir do
financiamento ao filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro,
deve continuar. A coordenação da campanha avalia que o tema teria finalmente
ganhado tração após o resultado da última Quaest na segunda (21).
Na pergunta sobre quem mais
foi afetado pelo escândalo do Master, "Bolsonaro" passou de 15% para
21% em uma semana, um crescimento acima da margem de erro de dois pontos
percentuais.
O candidato ultrapassou o
Supremo Tribunal Federal (STF), considerado o mais afetado por 16% dos
entrevistados.
"Em meio a tantos
personagens citados, o eleitorado vai se dando conta que apenas um, dentre
todos os candidatos a Presidente, Flávio Bolsonaro, realmente recebeu dinheiro
do banqueiro Vorcaro e está sendo investigado por corrupção e lavagem de
dinheiro", afirmou no X, o secretário de Comunicação do PT, Éden
Valadares.
Por outro lado, a campanha
de Flávio deve intensificar a relação de Lula com o STF e o envolvimento com o
caso Master. A avaliação é de que essa é uma arena favorável ao bolsonarismo
que, historicamente, aponta o dedo para supostas irregularidades por parte do
Judiciário.
Após a divulgação pelo
jornal O Globo de uma foto do procurador-geral da República Paulo Gonet fumando
charuto em uma mesa com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro fez uma publicação nas
redes sociais apontando o contraste entre a fala de Gonet em sessão do Supremo
na terça (15) sobre não ter proximidade com o banqueiro e a foto do PGR à mesa
com Vorcaro.
"Enquanto Lula tira a
esperança e a comida da mesa de milhões de brasileiros, seus aliados estão em
Londres tomando uísque Macallan, fumando charutos caros e rindo da cara de um
povo que sofre para colocar a comida na mesa", diz a legenda.
Segundo a Quaest divulgada
na última segunda (21), Lula e Flávio estão tecnicamente empatados no primeiro
e no segundo turnos. No primeiro, Lula tem 37% e Flávio 33%. No segundo, Flávio
tem 42% e Lula 41%. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
GloboNews — Brasília


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