Lula veta integralmente PL da Dosimetria. Presidente disse que condenados tiveram direito a ampla defesa.
O presidente Luiz Inácio
Lula da Silva vetou integramente, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº
2.162 de 2023, conhecido como PL da Dosimetria, aprovado em dezembro pelo
Congresso Nacional. O texto prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos
de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.
O anúncio foi feito durante
ato, no Palácio do Planalto, que marca os três anos dos ataques perpetrados por
manifestantes apoiadores de Bolsonaro que, inconformados com o resultado das eleições,
invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal
Federal (STF).
“Todos eles tiveram amplo
direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao
final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com
ilegalidades em série, meras convicções ou [apresentações de] Powerpoint
fajutas”, disse Lula.
“Quero parabenizar a Suprema
Corte pela conduta irrepreensível ao longo de todo esse processo. Julgou e
condenou no estrito cumprimento da lei. Não se rendeu às pressões, não se
amedrontou diante das ameaças. Não se deixou levar por revanchismo. Saiu
fortalecida. Sua conduta certamente será lembrada pela história”, completou.
Ao citar o poeta
hispano-americano George Santayana, Lula concluiu: “Aqueles que não conseguem
lembrar o passado estão condenados a repeti-lo. Em nome do futuro, não temos
hoje o direito de esquecer o passado. Por isso, não aceitamos nem ditadura
civil nem ditadura militar. O que queremos é democracia emanada do povo e para ser
exercida em nome do povo”.
Com o veto, o projeto volta
para o Congresso.
Entenda
O PL da Dosimetria determina
que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de
golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena
mais grave em vez da soma de ambas as penas.
O foco do projeto é uma
mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada
tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”. O texto reduz também
o tempo para progressão do regime de prisão de fechado para semiaberto ou
aberto.
Tais mudanças poderiam
beneficiar condenados pelo 8 de janeiro, como o ex-presidente Jair Bolsonaro,
além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira,
ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto
Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
O projeto de lei também
reduziria o tempo de progressão de pena para alguns criminosos comuns, segundo
especialistas ouvidos pela Agência Brasil.
Agência Brasil


Nenhum comentário