El Niño pode ser "muito forte" e muda cenário dos recursos hídricos no Brasil até 2027

Imagem ilustrativa - Reprodução internet
Plano da ANA prevê
monitoramento de rios e reservatórios, salas de crise e medidas específicas
para seca no Nordeste e cheias no Sul.
A Agência Nacional de Águas
e Saneamento Básico (ANA) divulgou o Plano de Preparação para o Enfrentamento
dos Impactos do El Niño 2026/2027 sobre os Recursos Hídricos do Brasil. O
documento reúne medidas de monitoramento, operação de reservatórios e regulação
que devem orientar a atuação da agência até março de 2027, quando termina o
verão no hemisfério sul.
Segundo projeções do Centro
de Previsão Climática da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos
Estados Unidos (NOAA), divulgadas em agosto, a chance de o El Niño persistir
entre setembro e novembro deste ano é praticamente certa, com probabilidade de
mais de 80% de o fenômeno se manter até o início de 2027. As mesmas projeções
apontam mais de 90% de chance de o El Niño atingir intensidade classificada
como "muito forte" ainda neste segundo semestre.
Impactos diferentes em cada
região
Os efeitos do fenômeno não
devem se distribuir de maneira uniforme pelo país. No Sul, o aumento do volume
de chuvas e das vazões dos rios deve elevar o risco de cheias, exigindo atenção
redobrada ao monitoramento de barragens e ao nível dos rios para proteger áreas
urbanas e infraestruturas. Já no Sudeste e no Centro-Oeste, a preocupação é com
ondas de calor mais longas, enquanto no Norte o acompanhamento se concentra nos
níveis dos rios da bacia amazônica.
No Nordeste, o principal
risco é a seca. Um grupo técnico coordenado pela ANA já trabalha com cenários
de distribuição de água para os açudes do Semiárido, diante da possibilidade de
a próxima estação chuvosa (2026/2027) render menos do que o esperado. A recarga
dos açudes de pequeno e grande porte deve cair de forma significativa, o que
pode afetar a irrigação e o abastecimento das cidades da região e exigir
reforço no bombeamento de água pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco.
Impacto sobre a geração de
energia
O comportamento distinto das
chuvas em cada região também preocupa o setor elétrico. A ANA e demais órgãos
vão acompanhar de perto as vazões que chegam às usinas hidrelétricas, já que
será preciso equilibrar a geração de energia com o controle de cheias e os
demais usos da água nos mesmos reservatórios; um desafio que se torna maior
quando algumas bacias enfrentam queda nos volumes armazenados e, outras, risco
de enchente.
Instrumentos regulatórios e
salas de crise
Para colocar o plano em
prática, a ANA poderá usar três instrumentos regulatórios extraordinários:
declarar situação de escassez hídrica em rios e reservatórios sob domínio da
União, o que permite limitar captações ou flexibilizar regras de operação já em
vigor; negociar condições especiais de operação de reservatórios em casos de
queda expressiva nos volumes armazenados ou de risco de cheias; e estabelecer
condições especiais de uso da água nos 57 sistemas hídricos locais do Semiárido
nordestino, com a possibilidade de convocar reuniões extraordinárias para
negociar a distribuição da água entre os usuários.
A estratégia também prevê a
instalação de salas de crise regionalizadas, voltadas ao acompanhamento de
eventos críticos relacionados à segurança hídrica, ao abastecimento e a
infraestruturas estratégicas, incluindo o setor elétrico. Uma dessas salas já
está em funcionamento no Sul do país.
Monitoramento contínuo
O plano prevê ainda a
divulgação de boletins mensais sobre a evolução do El Niño, produzidos em
parceria com instituições como Inpe, Inmet, Serviço Geológico do Brasil,
Cemaden, Censipam e Cenad, além da transmissão pública das reuniões das salas
de crise. O Monitor de Secas, ferramenta que reúne mensalmente o diagnóstico da
seca nos 26 estados e no Distrito Federal, deve continuar orientando a
antecipação de medidas de resposta.
Fonte: Brasil 61 -

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