Cidades pequenas têm maior participação partidário-eleitoral no Brasil
Índice do Observatório Participa reúne dados de
comparecimento às urnas, filiação partidária e alistamento eleitoral de jovens
de 16 e 17 anos
Cidades menores, do interior e menos urbanizadas concentram
os maiores níveis de participação partidário-eleitoral no Brasil. É o que
mostra o Índice da Participação Partidário-Eleitoral nos Municípios Brasileiros
(IPar-Eleitoral), divulgado pelo Observatório Participa, projeto de extensão e
difusão científica do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT)
Participa.
Elaborado com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
referentes a 2024, o IPar-Eleitoral reúne três formas distintas de participação
cívica: o comparecimento às urnas, o alistamento eleitoral voluntário de jovens
de 16 e 17 anos e a filiação partidária.
Segundo a pesquisa, na maioria dos municípios brasileiros,
entre 80% e 90% do eleitorado comparecem às urnas. A filiação partidária
representa, em geral, de 10% a 20% do eleitorado, enquanto o alistamento
voluntário de jovens de 16 e 17 anos varia entre 5% e 15% da população nessa
faixa etária.
O estudo também mostra que municípios mais populosos e
urbanizados tendem a registrar, proporcionalmente, menores níveis de
participação partidário-eleitoral. Em Oliveira de Fátima (TO), município com
1.164 habitantes, segundo o IBGE, o IPar-Eleitoral atingiu a pontuação máxima
de 100 pontos. Grupiara (MG), com 1.392 habitantes, registrou 97,7
pontos.
Na outra ponta do ranking estão as duas cidades mais
populosas do país. São Paulo alcançou 10,6 pontos no índice, enquanto o Rio de
Janeiro registrou 6,0.
A análise regional mostra ainda que o Norte apresenta a maior
média de participação partidário-eleitoral do país. Já os estados da Região
Sudeste registram índices consideravelmente inferiores à média nacional.
“Esse resultado mostra que o peso das regiões na dinâmica
eleitoral não se define apenas pelo tamanho dos seus eleitorados. Afinal, a
intensidade e a disposição da população em participar também importam para os
próprios resultados eleitorais”, destaca Carla Almeida, professora da
Universidade Estadual de Maringá (UEM) e uma das coordenadoras do Observatório
Participa, responsável pelo IPar-Eleitoral.
Explicação para os resultados
Segundo Carla Almeida, apesar de o índice apontar uma maior
participação partidário-eleitoral em municípios de menor porte, ainda são
necessárias novas pesquisas para explicar as razões desse comportamento.
“Nós encontramos na literatura especializada argumentos que
defendem que, em municípios menores, a participação tende a ser mais intensa,
porque a política é mais próxima dos cidadãos e cidadãs. Essa proximidade
favoreceria o engajamento. Por outro lado, ela também tornaria esse engajamento
mais esperado, já que, nesses contextos, as escolhas e os comportamentos
políticos individuais adquirem maior visibilidade e, inclusive, maior
cobrança”, afirma.
Índice permite comparar municípios
Carla Almeida ressalta que o IPar-Eleitoral não pretende
medir todas as formas de participação política nem avaliar a qualidade da
democracia brasileira. O objetivo é oferecer uma medida comparável sobre a
relação da população com as instituições eleitorais e partidárias em cada
município do país.
“A qualidade do índice é justamente essa: apresentar esse
diagnóstico, possibilitar conhecer melhor a realidade brasileira e, com isso,
permitir com que a gente elabore perguntas mais qualificadas com essa
fundamentação empírica, além de poder subsidiar ações para aprimorar a
participação política.”
Os resultados do IPar-Eleitoral estão disponíveis para
consulta pública, município por município, no site do INCT Participa.
Fonte: Brasil 61 –


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