Justiça absolve professor demitido da UFCG após denúncias de assédio.

Professor Antonio Lisboa Leitão de Sousa - Foto: Reprodução/Diocese de Campina Grande
Sentença aponta falta de provas suficientes para condenação e
absolve Antônio Lisboa Leitão de Souza de acusação de importunação sexual.
A Justiça absolveu o professor Antônio Lisboa Leitão de
Souza, demitido pelo Ministério da Educação (MEC) após um processo
administrativo disciplinar que apurou assédio sexual e moral contra estudantes
da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG). A decisão foi assinada pela
juíza Flávia de Souza Baptista, da 2ª Vara Criminal da Comarca de Campina
Grande.
Na sentença, a juíza afirmou que o conjunto de provas
apresentava fragilidades e que não havia elementos suficientes para sustentar
uma condenação. A decisão afirma que "não havia testemunhas que
confirmassem os alegados toques corporais ou o beijo lascivo".
A absolvição ocorreu em um processo criminal que apurava uma
acusação de importunação sexual, relacionada a fatos que teriam acontecido em
2022, dentro da UFCG e durante uma manifestação estudantil.
Durante a audiência, foram ouvidas a pessoa que fez a
denúncia, oito testemunhas e uma declarante. Depois, o professor foi
interrogado.
Na ocasião, Antônio Lisboa negou a acusação. Segundo a
sentença, ele afirmou que a sala de aula permanecia trancada e que precisava
retirar as chaves na área administrativa antes de abrir o espaço para os
estudantes. O professor também negou ter tocado no corpo de alunas com
finalidade sexual e afirmou que o contato ocorrido durante a manifestação foi
um cumprimento social, sem conotação sexual.
Professor é diácono e já respondeu a outro processo por
assédio sexual
Além da atuação como professor da UFCG, Antônio Lisboa Leitão
de Souza é diácono da Diocese de Campina Grande. Ele foi ordenado em 2015 e, em
maio de 2026, foi transferido da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário para a
Paróquia de Nossa Senhora das Dores e São Lucas.
Antônio Lisboa também já respondeu a um processo por assédio
sexual em 2017, envolvendo duas mulheres. Na ocasião, ele foi beneficiado com a
suspensão condicional do processo, medida que suspende o andamento da ação
durante um período, desde que sejam cumpridas as condições determinadas pela
Justiça.
Segundo a sentença do processo, ele cumpriu prestação de
serviços à comunidade e compareceu regularmente à Justiça para comprovar o
cumprimento das determinações. Após o fim do período estabelecido, sem registro
de descumprimento das condições, a Justiça declarou extinta a punibilidade e
determinou o arquivamento do caso.
Entenda o caso
O Ministério da Educação (MEC) determinou a demissão de
Antônio Lisboa Leitão de Souza após a conclusão de um processo administrativo
disciplinar que apurou a prática de condutas de conotação sexual e assédio
moral contra estudantes da UFCG.
A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) da
terça-feira (14) e assinada pelo ministro da Educação, Leonardo Osvaldo
Barchini Rosa.
Segundo a portaria, o professor utilizou o cargo que ocupava
na universidade para praticar atos de conotação sexual e assédio moral contra
alunas da instituição. O documento afirma que houve "valimento do
cargo", termo usado para caracterizar o uso da função pública para obter
vantagem pessoal ou cometer irregularidades.
Antes da demissão, Antônio Lisboa era professor associado da
UFCG e membro permanente do Programa de Pós-Graduação em Educação
(PPGEd-UAED-CH). Também integrou o Conselho Municipal de Educação de Campina
Grande, onde foi membro e vice-presidente entre 2014 e 2016.
A publicação do DOU não detalha os episódios que motivaram a
abertura do processo administrativo nem informa quando as denúncias foram
registradas. O documento também não traz informações sobre eventual
investigação na esfera criminal.
Ao g1, a defesa de Antônio Lisboa informou que recebeu a
decisão do MEC "com perplexidade" e afirmou que os pedidos
apresentados durante o processo administrativo não foram analisados. Também
declarou que o professor foi absolvido pela Justiça Criminal de Campina Grande
em um processo relacionado aos mesmos fatos e que recorrerá à Justiça para
tentar reverter a demissão.
O g1 também entrou em contato com a Comissão Permanente de
Processo Administrativo Disciplinar (CPPAD) da UFCG. Segundo o presidente da
comissão, o processo tramita sob sigilo e ainda não houve trânsito em julgado
na esfera administrativa. De acordo com ele, o procedimento está no Ministério
da Educação e, após a conclusão definitiva da análise, a decisão será
encaminhada à universidade para cumprimento. A comissão informou ainda que o
acesso ao processo poderá ser disponibilizado quando o sigilo for retirado.
Por g1 PB

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