Eleições 2026: PL terá maior bancada da Câmara e do Senado a partir de 2027; veja a nova composição.
Partido elege 121 deputados
e 19 senadores; especialistas avaliam impactos da nova composição do
Legislativo
O Partido Liberal (PL)
elegeu a maior bancada da Câmara dos
Deputados nas eleições deste domingo (4) e terá 121 parlamentares
na próxima legislatura, que começa em 1º de fevereiro de 2027. A legenda
elegeu 24 deputados a mais do que em 2022, segundo levantamento da Agência Câmara
com base nos resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A segunda maior bancada
será a da federação PT-PCdoB-PV, que elegeu 88 deputados, seis a mais
do que na eleição anterior.
Com isso, a nova
composição partidária da Câmara dos Deputados, em comparação com o
resultado das eleições de 2022, ficou da seguinte forma:
|
Bancadas eleitas |
2026 |
2022 |
|
PL |
121 |
97 |
|
PT/PCdoB/PV |
88 |
82 |
|
União/PP |
87 |
105 |
|
PSD |
43 |
42 |
|
Republicanos |
41 |
40 |
|
MDB |
36 |
41 |
|
Pode |
27 |
20 |
|
PSB |
15 |
15 |
|
Psol/Rede |
15 |
15 |
|
PSDB/Cidadania |
11 |
18 |
|
NOVO |
10 |
3 |
|
PRD/Solidariedade |
7 |
12 |
|
PDT |
6 |
16 |
|
Avante |
5 |
7 |
|
Missão |
1 |
0 |
PL também deve liderar
bancada no Senado
Assim como na Câmara, o PL
deverá ter a maior bancada do Senado a
partir do início de 2027. A legenda elegeu 19 senadores nas eleições
deste domingo, o equivalente a 35,2% das 54 cadeiras que estavam em disputa neste
ano. Com os parlamentares eleitos e os senadores que ainda estão em mandato, a
bancada do PL deverá chegar a 28 integrantes.
A legenda também fez cinco
“dobradinhas”, ao eleger os dois senadores de um mesmo estado: Mato
Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina, além
do Distrito Federal.
Segundo a Agência Senado,
nenhuma outra legenda deverá alcançar um terço do tamanho da bancada
do PL. Na sequência aparecem o PT, com nove senadores, e o MDB,
com oito.
Caso os números se confirmem
em fevereiro, quando os novos senadores tomarem posse, o PL também
terá a maior bancada partidária do Senado no início de uma legislatura desde
a promulgação da Constituição de 1988. O recorde anterior era do MDB,
então PMDB, que iniciou a legislatura de 1999 com 27 senadores.
No entanto, os números
ainda podem sofrer alterações. Tanto os parlamentares eleitos quanto
os senadores que já possuem mandato podem trocar de partido ou assumir
ministérios antes do início da próxima legislatura, em fevereiro. Por isso,
a projeção considera a composição partidária a partir dos resultados das
eleições.
O cálculo também leva em
conta que dois senadores com mandato até 2031 foram eleitos para governos
estaduais e deixarão as cadeiras para os respectivos suplentes.
Além disso, o Senado tem
atualmente um parlamentar sem partido: Romário (RJ).
A composição partidária do
Senado também indica uma redução no número de legendas responsáveis pela
eleição dos novos parlamentares. Em 2018, 20 partidos diferentes
elegeram senadores. Oito anos depois, 13 legendas elegeram os novos
integrantes da Casa.
|
Eleições 2018 |
Senadores eleitos |
Eleições 2026 |
Senadores eleitos |
|
MDB |
7 |
PL |
19 |
|
PP |
5 |
MDB |
7 |
|
Rede |
5 |
PT |
6 |
|
DEM |
4 |
Novo |
3 |
|
PSD |
4 |
PP |
3 |
|
PSDB |
4 |
PSB |
3 |
|
PSL |
4 |
UNIÃO |
3 |
|
PT |
4 |
Podemos |
2 |
|
PDT |
2 |
PSDB |
2 |
|
PHS |
2 |
PSD |
2 |
|
PPS |
2 |
Republicanos |
2 |
|
PSB |
2 |
PDT |
1 |
|
PTB |
2 |
Rede |
1 |
|
Podemos |
1 |
- |
- |
|
PR |
1 |
- |
- |
|
PRB |
1 |
- |
- |
|
PROS |
1 |
- |
- |
|
PRP |
1 |
- |
- |
|
PSC |
1 |
- |
- |
|
Solidariedade |
1 |
- |
- |
Avanço da direita no
Congresso
O cientista político André
César, sócio da Hold
Assessoria Legislativa, atribui a nova composição do Congresso Nacional
ao desempenho da direita nas eleições.
“Não entrando no mérito, mas
a direita fez uma campanha muito boa, muito bem colocada, muito bem
encaminhada, seja na Câmara, no Senado, nas assembleias legislativas e nos
governos estaduais. Isso mostra a força da direita no Brasil e um certo esgarçamento
da esquerda, que tem que se repensar”, destaca.
Segundo o especialista, a predominância
de um partido ou de uma determinada corrente ideológica no Congresso
tende a influenciar áreas como economia, segurança pública e políticas sociais.
“A privatização de várias
empresas estatais entra na pauta e a questão social pode voltar para
trás”, avalia.
O cientista político e
professor da Escola de Administração de
Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP), Eduardo
Grin, afirma que a predominância de partidos de centro e de direita
no Congresso pode impulsionar pautas como mudanças na política fiscal, com
uma agenda mais restritiva de gastos, flexibilização de regras ambientais,
alterações na regulamentação das bets, entre outras propostas de caráter
mais conservador.
“Temos um Congresso muito
mais à direita e conservador do que já era. Então, podemos esperar que vai
aumentar substancialmente as suas iniciativas na chamada agenda de costumes,
a pauta conservadora”, afirma.
Na área de segurança
pública, Grin avalia que pode ser retomada a agenda clássica do
bolsonarismo, com propostas como a ampliação do porte de armas e a
redução da maioridade penal. O especialista também cita a possibilidade de congelamento
da tramitação da PEC da Segurança.
Em relação às políticas
sociais, o cientista político avalia que pode haver uma revisão do Bolsa
Família em favor de uma agenda voltada ao empreendedorismo.
Cenários para o próximo
governo
André César avalia que Lula
terá dificuldades para vencer o segundo turno. O petista terminou o primeiro turno com 45,16%
dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro liderou com 47,03%.
Caso esse resultado se
confirme no segundo turno, o cientista político acredita que os partidos
de direita no Congresso terão maior facilidade para negociar com o próximo
presidente, que também é do PL.
“Acho altamente improvável
que o presidente Lula consiga reverter esse jogo. Então, partidos como o PL —
que é o do Flávio Bolsonaro —, PP, União Brasil, Republicanos e outros
vão conseguir negociar mais, vão ganhar mais protagonismo ainda”,
afirma.
Eduardo Grin destaca que, embora
o Centrão não tenha apoiado Flávio Bolsonaro no primeiro turno, a composição
formada por essas legendas, somada ao PL, continuará tendo papel central na
definição da agenda do Congresso.
“Em um provável governo
de Flávio Bolsonaro, o Centrão certamente estará do lado dele, inclusive
porque vários parlamentares do Centrão, como Ciro Nogueira, que não
se reelegeu senador, devem ser chamados para ser ministros.”
Na avaliação de Grin, esse
cenário poderia facilitar a aprovação de pautas mais conservadoras
defendidas por um eventual governo de Flávio Bolsonaro.
Já no caso da reeleição
de Lula, André César prevê dificuldades para o presidente governar
diante do fortalecimento do Congresso Nacional de oposição. “Com as emendas
e tudo mais, a força do Congresso hoje bota o Executivo na parede. E o
governo já começaria emparedado, em uma eventual reeleição do presidente Lula”,
afirma.
Relação entre Congresso e
STF
Para André César, o Supremo
Tribunal Federal (STF)
também deverá enfrentar um novo cenário diante do fortalecimento do
Congresso, especialmente do Senado, que tem competência
constitucional para processar e julgar ministros da Corte em crimes de
responsabilidade.
O cientista político também
cita as discussões envolvendo ministros do STF e o caso do Banco Master como
um dos fatores que podem pressionar por mudanças na relação entre os Poderes.
“O Congresso vem mais
forte. Inclusive, no caso do Senado especificamente, os senadores
podem ir para cima e pedir impeachment de ministro. Uma coisa nova,
inédita, que pode acontecer”, afirma.
Por outro lado, Eduardo Grin
avalia que a direita no Senado não deve avançar necessariamente para o
impeachment de ministros do STF, mas prevê uma relação mais conflituosa
com a Corte, especialmente com o ministro Alexandre de Moraes, em
razão da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Acho que o Xandão,
sim, vai estar em maus lençóis”, avalia.
O cientista político também
acredita que o Congresso poderá discutir mudanças legislativas relacionadas
ao funcionamento do Judiciário, como medidas para reduzir o alcance de
decisões monocráticas e limitar o poder do STF.
“Se o Senado não vai levar
adiante efetivamente o impeachment de ministros do STF, como eu acho que é o
caso, várias medidas legislativas serão feitas no sentido de coibir e
reduzir o grande poder hoje que o STF tem”, conclui.
Fonte: Brasil 61 -


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