PALAVRA DO SENHOR – Morremos quando não escolhemos o Amor.
As leituras propostas para
este 6º Domingo do Tempo Comum (Eclo 15,16-21; 1Cor 2, 6-10; Mt 5, 17-37),
sobretudo o evangelho, nos colocam diante do que há de mais essencial na lei de
Deus. Os mandamentos do Senhor são um apoio que nos ajudam a caminhar quando
decidimos para onde queremos ir.
Não se trata apenas de fazer
ou não fazer as coisas, pois esse é o universo imaturo e legalista do mundo
judaico (da época de Jesus) e o cristianismo segue por outro caminho mais
profundo e mais exigente. O cristianismo é uma forma de decidir a vida quando
ela nos faz pensar entre o que gera a vida e o que gera a morte.
Ninguém decide por nós,
ninguém é responsável absoluto pela vida do outro, por decidir e condenar o
outro, mas somos responsáveis por aquilo que decidimos. As pessoas tem medo de
decidir. Somos livres. E o inferno pode ser a insegurança do “não decidir”.
Os mandamentos de Deus nos
fazem pensar que se optamos em viver, porque desejamos aquilo que gera a
morte? Queremos a fraternidade, então,
porque optamos pela violência e o egoísmo como se estas coisas formassem
pessoas e sociedades eticamente saudáveis?
A Palavra de Deus ensina que
quando somos levados a viver em sociedade e desejamos, de coração, ajudar os
irmãos (por causa da justiça) estamos escolhendo a vida. Quando escolhemos em
não nos preocuparmos com o bem, a integridade e desenvolvimento dos outros,
então, optamos pela morte. MORREMOS QUANDO NOS FECHAMOS PARA O AMOR. Nos
ferimos e ferimos os outros.
A lei de Deus não é um
preceito vazio, mas faz renascer um coração. Na vida, não mata aquele que
apenas apunha-la o outro com uma arma branca ou com armas e bombas, mas está
morto também aquele que já anulou o outro no coração, aquele que chama o outro
de patife, aquele lhe faz o outro de idiota, lhe humilha, lhe causa danos.
Este, já tem um coração mergulhado no ódio. É preciso dizer hoje, as pessoas de
nosso tempo, que a lei de Deus é o Amor e que, fora disso, não há maturidade
humana, familiar, eclesial, social e político.
O que adianta dizer que ama
sua família, dizer que família é tudo, se você pega uma arma e tira a vida dos
outros e de pessoas inocentes? O amor deve nos ensinar que lealdada é honradez,
mas também deve nos ensinar que também é nobre saber que quando uma relação não
dá mais certo, não precisa ser “até que a morte [um matando o outro] os
separe”. ISSO É LEGALISMO.
Na vida encontramos pessoas
encalhadas em situações de não-vida (relações entre cônjuges e amigos,
instituição...). Em algum momento a própria consciência e o coração há de
perguntar: o que fazer com isso? É nesse momento que Deus vem ao encontro do
ser humano, dizendo: “Escolhe, pois, a vida!”, porque viver importa e todas as
vidas importam.
Ouvimos pessoas dizerem “não
tenho nada a perder” quando desejam prejudicar alguém. Há tantos sinais de
perversão que nem o sistema prisional assusta as pessoas. Nem mesmo a morte
eterna lhes causam uma reflexão ética ou desconforto. Caminhamos em meio a
estas sombras de nosso tempo.
Dizia Jesus: “Não tenham
medo dos que matam o corpo, mas daqueles que matam a alma”(Mt 10,28). O medo de
não viver é necessário e fundamental. Mas, o medo de ser roubado de si mesmo,
da oportunidade de crescer, de ser livre e respeitado no que é, faz muita gente
perder a doçura da paz. Em nossa sociedade
há muitos sinais de morte e a violência que não é só física, mas também
psicológica, patrimonial...que ferem a dignidade humana e assusta a muitos.
Porém, não basta só viver
diagnosticando a sociedade e as pessoas, mas pensar a vida a partir desse belo
desejo do viver. Reconciliar todas as coisas em Cristo, isto é, ajustar a vida
no amor, na liberdade, na promoção humana e na paz é uma tarefa para
todos.
Em períodos como as festas
de carnaval a gente sempre escuta “as pregações docetista” (moralista e
legalista) de quem vive a todo o custo a julgar...julgar... condenar...
condenar... condenar e a demonizar o lazer dos outros. Reprimidos em suas
neuroses vivem a oprimir os outros.
O romancista francês Marcel
Proust (1871-1922), autor do livro “Em busca do tempo perdido”, escreveu certa
vez: “Quando uma pessoa está infeliz, ela se torna moralista”. O Espírito de
Amor sai de cena e entra a lei fria, provando que ainda não estamos maduros em
nossa espiritualidade.
O autor ainda dizia que o
legalista ele não aprendeu a lhe dar com a própria dificuldade, por isso ele
julga os outros e, como numa roleta russa, todos os dias ele procura alguém
para viver condenando. Olhem para as nossas redes sociais.
O Evangelho de Jesus abre
(EFFATÁ) os olhos, os ouvidos e o coração e ajuda a compreender que o amor será
sempre a saudável felicidade que gera vida. Mas, é nossa escolha pela Lei do
Amor que faz o mundo mudar em nós e em torno de nós.
Na 2ª Leitura (1Cor 2,6-10)
Paulo diz que esta forma de pensar não é humana, mas divina e demarca
maturidade. A sabedoria de Deus traz vida. Etimologicamente, a palavra
sabedoria, quer dizer tirar/aproveitar o verdadeiro sabor da vida. É sábio quem
tira o verdadeiro sabor do viver bem.
Estamos próximos do Tempo da
Quaresma e até aqui a Palavra de Deus nos convidou à conversão. Deixemos que a
graça de Deus nos acompanhe (cf. Sl 50(51). Não tenhamos medo de mudar a rota
de nossa vida e optar pela vida: “O que Deus preparou para os que O ama é algo
que os olhos jamais viram, nem ouvidos ouviram, nem coração algum jamais
pressentiu” (1Cor 2, 9). O Evangelho é o caminho da salvação. E não se esqueçam
que Deus lhe ama!
Boa semana!
Edjamir Silva Souza
Padre e Psicólogo


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