TCE-PB identifica R$ 2,05 bilhões previstos nos orçamentos municipais para políticas voltadas à primeira infância.
Levantamento do Tribunal
aponta avanço na inclusão de ações para crianças nas leis orçamentárias da
Paraíba. Em 2025, 86 municípios previam recursos para a área, somando pouco
mais de R$ 23 milhões. Em 2026, a análise de 213 leis orçamentárias identificou
R$ 2,05 bilhões previstos para essas políticas.
O planejamento orçamentário
das políticas públicas voltadas à primeira infância ganhou espaço nas
administrações municipais da Paraíba. Levantamento realizado pelo Tribunal de
Contas do Estado (TCE-PB) identificou R$ 2,05 bilhões previstos para ações relacionadas
à primeira infância nas leis orçamentárias anuais (LOAs) de 213 municípios
paraibanos para o exercício de 2026. Em 2025, a análise das leis de 223
municípios havia identificado pouco mais de R$ 23 milhões destinados à área,
distribuídos entre 86 prefeituras.
Os dados foram destacados
pelo presidente do TCE-PB, conselheiro Fábio Nogueira, ao avaliar os resultados
do Pacto Paraibano pela Primeira Infância, lançado pelo Tribunal em 28 de abril
de 2025. A iniciativa mobiliza gestores públicos e instituições para fortalecer
a inclusão dos direitos das crianças nas prioridades do planejamento
governamental e do orçamento público.
O presidente atribui a
evolução dos valores identificados ao envolvimento dos gestores e das
instituições parceiras na construção desse compromisso. O levantamento, porém,
trata de recursos previstos nas leis orçamentárias, e não de valores
efetivamente gastos. A execução deverá ser verificada posteriormente, por meio
do confronto entre o orçamento aprovado e as despesas realizadas ao longo de
cada exercício.
“Quando lançamos o Pacto
Paraibano pela Primeira Infância, tínhamos certeza de que contaríamos com a
adesão e a participação de todos os parceiros para a construção desse
compromisso em torno da primeira infância do nosso Estado”, afirmou Fábio
Nogueira.
Mais recursos previstos no
planejamento municipal – Em 2025, pouco depois das jornadas promovidas pelo
TCE-PB nos municípios para orientar a elaboração dos instrumentos de
planejamento governamental, o Tribunal analisou as 223 leis orçamentárias
anuais municipais. Na ocasião, identificou rubricas relacionadas à primeira
infância em 86 municípios, que, somadas, correspondiam a pouco mais de R$ 23
milhões previstos para a área.
Na análise referente a 2026,
realizada com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial, foram
examinadas as leis orçamentárias de 213 municípios. O levantamento identificou
R$ 2,05 bilhões em recursos previstos para políticas relacionadas à primeira
infância.
A comparação indica uma
ampliação expressiva dos valores identificados nas peças orçamentárias e da
presença de ações relacionadas à primeira infância no planejamento municipal.
Os valores identificados
demonstram recursos programados nas leis orçamentárias, mas não comprovam que o
montante integral tenha sido empenhado, liquidado ou pago. O acompanhamento da
execução permitirá verificar quanto foi efetivamente destinado às políticas
públicas e quais resultados foram alcançados.
Pacto mobiliza os 223 municípios
paraibanos – Desde o lançamento do Pacto Paraibano pela Primeira Infância, o
TCE-PB vem percorrendo as diferentes regiões do Estado para orientar prefeitos,
secretários e equipes técnicas sobre a importância de incluir as demandas das
crianças nos instrumentos de planejamento governamental.
O trabalho envolve
orientações para a elaboração dos Planos Plurianuais (PPAs), das Leis de
Diretrizes Orçamentárias (LDOs) e das Leis Orçamentárias Anuais (LOAs). Esses
instrumentos estabelecem objetivos, prioridades e recursos para as ações
governamentais e são fundamentais para garantir que as políticas públicas
destinadas à primeira infância estejam previstas no planejamento dos
municípios.
A iniciativa também busca
fortalecer a capacidade técnica das administrações municipais para planejar,
financiar e executar ações de forma integrada, com metas definidas e
acompanhamento dos resultados. “É um avanço extraordinário. Esses números
merecem aplausos pela adesão de todos que fazem o Pacto Paraibano pela Primeira
Infância”, destacou o presidente.
A atuação do Tribunal
considera que a garantia dos direitos das crianças exige continuidade das
políticas públicas, articulação entre diferentes áreas da administração e
previsão de recursos compatíveis com as necessidades da população infantil.
Capacitação para fortalecer
fundos e comitês municipais – Outra frente de atuação do TCE-PB é a capacitação
de gestores e equipes técnicas para estruturar e fortalecer os Fundos da
Infância e Adolescência (FIA). As atividades abordam a organização e a gestão
dos fundos, além de alternativas para a captação de recursos, como a destinação
de parte do Imposto de Renda devido por pessoas físicas e jurídicas, conforme
as regras legais.
O objetivo é apoiar os
municípios na criação de condições para financiar projetos e ações voltados à
garantia dos direitos de crianças e adolescentes. A estruturação dos fundos,
associada a uma gestão adequada, contribui para organizar a captação e a
aplicação dos recursos, com transparência e controle.
O Tribunal também promove
capacitações voltadas ao fortalecimento dos Comitês Intersetoriais da Primeira
Infância. Esses colegiados favorecem a integração entre setores como educação,
saúde e assistência social, permitindo organizar ações conjuntas, estabelecer
metas e acompanhar a implementação das políticas públicas.
As capacitações integram as
ações do Pacto Paraibano pela Primeira Infância e buscam contribuir para que os
municípios avancem no planejamento, na gestão e no acompanhamento das políticas
destinadas às crianças.
Fiscalização avalia
resultados das políticas públicas – Para o presidente do TCE-PB, o
acompanhamento das políticas públicas deve ir além da análise dos aspectos
contábeis, financeiros e orçamentários. É necessário verificar se os recursos
aplicados estão produzindo os resultados esperados para a população.
“Não basta aferir se
determinado município aplicou 25% na educação. É preciso verificar se essa
aplicação está proporcionando os resultados esperados, almejados e
programados”, explicou Fábio Nogueira.
Nesse contexto, o Tribunal
criou o Departamento de Avaliação de Políticas Públicas e realiza auditorias
operacionais para examinar a implementação das ações governamentais,
identificar dificuldades e contribuir para o aperfeiçoamento dos serviços
oferecidos à sociedade.
A avaliação permite analisar
não apenas quanto foi previsto ou gasto, mas também como os recursos foram
utilizados e quais resultados foram alcançados. No caso da primeira infância,
esse acompanhamento é importante para verificar se o planejamento e os
investimentos se traduzem em melhorias efetivas no atendimento às crianças e às
famílias. “O nosso objetivo é aprimorar a gestão pública e fazer com que as
políticas públicas cheguem a quem mais precisa”, afirmou o presidente.
Primeira infância como
prioridade no orçamento público – A proteção e o desenvolvimento das crianças
dependem de políticas públicas articuladas, com acesso à educação, à saúde, à
assistência social e a ambientes seguros e adequados. Para que essas ações sejam
efetivas, é necessário que os compromissos assumidos pelos governos se traduzam
em planejamento, recursos e serviços.
A atuação dos Tribunais de
Contas nessa área encontra fundamento no artigo 227 da Constituição Federal,
que estabelece a prioridade absoluta dos direitos das crianças e dos
adolescentes, e no Marco Legal da Primeira Infância, instituído pela Lei nº
13.257/2016.
Para Fábio Nogueira, os
resultados das políticas públicas nas áreas de educação, saúde e assistência
social são construídos ao longo do tempo e podem contribuir para transformar a
realidade das próximas gerações.
O presidente reafirmou o
compromisso do TCE-PB de manter o diálogo com os gestores municipais e as
instituições parceiras, oferecendo orientação técnica e acompanhando a
aplicação dos recursos públicos.
“A expectativa é que a
mobilização promovida pelo Pacto Paraibano pela Primeira Infância contribua
para consolidar a infância como prioridade nas decisões de governo e fortalecer
políticas públicas que assegurem os direitos das crianças paraibanas”,
concluiu.
Ascom/TCE-PB


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