Municípios recebem R$ 2,48 bilhões em royalties do petróleo; disputa sobre distribuição aguarda decisão do STF
De acordo com a Confederação
Nacional de Municípios (CNM), as prefeituras acumularam perdas acima de R$ 128
bilhões entre a suspensão da Lei 12.734/2012, em 2013, e 2025
A distribuição dos royalties
do petróleo referentes à produção de agosto de 2026 movimentou R$ 7,32 bilhões
entre municípios, estados e União. Desse total, R$ 2,48 bilhões foram
destinados diretamente às prefeituras e R$ 1,93 bilhão aos governos estaduais.
Os repasses, operacionalizados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP), foram concluídos no fim de outubro e contemplaram 978
municípios e 11 estados.
Além dos valores
transferidos diretamente aos governos estaduais e municipais, parte dos
recursos foi destinada à União e ao Fundo Especial, conforme os critérios
previstos na legislação vigente. A forma de distribuição dessas receitas, no
entanto, continua em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF).
O julgamento sobre a repartição
dos royalties estava previsto para 4 de novembro, mas foi retirado de pauta
pelo presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Até o fechamento desta
matéria, não havia uma nova data definida para a retomada da análise.
A discussão envolve a aplicação
da Lei 12.734/2012, que prevê mudanças na divisão dos recursos entre estados e
municípios. A norma está suspensa por decisão cautelar desde 2013. De acordo
com cálculos da Confederação Nacional de Municípios (CNM), as prefeituras
acumularam perdas superiores a R$ 128 bilhões entre aquele ano e 2025.
Proposta de redistribuição
dos royalties do petróleo
Em abril, a CNM participou
de uma reunião no STF com representantes do Distrito Federal e de outros 20
estados para apresentar uma proposta de redistribuição das receitas. O modelo
prevê uma transição gradual e a renúncia à cobrança retroativa dos valores que
deixaram de ser repassados durante o período de suspensão da lei.
Um dos principais pontos da
proposta é a aplicação da Lei 12.734/2012 sobre toda a produção de petróleo,
sem restrições relacionadas ao chamado "excedente de produção" ou a
outros marcos temporais. O texto também estabelece uma transição de sete anos,
entre 2026 e 2032, conforme previsto originalmente na legislação. A medida
busca dar previsibilidade orçamentária tanto aos estados produtores quanto aos
beneficiários do Fundo Especial.
Como parte da negociação, a
CNM propõe que os estados e os demais entes federativos abram mão de cobrar os
valores que deixaram de receber entre 2013 e 2025, em razão da decisão
cautelar. Outro ponto é a exclusão da chamada "margem equatorial" do
acordo, sob o argumento de que ainda não há base empírica suficiente e de que
existem incertezas regulatórias e ambientais relacionadas à região.
Os 19 estados que firmaram o
acordo com a CNM são: Acre, Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Mato Grosso, Mato
Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do
Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe e
Tocantins.
Concentração dos royalties
nos municípios
Um estudo técnico da CNM
aponta que a arrecadação dos royalties e das participações especiais está
concentrada em um grupo restrito de municípios. Em 2025, os dez maiores
beneficiários reuniram 48,6% de todos os recursos destinados às prefeituras.
Maricá, no Rio de Janeiro,
recebeu sozinho mais de R$ 4 bilhões, o equivalente a 14,3% do total
distribuído aos municípios naquele ano.
A discussão no STF ocorre no
âmbito da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4.916 e de outros cinco
processos relacionados: ADIs 4.917, 4.918, 4.920, 5.038 e 5.621.
O julgamento começou em
maio, depois que os estados confrontantes rejeitaram a proposta de acordo. Na
ocasião, a relatora, ministra Cármen Lúcia, apresentou seu voto. A análise foi
interrompida em seguida, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino.
Com a retomada do
julgamento, Dino deverá apresentar seu voto. Caso não haja uma nova suspensão,
os demais ministros também poderão se manifestar.
Entidades do Rio de Janeiro
defendem manutenção das regras atuais
Do outro lado da disputa,
entidades do Rio de Janeiro defendem a manutenção da liminar que suspendeu a
Lei 12.734/2012. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)
divulgou um manifesto no qual afirma que a decisão é necessária para “garantir
estabilidade institucional, previsibilidade jurídica e respeito ao pacto
federativo consagrado pela Constituição”.
O documento também destaca
os impactos financeiros que uma eventual mudança na distribuição poderia
provocar para o estado.
“É o tema mais urgente para
o nosso estado e tem causado muita preocupação a todos. Temos que nos unir para
defender o que é nosso por direito. Só em 2025 deixamos de ganhar R$ 25
bilhões, e em troca disso recebemos uma compensação financeira de R$ 11 bilhões.
E isso provoca um problema em uma escala econômica”, diz trecho do manifesto.
A Federação das Indústrias
do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) também cobrou uma solução definitiva após
a suspensão do julgamento. Segundo a entidade, a indefinição prolonga a
insegurança jurídica para o governo estadual, os municípios fluminenses e as
empresas da cadeia produtiva de petróleo e gás.
A federação afirma ainda que
o Rio de Janeiro deixou de arrecadar cerca de R$ 64 bilhões em ICMS, repassados
a outros estados ao longo do último ano.
Brasil 61


Nenhum comentário