PGR pede ao STF condenação de deputados do PL por desvio de emendas. Julgamento será retomado na próxima semana.
A Procuradoria-Geral da
República (PGR) defendeu nesta terça-feira (10) a condenação de dois deputados
federais e um suplente do PL pelos crimes de corrupção passiva e organização
criminosa.
A manifestação da
procuradoria foi feita durante a sessão da Primeira Turma do Supremo Tribunal
Federal (STF) que vai decidir se os deputados Josimar Maranhãozinho (PL-MA),
Pastor Gil (PL-MA), além do suplente Bosco Costa (PL-SE), serão condenados
pelos crimes de corrupção passiva e organização criminosa.
"A gravidade desse
crime, de malversação das verbas públicas, se torna ainda mais grave por esse
contexto da pobreza do estado do Maranhão", apontou o subprocurador-geral
da República, Paulo Jacobina
Ele destacou que a conduta
causou prejuízos ao Sistema Único de Saúde (SUS), prejudicando o acesso da
população a esses serviços.
De acordo com denúncia
apresentada pela PGR, os parlamentares teriam cobrado propina para a liberação
de emendas parlamentares. Mais cinco pessoas ligadas aos parlamentares também
são réus no processo.
Conforme a acusação, entre
janeiro e agosto de 2020, os deputados solicitaram vantagem indevida de R$ 1,6
milhão para liberação de R$ 6,6 milhões em emendas para o município de São José
de Ribamar (MA).
Após ouvirem as sustentações
da PGR e dos advogados dos acusados, o julgamento foi suspenso e será retomado
na próxima terça-feira (17), quando serão proferidos os votos pela condenação
ou absolvição dos acusados.
O caso é relatado pelo
ministro Cristiano Zanin. Também fazem parte da turma os ministros Flavio Dino,
Alexandre de Moraes e Cármen Lúcia.
Defesas
A defesa de Bosco Costa
disse que as investigações deveriam ter tramitado inicialmente no STF e devem
ser anuladas.
O advogado Leandro Racca
também negou que os recursos envolvidos tenham relação com emendas
parlamentares. Segundo ele, a Controladoria-Geral da União (CGU) não
identificou que os recursos são oriundos de emendas.
"A certeza para o fim
de imputação penal, com relação à autoria de emenda parlamentar, absolutamente
não existe", afirmou.
O advogado Felipe Fernandes
de Carvalho negou que Josimar Maranhãozinho tenha encaminhado emendas para o
município São José de Ribamar (MA). Segundo o advogado, o parlamentar era
adversário político do então prefeito José Eudes.
“É incompreensível pensar
que um deputado, que não tem base eleitoral no município de São José de
Ribamar, que não conhece o prefeito, encaminhe algum tipo de recurso para
aquele município”, afirmou.
O advogado de Pastor Gil
declarou que a defesa só teve acesso completo a documentos do processo após
fase de interrogatório. Durante a sustentação, Maurício de Oliveira também
citou supostas ilegalidades na fase de investigação da Policia Federal.
"É incontroverso.
Manipularam livremente os elementos digitais e corromperam a prova digital
desse processo”, completou.
Agência Brasil


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