PALAVRA DO SENHOR – A Luz de Deus os atraiu.
A Solenidade da Epifania do
Senhor nos convida a contemplar o Menino Jesus como Salvador da humanidade. Ao
assumir nossa condição humana Ele veio para redimi-la. A Epifania de Deus,
manifestada em Jesus, privilegia a universalidade da salvação e não o nacionalismo
judaico. E aqui reside o vigor da esperança.
O texto do Evangelho (Mt 2,
1-12) ainda nos situa em Belém (Em Hebraico = Casa do pão) um lugar
significativo tanto para o povo judeu como para os cristãos. É a cidade do rei
Davi, da bisavó do rei Davi (Rt 1, 1-4) e de sua família (1Sm 16, 17,12). Se a profecia apontava para Belém como lugar
do nascimento “do rei, descendente de Davi”, então, a pergunta forte neste
cenário é: “Onde está o Rei recém-nascido?” ( v. 2). Recordemos que, ao longo
de Sua vida pública, Jesus nunca gostou desse titulo de Messias-Rei, pois não
queria ser comparado aos governos deste mundo, como os romanos, que eram
sanguinários e desumanos.
A narrativa do nascimento de
Jesus tem um chão “no tempo do Rei Herodes (v.1) que governou de 37 a 4 a.C.
Aqui surge a figura de um outro rei que é o oposto ao reinado de Jesus. Vieram
Magos do Oriente e lhe perguntaram: “Onde está o Rei recém-nascido?”(Mt 2, 2).
Tal questão desestabilizou Herodes e alertou toda a cidade de Jerusalém. Porém,
não encontrando naquele palácio a Luz que os guiava, seguiram adiante
acompanhados por aquela Luz que os fez sair de casa.
É curioso o fato de que os
evangelistas não apresentam nenhum Escriba, Fariseu, Sacerdote do Templo,
Mestre da Lei destinatários da mensagem ou como peregrinos desta luz, mas os
Magos. Estes pertencem a uma casta de sábios astrólogos, interpretes de sonhos,
ligados ao zoroastrismo, religião persa que definia o mundo como uma oposição
entre bem e mal. Foi a tradição cristã posterior que os interpretou como reis à
luz do Salmo 72, 10 e Isaías 49, 7 e 60, 10. E, por fim, foram chamados de
Gaspar, Baltasar e Melquior, representando os gentios.
Ao chegarem ao lugar,
“encontraram o menino deitado na manjedoura e sua Mãe” (v.11). A Luz os atraiu
àquele lugar. É assim que Deus age, atraindo as coisas para si (cf. Jo 12, 32).
Os magos, então, ofertaram ao Rei-Messias: ouro, incenso e mirra. O ouro é
símbolo da realeza. O incenso é símbolo da sua divindade e a mirra é o sinal de
sua humanidade que será, no final do evangelho, ungida em vista da
ressurreição.
Em Mt 2, 12 o versículo
fecha a narrativa do evangelho dizendo “que os magos voltaram para sua terra
sem terem voltados a Herodes”. Voltar por outro caminho é parte constitutiva de
quem encontrou Jesus. O caminho do poder desleal, mesquinho, desumano e
sanguinário não é o caminho do discípulo de Jesus.
O caminho de Jesus é uma
direção oposta que Ele mesmo vai indicando como Pastor-Rei. Nós iniciamos um
novo ano e seremos acompanhados por Jesus se tivermos a ousadia de seguir a Sua
Luz e não outra. Adorar e voltar por outro caminho significa sair dos esquemas
mesquinhos e desumanos que a fantasia de poder (tão bem simbolizada pelo desejo
dos palácios) seduz a muitos. Há muitos Herodes a nos esperar em seus palácios,
mas não porque tem um compromisso com a vida do povo, mas simplesmente pela
ânsia diabólica de poder sobre os outros e defender seus interesses.
O historiador Flavio Josefo
descreveu a morte de Herodes dizendo que ele morreu com uma combinação de
problemas que incluíam arteriosclerose, falta de ar, distúrbios mentais,
convulsões e necrose, sendo um fim trágico para quem viva no alto de um ego
doente, não apenas de doença física, mas de tanta maldade.
O Natal do Senhor renova a
nossa vida, nossa esperança, mas também nos reposiciona no caminho da grande
luz. Frequentemente somos atraídos por um mundo de trevas que se disfarça de
“justo” e “nobre” por sua beleza externa, mas é a Luz de Jesus que bilha,
desmascara e faz-nos ver a verdade do caminho e o caminho da verdade.
O presépio é o lugar da
grande manifestação de Deus e não o palácio. O presépio é o lugar da
reconstrução e da esperança e reúnem aqueles (grandes e pequenos) que semeiam a
paz, a justiça, a misericórdia, a bondade (que é o caminho de salvação). O
palácio de Herodes representa e reúne o que há de mais sombrio e iniquo contra
o ser humano. Por isso, a liturgia de hoje nos faz uma pergunta simples: quem é
o seu rei?
Nesta semana, dia 06 de
Janeiro, a última Porta Santa do Jubileu dos 2025 anos do nascimento de Jesus,
será fechada, em Roma. Compartilho a alegria de ter ido e atravessado as Portas
Santas, nas basílicas escolhidas para o Jubileu, e ter rezado muito pelo povo
(por você que nos pede orações) e por mim.
Somos gratos ao papa
Francisco que como pastor encarnou bem a sabedoria do evangelho da misericórdia
a todos. Suas palavras e ações dinamizaram a vida eclesial, a partir do
realismo evangélico, que deu sentido o ano jubilar. Mas, o Jubileu dos 2025
anos do nascimento de Jesus não pode ser apenas um evento, mas o empenho que
mantém vivo o evangelho de Jesus em nossa vida pessoal e nas nossas
comunidades.
Feliz Ano Novo para todos.
Que a Luz de Jesus nos guie sempre. Rezemos uns pelos outros. Sejamos luz na
vida dos irmãos.
Edjamir Silva Souza
Padre e Psicólogo


Nenhum comentário