HPV: dose é indicada a vítimas de violência sexual a partir de 2 anos.
Ampliação se deve ao aumento de casos em menores de 9 anos
O Ministério da Saúde passou a recomendar a vacina contra o
HPV para crianças a partir de 2 anos vítimas de violência sexual. A informação
consta em nota técnica publicada esta semana pela pasta.
Até então, a vacinação contra o HPV era indicada para vítimas
de violência sexual com idades de 9 a 45 anos.
De acordo com a nota técnica, a ampliação da faixa etária se
deve, entre outros fatores, à elevada vulnerabilidade de crianças vítimas de
violência sexual e ao aumento de notificações de violência sexual em menores de
9 anos.
Números
Um dos achados mais críticos, segundo o documento, refere-se
ao aumento expressivo da violência sexual na chamada primeira infância, entre
crianças de 0 a 4 anos. Em dez anos, os registros mais do que quadruplicaram:
em 2014 foram 1.671 casos; em 2014, foram 7.845 casos.
Na faixa de 5 a 14 anos, o aumento foi de 6.594 para 29.135
notificações no mesmo período – aproximadamente 4,4 vezes maior. Já entre
adolescentes de 15 a 19 anos, os casos cresceram de 1.632 para 6.869, também
mais de quatro vezes.
Riscos
Na nota, o ministério reforça que a infecção por HPV
constitui um importante problema de saúde pública em todo o mundo em razão da
elevada prevalência e da associação com diversos tipos de cânceres, incluindo
colo do útero, pênis, vulva, vagina, canal anal e orofaringe.
A infecção por HPV, segundo a pasta, também está relacionada
ao desenvolvimento de verrugas anogenitais e lesões de vias aéreas superiores,
causando repercussões clínicas, psicossociais e econômicas significativas.
“A violência sexual na infância está associada a maior
vulnerabilidade para aquisição de infecções sexualmente transmissíveis (IST),
incluindo o HPV. Além do risco imediato decorrente da exposição inicial, há
evidências de recorrência da violência em parcela dessas vítimas, ampliando o
potencial de exposição futura ao vírus.”
“Adicionalmente, estudos demonstram que vítimas de violência
sexual apresentam maior risco de desenvolver problemas emocionais, transtornos
mentais, dificuldades de aprendizagem, comportamento sexual de risco e outras
condições que podem aumentar sua suscetibilidade às IST ao longo da vida”,
concluiu a nota.
Agência Brasil


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