Presidente do Inep diz que não houve erro no resultado final do Enamed.
Universidades privadas apontam dados divergentes sobre
avaliação
O presidente Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Manuel Palacios, afirmou nesta terça-feira
(20), em entrevista à TV Brasil, que não há erro no resultado da primeira
edição do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed), que avaliou
351 cursos de medicina em todo o país
Desse total, cerca de 30% tiveram desempenho insatisfatório,
que ocorre quando menos de 60% dos estudantes foram considerados proficientes.
O resultado na prova é utilizado para calcular o conceito Enade das
instituições, que varia de 1 a 5. As notas 1 e 2 são consideradas insuficientes
pelo MEC.
O não atingimento da proficiência vem sendo questionado por
associações que representam faculdades privadas. Elas alegam divergência entre
os dados reportados ao sistema em dezembro do ano passado e os números
divulgados agora, especialmente em relação ao total de estudantes considerados
proficientes nos cursos.
Essa divergência de informação foi reconhecida por Palacios,
e ocorreu, segundo ele, em um comunicado interno via sistema eMEC que as
faculdades têm acesso para a validação de informações. O dado errado sobre o
número de estudantes que alcançaram a proficiência foi corrigido, com base no
resultado alcançado na prova, e não teria sido usado para classificar os
cursos.
"A aplicação do número de estudantes que acolheram
proficiência saiu com resultados divergentes. Houve um erro aqui no Inep desse
quantitativo. Mas esse dado não foi utilizado para qualquer cálculo dos
indicadores de qualidade dos cursos. Então, o que houve foi uma publicação
restrita às instituições com uma prévia do número de alunos com proficiência
que saiu com dados incorretos", afirmou o presidente do Inep.
Palácios explicou que os boletins recebidos pelos
participantes, os resultados publicados para os cursos e o conceito Enade
produzido pelo Inep para todos os cursos de medicina que foram avaliados não
têm qualquer problema.
"Os resultados são válidos, estão corretos e não há
qualquer intercorrência na publicação desses resultados, tanto daqueles que
participaram e receberam o boletim por meio da plataforma do participante,
quanto a publicação recente dos resultados", afirmou.
Segundo ele, o que houve foi uma incorreção na comunicação
prévia com as instituições, sem um efeito no cálculo desses indicadores.
“Os indicadores publicados que constam o número de
participantes estão no site do Inep, tem o número de participantes, o número de
inscritos, o número de estudantes que alcançaram proficiência e o cálculo do
conceito Enade, eles estão todos corretos. Não há nada publicado pelo Inep que
tenha sido entregue ao público que esteja com qualquer erro", prosseguiu.
Inconsistências
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino
Superior (ABMES) destaca que as inconsistências foram reconhecidas pelo próprio
MEC e pelo Inep na divulgação dos resultados do Enamed.
"Após a aplicação das provas e a divulgação dos
resultados aos estudantes e às instituições, o Inep publicou sucessivas notas
técnicas — a NT nº 40, entre 9 e 12 de dezembro; a NT nº 42, em 22 de dezembro;
e a NT nº 19, em 30 de dezembro — alterando e complementando critérios
metodológicos após o encerramento do exame e do prazo de recursos, que se deu
em 17 de dezembro. Medida tão grave quanto foi a alteração dos conceitos que
haviam sido apresentados, em dezembro, para as instituições de educação
superior. Os dados não batem com os que foram divulgados ontem (19) para a
imprensa. O próprio MEC reconheceu a existência de inconsistências nas
informações, ampliando o cenário de dúvidas e insegurança regulatória para as
instituições", diz a entidade.
Esse encadeamento de atos administrativos posteriores à prova
compromete a transparência, a segurança jurídica e a correta interpretação dos
dados, aponta a associação. "Além de expor indevidamente instituições e
estudantes a julgamentos públicos baseados em informações que o próprio MEC
admite precisar revisar".
"Diante disso, a ABMES defende uma apuração criteriosa
dos fatos e reafirma que, no atual contexto, é impossível garantir que os
conceitos produzidos e divulgados pelo Inep estejam corretos. Inclusive, outro
ponto que corrobora para essa dúvida se materializa na forma como os microdados
foram divulgados ontem, sem a existência de qualquer ligação entre os alunos e
as instituições. Essa medida não apenas inviabiliza a checagem dos dados pelas
instituições como as impede de fazerem corretamente suas manifestações em
relação aos resultados divulgados", continuou a entidade, em nota.
Medidas cautelares
O conceito Enade insatisfatório abre caminho para aplicação,
pelo MEC, das chamadas medidas cautelares, que podem incluir restrição de vagas
em cursos de medicina e impedimento de novos ingressos.
O Inep vai abrir prazo de cinco dias, a contar da próxima
segunda-feira (26), para que as instituições possam esclarecer dúvidas e
apresentar as suas manifestações a respeito do cálculo do resultado da
avaliação dos cursos.
Agência Brasil


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