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PALAVRA DO SENHOR – Te chamei para a justiça e tomei pela mão.

A 1ª Leitura (Isaías 42, 1-4.6-7) é um texto deutero-Isaías de um profeta anônimo da escola de Isaías que cumpria sua missão profética na Babilônia entre os exilados judeus (séc. VI a.C).  A situação do povo era de desolação pelo tempo de cativeiro que durou aproximadamente 50 anos. O sentimento de abandono afligia o coração do povo e muitos achavam que Deus havia esquecido eles. Não havia nem mesmo esperança nas palavras de profetas.

Nesse contexto, o profeta aparece com uma palavra de consolação dizendo que Deus o envia para dizer: “Consolai, consolai o meu povo” (Is 40, 1). Junto com essa palavra de consolo anuncia o fim do exílio, a libertação que se aproxima e a volta a terra da qual foram tirados. E faz uma comparação com a saída do Egito e como prospectiva a reconstrução de Jerusalém. Quando tudo isso acontecer, haverá alegria e paz.

Porém, havia falsas teorias da vinda do Messias sobrecarregado de triunfalismo. Para corrigir esta visão o profeta Isaías apresenta quatro cânticos (quatro poemas) onde surge um personagem misterioso e enigmático identificado como “servo de Javé”. Seria alguém da preferência de Javé, mas que não lhe pouparia o sofrimento e a aprovação. As promessas que ele iria realizar seriam em meio a muitos sofrimentos. Muitos biblistas chamam este servo de o próprio Israel (que agora vive no cativeiro).

O texto de hoje é retirado do primeiro (dos quatro) cânticos do servo de Javé. Este servo eleito por Deus que vem para libertar o povo, dar vista aos cegos e libertar os cativos. Porém, esta figura será identificada com Jesus que realizou a missão anunciada por meio de sofrimentos e entrega da sua vida. A libertação não é um ato triunfalista, mas sim um processo que custa sacrifícios. 

A 2ª Leitura (Atos 10, 34-38) Pedro tomou a Palavra e disse “Estou entendendo que Deus não faz distinção de pessoas, pelo contrário ele aceita quem o teme e pratica a justiça” (v. v. 34-35). A primeira geração dos discípulos, junto aos apóstolos, vai compreendendo a luz do Espírito, toda a riqueza dos ensinamentos de Jesus. No texto de hoje encontramos Pedro discursando a necessidade da expansão da Igreja e o caráter da universalidade da missão. O Espírito de Deus intui desde muito cedo na vida da igreja que o critério para pertencer ao povo de Deus não é mais nacionalidade, raça, gênero, mas o temor a Deus e a prática da justiça. O argumento de Pedro está alicerçado na prática de Jesus que passou fazendo o bem a todos sem distinção qualquer.

O Evangelho (Mt 3, 13-17) é a narrativa do batismo de Jesus. Jesus quis estar perto do ser humano em tudo. Ele vem ao encontro de todos solidarizando-Se e assumindo em Si as nossas fraquezas. Em Si, Jesus refaz a comunhão entre Deus e os homens: “o céu se abriu” (v.16). Nele o Espírito Santo repousa para cumprir a missão de libertar e salvar. Ele é o Filho Unigênito e o Ungido do Pai (cf. Mc 1,9-11; Lc 3, 21s; Jo 1, 29-34).

O testemunho a cerca de sua identidade e missão, é conferido pela voz do Pai: “este é o meu Filho amado” (v.17). Estas palavras estão em consonância com o oráculo proclamado pelo profeta Isaías: “Eis o meu Servo. Eis o meu eleito” (Is 42, 1.).

No texto de Isaías o profeta revela a missão do Messias e como ele iria realizá-la: “pus meu espírito sobre ele, ele promoverá o julgamento das nações. Ele não clama nem levanta a voz,

nem se faz ouvir pelas ruas. Não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que ainda fumega;

mas promoverá o julgamento para obter a verdade. Não esmorecerá nem se deixará abater, enquanto não estabelecer a justiça na terra” (Is 42 ,1b-4). No evangelho, escutamos o Pai dizer para todos que escutem seu Filho, em Sua missão, para que todos recebam a vida abundância e a vida eterna.

As primeiras comunidades compreenderam que no nosso batismo, também somos chamados de filhos de Deus (adotivos). O cristianismo do oriente chama de divinização; no ocidente, filiação adotiva. Deus nos revela como seus filhos, e nós nos revelamos como filhos de Deus na maneira de crermos e vivermos (cf. Rm 8,15-18/Gl 4,1-11).

“Eu, o Senhor, te chamei para a justiça e te tomei pela mão; eu te formei e te constituí como o centro de aliança” (Is 42, 6). No Batismo, Jesus tomou consciência de sua missão. Nós, no batismo, aderimos ao seu projeto e recebemos o Espirito Santo para cumpri-lo. Somos testemunhas desse grande projeto de amor que nos envolve por completo. E assim como Jesus fez de sua vida um serviço para todos, também nós. Como você tem vivido seu batismo?

 

Boa semana!

 

Pe. Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo

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