Resistência vermelha: PT vence em três estados do Nordeste e mantém região como fortaleza do partido.
Elmano de Freitas (Ceará),
Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí) conquistaram a reeleição
no primeiro turno
Tradicional reduto petista,
o Nordeste foi a única região do país na qual o presidente Luiz Inácio Lula da
Silva e candidatos do partido aos Executivos estaduais saíram vencedores neste
primeiro turno. A resistência vermelha nordestina foi demonstrada na reeleição
dos governadores Rafael Fonteles, no Piauí, Elmano de Freitas, no Ceará, e
Jerônimo Rodrigues, na Bahia.
O desempenho mais expressivo
veio de Fonteles, que conquistou 70,87% dos votos válidos no Piauí. O total
supera a votação percentual que Lula obteve ontem no Nordeste, quando o
presidente somou pouco mais de 63% dos votos válidos.
A reeleição de Fonteles marca
o quarto mandato seguido do PT no estado. O embate eleitoral ocorreu contra
Joel Rodrigues (PP), que teve 27,56%. O desenvolvimento econômico e a
universalização da água pautaram a campanha.
Já Elmano enfrentou o legado
político de Ciro Gomes (PSDB) na corrida cearense. Embora o tucano tenha
largado na dianteira, com ampla margem, o petista ganhou terreno ao longo da
campanha. Foi montada uma força-tarefa com nomes populares no estado, que rodavam
o Ceará destacando entregas da gestão. Fizeram parte deste grupo o
ex-governador Camilo Santana (PT), além de Cid Gomes (PSB) e Luizianne Lins
(Rede) — ambos eleitos ao Senado ontem.
O governador teve 53% dos
votos válidos no primeiro turno, desempenho semelhante ao conquistado em 2022.
Após a vitória, o petista afirmou nas redes sociais que o resultado representa
o “reconhecimento de um trabalho construído com compromisso, resultados e,
acima de tudo, união”.
Segurança contra legado
A eleição cearense foi
marcada por uma batalha acirrada com o tucano. Os candidatos optaram por
estratégias distintas para atrair o eleitorado indeciso. Enquanto Ciro pautou a
campanha pelo viés da segurança pública, campo no qual critica a gestão
petista, Elmano buscou colar sua imagem a Lula e Camilo.
Na Bahia, Jerônimo enfrentou
ACM Neto (União) em uma reedição da disputa de 2022, na qual o petista venceu o
ex-prefeito de Salvador no segundo turno.
Desta vez, Jerônimo saiu
vitorioso já na primeira etapa do pleito, com 55,58% dos votos válidos.
“A Bahia vai seguir
avançando! Chegamos até aqui porque cada baiano e cada baiana acreditou no
nosso projeto. Agora, vamos arregaçar as mangas e seguir para o segundo turno
das eleições, ao lado do presidente Lula, para garantirmos a vitória da
democracia”, escreveu o petista nas redes.
A composição do debate
eleitoral baiano é semelhante ao ocorrido no Ceará. Neto apostou na pauta da
segurança pública para atacar o oponente, enquanto Jerônimo buscou associar-se
a Lula e ao legado do PT na Bahia.
O candidato da oposição
trabalhou para retomar a hegemonia do carlismo. O grupo formado no entorno do
avô, o ex-governador Antônio Carlos Magalhães, comandou a Bahia por quatro
décadas. Entretanto, perdeu espaço para o PT, que governa desde 2007. Antes de
Jerônimo, ocuparam o posto Jaques Wagner e Rui Costa — que saíram vitoriosos na
corrida pelo Senado ontem.
O cenário eleitoral ocorreu
em meio ao impacto do caso Master, uma vez que investigações indicam
correlações entre a instituição financeira e os dois campos políticos na Bahia.
Por um lado, documentos entregues pelo banco de Daniel Vorcaro à Receita
Federal apontam pagamentos a Neto por meio de sua empresa de consultoria. Do
outro, Wagner foi alvo da Polícia Federal, que apura se o candidato à reeleição
ao Senado agiu em prol dos interesses do banqueiro e de seu ex-sócio Augusto
Lima no Congresso em troca de “vantagens indevidas”. Houve uma espécie de pacto
de silêncio entre os dois grupos neste ciclo eleitoral, para que o tema não
fosse amplamente discutido nestes últimos meses.
A resistência da esquerda na
região também foi demonstrada por vitórias na disputa pelo Senado em
Pernambuco. Foram eleitos Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT).
Distrito Federal
O PT ainda chegou no segundo
turno da eleição pelo governo do Distrito Federal. Leandro Grass disputará a
etapa final do pleito contra a candidata à reeleição Celina Leão (PP), que é
favorita na disputa e chegou perto da vitória ontem. Ela teve teve 49,93% dos
votos válidos, contra 34,47% de Leandro Grass.
Por Luis Felipe Azevedo — Rio de Janeiro


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