Lula sanciona Orçamento com veto a reajuste do Fundo Partidário.
Governo também barrou
liberação de restos a pagar de 2019 a 2023
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva sancionou com 26 vetos o Orçamento de 2026, aprovado pelo
Congresso Nacional em dezembro. A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) foi
publicada em edição extra do Diário Oficial da União (DOU) na quarta-feira
(31).
O Orçamento total da União
para 2026 é de cerca de R$ 6,5 trilhões. O texto destaca ainda que 28% dos
orçamentos fiscal e da seguridade social (OFSS) serão destinado exclusivamente
para o pagamento de juros da dívida pública, o que equivale a R$ 1,82 trilhão.
O limite global de despesas
para os Três Poderes foi fixado em aproximadamente R$ 2,4 trilhões.
Para 2026, o Orçamento
sancionado prevê um superávit primário de R$ R$ 34,26 bilhões, podendo chegar a
um superávit de até R$ 68,52 bilhões. Pela legislação do arcabouço fiscal, a
meta será cumprida mesmo com resultado zero.
A meta fiscal para 2026,
fixada na LDO, permite um déficit primário de até R$ 6,75 bilhões.
Não serão consideradas na
meta de déficit primário as despesas de investimento destinadas ao Programa de
Aceleração do Crescimento - Novo PAC, limitadas a R$ 5 bilhões.
O texto garante que a
revisão anual do valor do salário mínimo definido na lei orçamentária seja
compatível com a inflação apurada (variação do Índice de Preços ao Consumidor -
INPC) e com a regra de valorização. No caso de 2026, um salário mínimo equivale
R$ 1.621, a partir de 1º de janeiro.
A LDO explicita ainda que
está vedado o reajuste, em 2026, dos benefícios de auxílio-alimentação ou
refeição e assistência pré-escolar em percentual superior à variação acumulada
do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), desde a última revisão de cada
benefício pelos Três Poderes, pelo Ministério Público da União e pela
Defensoria Pública da União.
Emendas parlamentares
O texto prevê cerca de R$ 61
bilhões em emendas parlamentares para deputados e senadores destinarem a obras,
programas e projetos em seus estados e municípios. Desse total, cerca de R$
37,8 bilhões serão destinados a emendas impositivas, de pagamento obrigatório.
As emendas individuais, dos deputados e senadores, somam R$ 26,6 bilhões; as de
bancada, destinadas às bancadas estaduais, ficaram com R$ 11,2 bilhões.
Vetos
Na quarta-feira, também foi
publicado em edição extra do DOU o texto em que o presidente explica juridicamente
por que vetou cada um dos 26 trechos do projeto de lei aprovado pelo Congresso
Nacional.
Na mensagem presidencial, um
dos vetos descritos é do trecho que aumenta o valor do Fundo Partidário, usado
pelas legendas para financiar campanhas e custear atividades. No despacho, o
presidente justifica que a medida reduziria o montante destinado ao pagamento
das demais despesas da Justiça Eleitoral e ultrapassaria o limite previsto em
lei para as despesas primárias do governo.
Outro trecho vetado pelo
governo permitiria o pagamento de emendas mesmo a projetos sem licença
ambiental prévia ou sem projeto de engenharia. O Executivo explica que esses
procedimentos são requisitos para o início da execução de projetos e que
identificação dos impedimentos de ordem técnica ou legal possibilitaria o
remanejamento de recursos para outros projetos viáveis.
O presidente também vetou um
trecho que permitia ressuscitar emendas não pagas de 2019 a 2023, os chamados
“restos a pagar”. O governo entende que os recursos não liberados entre 2019 e
2023 estariam “em desacordo com o prazo de validade dos restos a pagar não
liquidados, estabelecido pelo Decreto nº 93.872, de 23 de dezembro de
1986".
Sobre as despesas que não
poderiam ser contingenciadas, o despacho lista aquelas decorrentes da
fiscalização nas agências reguladoras, os custos com defesa agropecuária,
programas para inclusão de mulheres na transição energética e despesas com o
apoio à educação de pessoas com altas habilidades. Na mensagem, o mandatário
defende que essas despesas que não possam ser contingenciadas por “reduzir a
flexibilidade e a liberdade dos órgãos na gestão de suas próprias despesas
orçamentárias.”
Agência Brasil


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