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PALAVRA DO SENHOR – Tu és o meu Servo, faço-te luz.


Após a Festa do Batismo do Senhor, celebrada domingo passado, a igreja nos convida a voltar ao Tempo Comum. É o tempo de Deus (Kairós) em nosso tempo (Chronos). A Palavra de Deus vai ecoando em nosso coração, iluminando a nossa história (e vida pessoal) fazendo-nos passar das trevas do pecada para a Luz de Deus.

Há várias semanas, a Liturgia da Palavra tem feito caminhar os fiéis em um itinerário na companhia do Profeta Isaías. Na 1a Leitura (Is 49,3. 5-9.) continuamos a caminhar com este grande profeta. Domingo passado escutávamos o 1º Cântico-Poema do Servo Sofredor. Neste domingo escutamos o 3º Cântico-Poema. É o profeta desfazendo as expectativas do povo em um Messias triunfalista e levando a compreender que o enviado de Deus assume a nossa condição humana em tudo: “Eis o meu servo – eu o recebo; eis o meu eleito – nele compraz minh’alma; pus meu espírito sobre ele” (Is 42,1). Deus diz a este Servo que não basta que ele seja “servo”, mas que ele será luz das nações.

As primeiras comunidades cristãs precisaram compreender – em meio às dúvidas e infidelidades – que Jesus cumpria a profecia do servo sofredor, dos Cânticos-Poemas de Isaías. Ele é o enviado. A incerteza era tamanha que o Pai – no Batismo de Jesus (seu Filho Unigênito) interveio dizendo: “Este é o meu Filho amado, no qual eu pus o meu agrado” (Mt 3, 17).  

Hoje, quem nos dá esse testemunho é João Batista ao dizer: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do Mundo” (Jo 1, 29). A catequese neste evangelho faz três afirmações: Em primeiro, Jesus é o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Segundo, Ele possui a plenitude do Espírito. Por fim, Ele vem batizar as pessoas no Espírito (o mesmo Espírito que pairava sobre as Águas da Criação (cf. Gn 1,2), que fez cruzar o Mar Vermelho (cf. Ex 14), que estava em Moisés e foi dividido com 70 anciãos (cf. Nm 11, 16-30), que estava com os profetas (Jr 20,9. 1 Cor 14, 32) e que esteve em Maria (cf. Lc1 , 28).

“Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo”. No Templo, há uma tradição de se oferecer um cordeiro para o sacrifício de expiação dos pecados. Aqui, João Batista aponta Jesus como verdadeiro cordeiro que tira o pecado do mundo.

Os cânticos do Servo Sofredor (cf. Is 53), são amplamente interpretados como uma profecia detalhada da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, descrevendo-o como o Messias que levaria os pecados da humanidade, seria desprezado, traspassado por nossas transgressões e ofereceria sua vida como sacrifício para trazer a paz e a justificação. 

No altar da cruz Jesus vai ser o Sacerdote (cf. Hb 7, 11-28) que vai fazer a mediação entre Deus e os homens, mas também é o Cordeiro de Deus que tira o pecado. Ele faz as duas coisas. 

Crer em Jesus é a maneira mais genuína de ser perdoado de seus pecados. O sangue derramado na cruz dá testemunho do cumprimento das profecias.

“Ele é o Filho de Deus” que nos batiza com o Espírito Santo e nos envia em missão. João Batista testemunha que Jesus é o cordeiro que repousa no Espírito.

“Depois de mim vem um homem que passou à minha frente”. Como é bonito ver João B. engrandecendo Jesus e não ele mesmo. É um testemunho que dá uma rasteira em nós que nos apresentamos como “servos de Deus”, mas o culto é a nossa personalidade. O papa Francisco disse certa vez: “estejam atentos ao autorreferencialismo e à mundanidade” (Audiência com os membros do Instituto Secular dos Sacerdotes Missionários da Realeza de Cristo no dia 11 de Janeiro de 2024). Quem tem o Espírito de Deus dá testemunho de Cristo.

Na 2ª Leitura (1Co 1,1-3) Paulo diz que escreve para “os consagrados por Jesus Cristo, para o povo santo chamado por ele e para aqueles que invocam o nome de Jesus Cristo. Um povo santo e consagrado é exatamente isto que o Batismo fez de nós.

O Sacramento do Batismo nos fez um em Jesus e Sua vida se tornou a nossa. A profecia de Isaías que diz: “Tu és o meu Servo, faço-te luz”, se estende até cada um de nós. Ao sermos batizados em Jesus, somos incorporados na vida Dele. Como Jesus agiu para dar testemunho do amor de Deus também nós continuemos a sua missão.

Tirar o pecado do mundo e envolver o ser humano na luz é a ação missionária de Jesus e deve ser a nossa. Peçamos ao Senhor que ele nos envolva em Sua Luz.

 

Edjamir Silva Souza

Padre e Psicólogo

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