Sancionada lei que prevê oferta de trombolíticos para tratamento de infarto e AVC na rede de urgência e emergência do SUS.
Medida aprimora a disponibilidade dos medicamentos na rede
pública e fortalece o atendimento a pacientes em situações de urgência e
emergência
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva,
sancionou nesta quarta-feira (2), o Projeto de Lei nº 5.972/2023, que prevê a
ampliação da oferta de medicamentos trombolíticos na rede de urgência e
emergência no Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo as Unidades de Pronto
Atendimento (UPAs). Esses medicamentos
são utilizados para dissolver os coágulos que podem causar Infarto Agudo do
Miocárdio (IAM) e Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico e, quando administrados
rapidamente, podem salvar vidas e reduzir o risco de sequelas.
Durante a cerimônia, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha,
assinou a portaria que institui o Comitê de acompanhamento da Implementação das
Linhas de Cuidado dos Agravos Cerebrovasculares e Cardiovasculares
Tempo-Dependentes: AVC e IAM, no âmbito do Ministério da Saúde. O grupo será responsável por analisar e
propor ações para tornar os medicamentos mais acessíveis e qualificar a
assistência aos pacientes.
Padilha destacou que o comitê terá como foco tornar mais ágil
a jornada do paciente na rede de urgência e emergência. “Nos casos de infarto e
AVC, cada minuto conta. Vamos trabalhar com especialistas, estados e municípios
para transformar a lei em atendimento mais rápido, desde o diagnóstico até a
chegada do paciente à unidade de referência. Esse tempo que conseguimos reduzir
pode representar uma vida salva”, destacou o ministro.
Atualmente, os protocolos do SUS já preveem o uso de
trombolíticos nos serviços de urgência e emergência, incluindo as UPAs. No
entanto, a aquisição desses medicamentos é realizada pelos gestores locais. O
comitê avaliará estratégias para aprimorar a oferta e ampliar a disponibilidade
desses medicamentos na rede pública.
O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto
por ano. Em 2025, o SUS também contabilizou 292 mil atendimentos por Acidente
Vascular Cerebral (AVC), dos quais 218 mil foram relacionados ao AVC isquêmico.
Os medicamentos trombolíticos podem ser utilizados tanto no
Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) quanto no Acidente Vascular Cerebral (AVC)
isquêmico, conforme avaliação clínica. Eles atuam na dissolução dos trombos que
obstruem os vasos sanguíneos, ajudando a restabelecer a circulação do sangue.
A rapidez no diagnóstico e no início da terapia aumenta as
chances de sobrevivência e reduz o risco de sequelas. Nos casos de infarto, o
uso do trombolítico pode ser indicado principalmente quando procedimentos de
maior complexidade, como a angioplastia, não estão disponíveis no tempo
recomendado. Assim, o paciente pode receber o medicamento enquanto a
continuidade do cuidado é organizada na rede.
O SUS já conta com uma linha de cuidado para o infarto agudo
do miocárdio e o AVC, com protocolos para diagnóstico e tratamento. No caso do
infarto, a assistência inclui o acesso à reperfusão, procedimento destinado a
restabelecer o fluxo sanguíneo. Os trombolíticos integram esse atendimento e
também podem ser utilizados pelo Serviço de Atendimento Móvel e Urgência (SAMU
192), conforme indicação clínica.
Muitas pessoas com sinais de infarto procuram diretamente a
unidade de saúde mais próxima, que, em diversos municípios, é uma UPA. Nessas
unidades, as equipes podem fazer o diagnóstico, avaliar a indicação clínica e,
quando necessário, iniciar o tratamento com trombolíticos. A nova lei permitirá
avaliar formas de apoiar e aprimorar essa oferta, aproximando o tratamento da
população.
Uso de trombolíticos pelo SAMU 192
Desde 2014, o Ministério da Saúde possibilita, por meio da
Portaria nº 2.777/2014, o repasse de recursos para o uso do trombolítico
tenecteplase pelo SAMU 192. O medicamento pode ser administrado nas Unidades de
Suporte Avançado de Vida habilitadas, após avaliação da equipe de saúde e
conforme os protocolos assistenciais.
Atualmente, 102 unidades do SAMU 192 estão habilitadas para
receber o recurso em sete estados. O Ceará concentra 28 unidades, seguido por
Minas Gerais, com 22; Sergipe, com 16; Rio Grande do Norte, com 13; Bahia, com
12; São Paulo, com nove; e Paraíba, com duas.
Em 2025, foram registradas 861 aplicações de tenecteplase
pelo SAMU 192 em todo o país. O aprimoramento da oferta do medicamento poderá
ampliar o número de unidades da rede de urgência e emergência, incluindo as
UPAs, preparadas para iniciar o atendimento. Assim, pacientes que vivem em
localidades com acesso mais limitado a procedimentos de maior complexidade
poderão receber o trombolítico em tempo oportuno e ganhar tempo até a chegada à
unidade de referência para a continuidade do tratamento.
Fonte: Ministério da Saúde


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