Covid-19: nova variante detectada em 23 países possui maior escape imunológico.
A variante BA.3.2 do
coronavírus — também chamada de “Cicada” — já foi identificada em pelo menos 23
países. O principal diferencial dessa linhagem é a maior capacidade de escapar
dos anticorpos, em comparação com variantes predominantes atualmente e que são
alvo das vacinas, como a JN.1 e a LP.8.1. Os dados são do recente relatório dos
Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), principal
agência federal de saúde pública dos Estados Unidos.
Desde o início da pandemia
de Covid-19, novas variantes do SARS-CoV-2 surgem regularmente devido a
mutações na chamada proteína spike, estrutura usada pelo vírus para entrar nas
células humanas. Quando essas mutações ocorrem, o vírus pode se tornar mais
transmissível ou reduzir a eficácia dos anticorpos gerados por vacinas ou
infecções anteriores. Por isso, as vacinas precisam ser atualizadas
periodicamente para acompanhar as variantes mais recentes em circulação.
Segundo o relatório, a
BA.3.2 descende da linhagem BA.3, que circulou brevemente junto com variantes
como BA.1 e BA.2 entre o final de 2021 e 2022. Essa nova linhagem apresenta
aproximadamente 70 a 75 mutações na proteína spike, o que explica sua maior
capacidade de escapar da resposta imunológica.
Especialistas dizem que não
há motivo para alarme
Apesar da maior capacidade
de escape imunológico, a Rede Global de Vírus (GVN, na sigla em inglês) afirma
que não há evidências, até o momento, de que a BA.3.2 cause doença mais grave e
que os dados disponíveis não justificam estado de alerta ou maior preocupação.
Em nota, a entidade explica
que, embora o escape imunológico possa aumentar a probabilidade de infecção ou
reinfecção, isso não significa redução da proteção contra casos graves.
Segundo a GVN, as mudanças
observadas são compatíveis com a evolução natural esperada do coronavírus e de
outros vírus respiratórios. Em vez de indicar uma nova ameaça imediata, a
BA.3.2 reforça a importância da vigilância constante.
Detecções globais
A variante BA.3.2 foi
identificada pela primeira vez em 22 de novembro de 2024, na África do Sul, em
uma amostra coletada por swab nasal de um menino de 5 anos.
O segundo registro ocorreu
em 17 de março de 2025, em Moçambique, seguido por detecções em:
● Países Baixos, em 12 de
abril
● Alemanha, em 29 de abril
Após esses primeiros
registros, outros casos foram poucos frequentes até setembro de 2025, quando
começaram a aumentar. O maior número de detecções ocorreu na primeira semana de
dezembro de 2025.
Até 11 de fevereiro de 2026,
a variante havia sido identificada em 23 países, incluindo casos nos Estados
Unidos em viajantes vindos do Japão, Quênia, Países Baixos e Reino Unido.
Entre novembro de 2025 e
janeiro de 2026, a variante chegou a representar cerca de 30% das sequências
analisadas em três países europeus: Dinamarca, Alemanha e Países Baixos. Mesmo
assim, a incidência geral de Covid-19 nesses locais não foi maior do que em
anos anteriores.
Até o momento, o Brasil não
registrou casos da linhagem BA.3.2.
Vacinas podem ser
atualizadas em 2026
A próxima reunião da
Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a composição das vacinas contra
Covid-19 está programada para maio de 2026. O encontro será conduzido por grupo
técnico responsável por avaliar se a fórmula das vacinas precisa ser
atualizada.
Durante a reunião, serão
analisados:
● os dados epidemiológicos
mais recentes
● a duração da proteção
oferecida pelas vacinas
o tempo necessário para
atualizar novas versões das vacinas
Durante a reunião, também
serão apresentados resultados de testes com diferentes variantes do vírus, com
o objetivo de avaliar quais vacinas oferecem melhor proteção e se novas
linhagens, como a BA.3.2, conseguem escapar dos anticorpos.
Fonte: Brasil 61 -


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