Pais denunciam professora por furar cabeça de criança autista com seringa em creche de Monteiro, na PB
Menino de 4 anos teria sido
ferido durante aula de Educação Física; família diz que só foi informada sobre
o caso quase um mês depois. Professora negou ter perfurado a criança. Caso é
investigado pela Polícia Civil e por processo administrativo.
Os pais de uma criança de 4
anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) denunciaram uma professora de uma
creche municipal de Monteiro, no Cariri da Paraíba, por supostamente ter furado
a cabeça do menino com uma seringa durante uma aula. Segundo a denúncia, o caso
aconteceu em juho, mas a família só foi comunicada pela instituição quase um
mês depois. A situação foi registrada em um boletim de ocorrência na Polícia
Civil. A professora foi afastada e é alvo de um processo administrativo.
O caso teria acontecido em 7
de julho, mas, segundo a mãe, a família só foi comunicada pela escola no dia 3
de agosto, quase um mês depois.
Segundo os relatos
registrados em documentos da creche e repassados pela mãe da criança,
cuidadoras presenciaram a professora pegar o menino de forma brusca e perfurar
sua cabeça com uma seringa com agulha, retirada de um estojo de lápis. O menino
teria chorado intensamente e apresentado sangramento.
Ainda conforme os registros,
após o episódio, a professora guardou a seringa, limpou o sangue da cabeça da
criança com papel higiênico e perguntou às cuidadoras se elas haviam visto onde
o menino teria batido a cabeça.
A professora negou à
cuidadora e a professora de educação física da creche ter furado a criança.
Conforme o relatório de ocorrência, ela afirmou que teria apenas dito que iria
pegar uma seringa para repreender o menino e que, posteriormente, percebeu o
sangramento e limpou a cabeça dele.
O g1 entrou em contato com a
Secretaria Municipal de Educação de Monteiro para saber se houve alguma
atualização sobre o processo administrativo, quais medidas foram adotadas após
a denúncia e se a professora permanece afastada. Até a última atualização desta
reportagem, não houve retorno.
Família diz que só soube dos
detalhes após ter acesso ao relatório
O menino foi diagnosticado
com autismo aos 1 ano e 10 meses. Segundo a mãe, Jéssica Lima, a família
acreditava inicialmente que a reunião marcada pela creche, em agosto, estaria
relacionada a mudanças de comportamento apresentadas pela criança.
“Então a creche só nos
comunicou com quase 1 mês do acontecido. Nessa reunião foi dito que foi aberto
um processo administrativo, que qualquer coisa a gente poderia contar com eles
e ofereceram psicólogo, só que naquele dia eu não estava raciocinando direito.
Também nos contaram de forma superficial, só soube dos detalhes quando peguei o
relatório”, relatou.
A reunião ocorreu no dia 3
de agosto, segundo documento da própria creche. No dia seguinte, os pais
retornaram à unidade e informaram que haviam gravado uma conversa com o filho
em casa.
No vídeo, segundo o relato
apresentado pelos pais no processo administrativo, a criança confirmou que a
professora levou uma seringa para a sala e aplicou o objeto nela. Ao ser
questionada sobre onde teria ocorrido a aplicação, a criança apontou para a
cabeça.
Os pais solicitaram à creche
cópias dos relatórios e demais documentos encaminhados à Secretaria Municipal
de Educação (SEDUC).
Mãe diz que filho apresentou
mudanças de comportamento
Jéssica contou que a família
já havia percebido um comportamento mais agressivo no menino antes de tomar
conhecimento do episódio. Segundo ela, isso teria começado entre abril e maio.
“Na verdade nós vínhamos
percebendo um comportamento muito agressivo nele já tinha um certo tempo. Eu
não sei exatamente quando começou, mas acho que meados de abril/maio, e foi por
isso que a gente achou que a reunião se tratava do comportamento dele. Mas do
começo de agosto pra cá ele já mudou bastante, está bem mais calmo”, afirmou.
A mãe também disse que
passou a buscar informações sobre o andamento das investigações e do processo
administrativo por conta própria.
“Eu que fui atrás, tudo eu
indo atrás”, relatou.
Segundo Jéssica, a família
também procurou a Polícia Civil, o Conselho Tutelar e o Ministério Público.
Ocorrência foi registrada na
Polícia Civil
A mãe registrou um boletim
de ocorrência na Delegacia de Monteiro no dia 7 de agosto. A certidão, à qual o
g1 teve acesso, descreve o caso como maus-tratos.
No registro policial, a mãe
relatou o sangramento na cabeça do filho, as informações apresentadas pela
creche e a conversa gravada com a criança. O caso também passou a ser analisado
em um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) da Prefeitura de Monteiro.
Em 11 de setembro, os pais
prestaram depoimento à Comissão Permanente de Processo Administrativo
Disciplinar (CPPAD). No documento, eles relataram indignação com a demora para
serem informados e afirmaram que só tiveram conhecimento da dimensão do caso após
receberem uma cópia do relatório da creche.
Mãe relata uso de seringa
para ‘amedrontar’ crianças
Em entrevista ao g1, Jéssica
afirmou ainda que durante a reunião com a creche, recebeu a informação de que a
professora utilizaria uma seringa para amedrontar crianças e fazê-las obedecer.
Segundo ela, a informação
tem relação com uma campanha de vacinação realizada anteriormente na escola. A
mãe afirma que a seringa utilizada para esse fim seria sem agulha.
Essa informação, no entanto,
não consta no relatório da ocorrência da creche apresentado à família a ameaça
as outras crianças, segundo Jéssica. No relatório tinha apenas o que havia
acontecido com o seu filho.
Por g1 PB


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