Eleições 2026: apenas 20% dos principais candidatos a governador têm planos abrangentes para o saneamento, aponta estudo.

Imagem ilustrativa - reprodução internet
Levantamento do Trata Brasil
mostra que 87% dos programas mencionam o tema, mas apenas 16 apresentam metas
tangíveis
Apenas 13 dos 62 principais
candidatos aos governos estaduais analisados pelo Instituto Trata Brasil
apresentam planos considerados abrangentes para o saneamento básico. O número
corresponde a cerca de 21% da amostra. O estudo avaliou propostas de governo de
candidatos considerados competitivos nas eleições de 2026.
O levantamento avaliou a
presença do compromisso com o saneamento nos planos de governo dos candidatos
com maior probabilidade de serem eleitos ou de disputar o segundo turno.
A análise considerou quatro
eixos: planejamento, regionalização e coordenação para a universalização;
viabilização de investimentos e superação de gargalos para a universalização;
governança e regulação; e metas tangíveis.
Apesar de o saneamento
aparecer nos programas avaliados, o levantamento aponta diferença entre
mencionar a universalização e apresentar compromissos objetivos. O tema é
citado em 54 dos 62 planos, o equivalente a 87% da amostra. Já as metas
tangíveis aparecem em apenas 16 documentos, o que representa 26%.
Para a presidente-executiva
do Instituto Trata Brasil, Luana Pretto, a análise levou em consideração a
presença do saneamento nos programas, a profundidade das propostas e a relação
entre os compromissos apresentados e os déficits de cada estado.
“Os estados que têm
indicadores piores em relação ao saneamento básico deveriam estar mais
comprometidos em relação a esse tema, mas não é isso que a gente identificou em
relação ao estudo”, destaca.
Um dos exemplos citados por
Luana é o Maranhão. Segundo o levantamento, o estado teve a menor média de
comprometimento entre as 27 unidades da Federação, com 1,5. Os dados também
apontam que o estado maranhense tem o menor percentual de esgoto tratado do
país, sendo 12,24%.
Em 2024, o estado registrava
53,68% de atendimento de água, 27,39% de atendimento de esgoto e 12,24% de
tratamento de esgoto.
Panorama nacional
O Trata Brasil aponta que
grande parte dos planos de governo aborda o tema de forma transversal,
incluindo dois ou três dos quatro eixos analisados.
Das 62 propostas de governo
avaliadas, cinco tiveram a abordagem classificada como superficial, por abordar
somente um dos eixos; outros 44, que representam mais de 70%, tiveram
classificação como transversal. Desses, 15 trazem apenas dois eixos, enquanto
29 abordaram três eixos. Por fim, apenas 13 apresentaram abordagem abrangente,
por destacarem todos os quatro eixos.
Na avaliação do instituto, a
pauta integra o debate eleitoral, no entanto, ainda precisa de maior
profundidade, metas verificáveis e instrumentos de acompanhamento.
Luana Pretto pontua a
importância de os governos estabelecerem metas claras para ampliar os serviços
de saneamento no país.
“Uma meta, ela precisa ter
indicador, precisa ter prazo, precisa ser um compromisso do governo para que, a
partir daí, se possa desencadear todas as ações necessárias, desde a
regionalização, à busca de investimentos, fortalecimento da regulação e todas
as ações que precisam ser feitas para que essas metas sejam alcançadas, porque
apenas falar de universalização e não se comprometer com o dado torna esse
compromisso vago”, menciona Pretto.
Comprometimento regional
A análise regional buscou,
ainda, mostrar como o comprometimento dos candidatos com o saneamento varia
entre as cinco macrorregiões brasileiras. O estudo compara a média de
comprometimento dos planos de governo com indicadores do SINISA de 2024, como
atendimento de água, coleta e tratamento de esgoto e investimento por
habitante.
A pesquisa identificou que o
comprometimento dos candidatos considerados com o saneamento não acompanha a
situação real do setor em cada região. Para o Trata Brasil, o cenário “impede a
identificação de um padrão regional simples”, diz um trecho do estudo.
A Região Nordeste apresentou
o maior comprometimento médio nacional (2,95), mesmo que apresente os segundos
piores indicadores do SINISA. Em seguida aparece o Sudeste, que atingiu os
melhores patamares nos indicadores citados, e a terceira posição em comprometimento
médio dos candidatos (2,78).
Em contrapartida, a Região
Norte, que mostra os piores indicadores de saneamento apresentados, ocupa a
penúltima média em comprometimento (2,71).
Já o Centro-Oeste, com a
segunda melhor posição para a cobertura de água, coleta e tratamento de esgoto
do país, ao mesmo tempo registra a menor média entre as cinco regiões (2,70),
conforme o estudo.
Em relação à abordagem
transversal, há predominância em todas as regiões, chegando a 90% dos planos no
Centro-Oeste. Já a superficial aparece com menor frequência, com maior presença
no Sul (17%) e ausente no próprio Centro-Oeste.
Cenário estadual
No recorte estadual, o
levantamento destaca alguns cenários que merecem atenção. Estados com níveis
semelhantes de comprometimento apresentam realidades muito distintas, como o
contraste entre o Distrito Federal e Rondônia. As duas UFs possuem a mesma
média (3,33), mas apresentam resultados muito diferentes nos indicadores do
SINISA.
Já Pernambuco é o único
estado a alcançar a média máxima de comprometimento, de 4,00. No entanto, menos
de 30% do esgoto é coletado e tratado no estado pernambucano.
O Acre, por sua vez, tem
menor atendimento de água (44,27%) e o menor investimento médio por habitante
(R$ 14,95), registrando média de comprometimento de 2,33.
Os 13 planos classificados
como abrangentes estão distribuídos por 12 estados, com Pernambuco sendo a
única UF em que há dois planos incluídos na amostra com classificação
máxima.
Estudo
O levantamento foi feito com
base nos planos de governo disponíveis na plataforma do Tribunal Superior
Eleitoral (TSE) até 15 de setembro. A seleção dos candidatos considerou aqueles
com maior probabilidade de serem eleitos ou de disputar o segundo turno,
conforme pesquisas de intenção de voto divulgadas entre 22 de agosto e 4 de
setembro.
No total, foram considerados
os 26 estados e o Distrito Federal, resultando numa amostra total de 62
candidatos.
Prazo para universalização
O estudo também chama
atenção para o período de 2027 a 2030, que antecede o prazo de 2033
estabelecido para a universalização dos serviços de saneamento. Segundo os
dados apresentados no levantamento, cerca de 33 milhões de brasileiros ainda
não têm acesso à água tratada e quase 90 milhões não contam com coleta de esgoto.
Para Luana Pretto, os
próximos quatro anos devem envolver medidas como regionalização dos serviços,
ampliação dos investimentos, fortalecimento da regulação e inclusão de
populações vulneráveis e rurais.
“É importante que caso não
haja a regionalização dos serviços de saneamento no estado, que se busque essa
regionalização para que municípios grandes e pequenos sejam incluídos nesse
processo de universalização”, afirma.
A presidente-executiva do
Trata Brasil também defende que drenagem e manejo de águas pluviais sejam
considerados nas políticas estaduais quando houver necessidade, especialmente
diante de problemas relacionados a enchentes.
Segundo ela, a falta de
saneamento também está associada a impactos na saúde e no desenvolvimento
social. Luana cita 344 mil internações por doenças associadas à falta de
saneamento e quase 5 mil óbitos, além de efeitos sobre a escolaridade e a renda
dos trabalhadores.
“Faz-se necessário que cada
um dos eixos que nós apontamos nesse estudo sejam levados em consideração na
implementação dessas ações e que as metas sejam cumpridas dentro do prazo
estabelecido.”
Fonte: Brasil 61 –

Nenhum comentário