Perto do fim do prazo, poucos estados e municípios entregaram planos de educação.
Falta pouco menos de um mês para o
fim do prazo a fim de que os estados e municípios tenham os próprios planos de
educação sancionados. Para entidades que representam os entes federados, o
prazo não será cumprido por todos. Entre os estados, três sancionaram os
planos: Maranhão, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Quanto aos municípios, dos
quase 5,6 mil, só 151 têm planos sancionados. As informações são do site
Planejando a Próxima Década do Ministério da Educação (MEC).
Os planos estaduais e municipais de
educação estão previstos no Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado no ano
passado pela presidenta Dilma Rousseff. Ele traça metas para serem cumpridas
nos próximos dez anos. As metas vão desde a inclusão de crianças e adolescentes
na escola até a pós-graduação. Trata ainda da valorização do professor e dos
investimentos em educação, que até 2024 deverão ser de, no mínimo, o
equivalente a 10% do Produto Interno Bruto (PIB). Atualmente o investimento na
área é 6,6%.
Pela lei, os planos locais têm até o
dia 24 de junho para serem sancionados. O prazo é o primeiro estipulado no PNE.
Os planos municipais e estaduais devem, de acordo com a realidade local,
estabelecer estratégias para o cumprimento de cada uma das metas do PNE. Eles têm
liberdade, inclusive, para avançar nas metas caso elas estejam superadas.
A situação mais crítica é entre os
municípios. "Não vamos cumprir em todos os municípios", disse a
presidenta da União Nacional de Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Cleuza
Repulho. "Mas quero deixar claro que é muito importante que esses planos
reflitam a realidade. Muito mais que prazo, é a importância que os planos têm
na execução, que sejam feitos com a discussão ampla, com a participação de todo
mundo, para refletir a realidade".
Segundo ela, mesmo após o fim do
prazo, a Undime continuará trabalhando com os municípios para que todos tenham
os planos aprovados.
Para constituir os planos, o MEC
estipula fases. A primeira é a constituição de uma comissão coordenadora, depois,
produzir um diagnóstico da educação na localidade, a elaboração de um
documento-base, consulta pública e elaboração de projeto de lei. O projeto é
então enviado ao Legislativo, aprovado e sancionado.
Entre os municípios, um não tem
sequer comissão coordenadora instituída;
só 531 instituíram a comissão e 1.049 concluíram apenas o diagnóstico.
Os demais avançaram na elaboração do documento-base (1.560), fizeram consulta
pública (1.185), têm o projeto de lei elaborado (505), enviaram o projeto ao Legislativo
(534) e apenas 54 aprovaram a lei e 151 a sancionaram.
Entre os estados, a expectativa é
que até o fim do ano todos os planos estejam em vigor, segundo o presidente do
Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), Eduardo Deschamps.
"Temos um número significativo de estados que estão concluindo seus planos
para remeter às assembleias legislativas. Eu acho que o número de estados que
terão os planos aprovados até o dia 24 de junho vai ser reduzido, mas entre os
que estarão com os planos nas assembleias legislativas, teremos um número
significativo. Todos os estados estão trabalhando fortemente para isso",
informou.
Todos os estados têm pelo menos o
documento-base elaborado. Dois, o Rio Grande do Sul e Paraná, além do Distrito
Federal avançaram até o envio dos projetos ao Legislativo. Rondônia tem o
projeto aprovado, mas ainda não sancionado.
Como o prazo está em lei, de acordo
com o MEC, ele não será adiado, a não ser que se altere a lei. Em entrevista, o
ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, ressaltou que o MEC "não quer
que os estados e as prefeituras se sintam coagidos com o prazo e acabem
comprando um plano pronto de educação, que não vai emanar de uma discussão da
sociedade. O mais importante é a sociedade se mobilizar e discutir o que quer
para a educação”.
Agência Brasil


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