Eleições ampliam presença feminina no Congresso; desafio é transformar representação em influência.
Senado registra recorde de
12 senadoras eleitas em um único pleito, enquanto bancada feminina na Câmara
terá aumento de 21%
No último domingo (4), os
brasileiros elegeram 12 mulheres para o Senado Federal, entre as 54 vagas em
disputa. É o maior número de senadoras eleitas em um único pleito desde a
redemocratização.
Com o resultado das eleições
de 2026, a bancada feminina no Senado deve passar das atuais 15 para 18 integrantes
a partir de 2027, considerando também as suplentes que estiverem no exercício
do mandato. O número corresponde a 22,2% das 81 cadeiras da Casa.
Na Câmara dos Deputados, a
presença feminina também aumentou. A bancada passará de 90 para 109 parlamentares
a partir de 1º de fevereiro de 2027. As 19 cadeiras adicionais representam
crescimento de 21,1% em relação à atual legislatura.
Para a socióloga Débora
Messenberg, professora do Departamento de Sociologia da Universidade de
Brasília (UnB), o aumento da presença feminina no Congresso Nacional é
importante para ampliar a representatividade política de uma população
majoritariamente composta por mulheres.
“Mas ainda estamos muito
aquém de outros países em termos de representatividade feminina no parlamento.
Muitos países, inclusive latino-americanos, estão muito na nossa frente. Isso é
um traço da nossa sociedade; a política não é algo que as mulheres tenham como
uma participação tão ativa”, afirma.
Presença feminina precisa se
transformar em influência
Apesar do avanço do número
de mulheres eleitas como deputadas e senadoras, Ana Claudia Badra Cotait,
presidente do Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CMEC) —
vinculado à Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil
(CACB) —, avalia que a representatividade também precisa se refletir na
participação nas decisões do Congresso.
“As mulheres que chegam
agora na Câmara e no Senado precisam estar no centro das discussões que definem
o futuro do país, do orçamento às políticas econômicas, do emprego ao
empreendedorismo. Mais do que ocupar cadeiras, é preciso ocupar espaços de
liderança e transformar presença em influência”, destaca.
Para Débora Messenberg, a
presença de mulheres de diferentes partidos também pode favorecer o diálogo em
torno de pautas comuns, mesmo diante de divergências ideológicas. “Mesmo que
tenham divergências muito grandes, em termos mais amplos, de uma mulher do PSOL
para conversar com uma do PL, por exemplo, existem pautas que elas conseguem
encontrar um consenso”.
Pautas do próximo Congresso
Ana Claudia Cotait avalia
que o próximo Congresso será marcado por debates sobre orçamento, contas
públicas e regras que definirão o ambiente de negócios nos próximos anos.
Segundo a senadora Damares
Alves (Republicanos-DF), entre as pautas que podem unir as parlamentares está a
pauta do cuidado. Para ela, a implementação da Política Nacional do Cuidado
deve ser uma das prioridades do próximo Congresso.
“Nós aprovamos, nessa
legislatura, a Política Nacional do Cuidado e nós vamos ter que fazer ela ser
realidade em todo o país, com regulamentação nos estados, e lutar por orçamento
para essa política. Não vamos aceitar nenhum retrocesso. Todos os direitos
conquistados estão aí”, pontua.
Segundo Damares, o Senado
deve priorizar pautas capazes de reunir parlamentares de diferentes partidos e
correntes ideológicas em torno de objetivos comuns. Entre os temas citados pela
senadora estão o enfrentamento à violência contra a mulher e ao feminicídio, a
participação feminina no mercado de trabalho e o empreendedorismo
feminino.
Atuação das parlamentares
não deve se restringir às “pautas de mulheres”
Embora haja uma expansão da
presença feminina no Congresso, Débora Messenberg avalia que as parlamentares
ainda são frequentemente associadas a temas ligados à reprodução do cuidado e à
assistência social.
“Elas são eleitas,
inclusive, porque o eleitorado espera que elas reproduzam o cuidado no
parlamento. A sua relação com o eleitorado é de demonstrar sempre uma
perspectiva familiar, de assistência, de benefícios, e pouca produção
relacionada a temas tidos ‘masculinos’”, avalia.
No entanto, para Ana Claudia
Cotait, a atuação das parlamentares não deve ficar restrita às chamadas “pautas
de mulheres”. Ela defende maior participação feminina em temas econômicos e
estruturais.
“Educação, segurança,
emprego, crédito, empreendedorismo, inovação e desenvolvimento econômico
estarão entre os assuntos centrais do próximo Congresso. As mulheres precisam
estar presentes nessas discussões não como espectadoras, mas como
protagonistas.”
A presidente do CMEC lembra
que milhões de brasileiras são empreendedoras, empregadoras e responsáveis por
pequenos negócios e enfrentam desafios como juros elevados, burocracia e
dificuldade de acesso ao crédito.
“São problemas econômicos,
não questões de gênero. Uma política que favoreça o crescimento dessas empresas
beneficia toda a economia”, conclui.
Fonte: Brasil 61 –


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