PALAVRA DO SENHOR – Conhecer Jesus é conhecer o Pai. Por Edjamir Silva Souza - Padre e Psicólogo.
INICIAMOS O MÊS DE MAIO COM DIAS FESTIVOS CHEIOS DA ALEGRIA
PASCAL: mês dedicado a Maria, festa da Ascenção, Festa de Pentecostes e Festa
da Santíssima Trindade. Hoje, 5º Domingo da Páscoa, continuamos a meditar
fielmente a Palavra de Deus e o verbo (RE) CONHECER insiste em caminhar
conosco.
Na segunda leitura (1Pd 2, 4-9) Pedro utiliza de muitas
imagens cristológicas: Cristo é uma pedra viva, firme e resistente. É uma
alusão ao profeta Isaías (28, 16): “Eis que ponho em Sião uma pedra angular,
escolhida e preciosa, quem nela crer não será confundido”. Mas, uma pedra
rejeitada pelos construtores (as autoridades do povo). E, para estes, Jesus
será sempre uma pedra de tropeço, pois sua Palavra (cf. Mt 5,17-37) é motivo de
reerguimento aos excluídos, mas motivo de queda para os grandes (lc 1, 52) Aquele
que escuta Jesus tem vida e se torna “pedra viva”, “sacerdócio santo”, “raça
escolhida”.
A primeira leitura (At 6, 1-7) testemunha que as comunidades
eclesiais foram construídas a partir daqueles que puseram em prática o que
Jesus ensinou: o serviço diário aos mais vulneráveis.
No Evangelho (14, 1-12) encontramos uma comunidade desanimada
pelo anúncio da traição de Pedro (cap. 13). Este anúncio antecipa uma
tempestade sobre os apóstolos. Jesus tenta encorajá-los: “não se perturbe o
vosso coração” (v.1)
Há muitas notícias que recai sobre o povo que pretende jogar
uma pá de terra na esperança dos pobres e dos excluídos. Dia após dia se
espalham as tramoias e a corrupção para sustentar aqueles que sempre detiveram
grandes fortunas, privilégios e derrubar aqueles que trabalham pelo bem comum.
Há sempre alguém (ou grupos) que está (ão) disposto (s) a trair a Boa Nova do
Reino de Deus sujeitando as pessoas à eterna escravidão do pecado da
desigualdade. A notícia é ainda mais escandalosa quando esse “negar” ou “trair”
vem de dentro da comunidade eclesial.
Ao que Jesus ensina há uma forte oposição, pois “Ele veio ser
sinal de contradição estando ao lado dos pobres” (cf. Lc 1, 52. 2, 34). Na vida
eclesial, esta é a mesma missão dos seguidores de Jesus.
“Credes em Deus, credes também em Mim” (Jo 14, 1). Jesus une
a fé no Pai e Nele, pois Ele será capturado e assassinado por uma ideologia
feroz que não reconhece suas ações como enviado do Pai. Ele é chamado de
blasfemador. Para muitos, o fato de Jesus estar ao lado dos excluídos é
interpretado como inimigo de Deus. Mas, ao contrário do que muitos pensam, aqui
reside o verdadeiro testemunho.
“Na casa do Pai, há muitas moradas” (v. 2). Jesus contrapõe
uma antiga idéia de que a Casa de Deus é só para alguns eleitos. Ele ensina que
“as muitas moradas” é a idéia de que a Casa do Pai (ou a imensidão de Deus)
acolhe as múltiplas formas e maneiras inéditas de amor que não tem limites ou
contornos ideológicos e farisaicos que não permitem ir além. Por isso, Ele foi
chamado de blasfemador. Jesus não quis preparar aposentos (residências). É
possível entender que a Casa do Pai, somos todos nós, as muitas e múltiplas
moradas que Ele mesmo prepara.
“Se alguém me ama, guardará minha Palavra. Meu Pai o amará e
Nós viremos a Ele e Nele faremos morada” (v. 23). Cada indivíduo e cada
comunidade são chamados a ser um autêntico santuário que Deus habita no amor e
na misericórdia. Cada pessoa é templo de Deus e onde Ele está (no irmão)
devemos estar também. Esse caminho já conhecemos, é aquele mesmo que Jesus
indicou “o amor que se torna serviço”.
“Não sabemos para onde vais” (v. v. 5-6). Tomé representa o
discípulo que, mesmo convivendo tanto tempo na intimidade com Jesus, não sabe
para onde Jesus está levando a Igreja. Para onde Jesus quer chegar, Ele se
apresenta como caminho, verdade e vida.
O discípulo só pode se tornar testemunha da verdade se
permanecer no dinamismo do caminho que Jesus fez. Um caminho que se expressa
não em antigas discursões teológicas frias e que levam a todo o tipo de
preconceito e exclusão. O caminho de Jesus nos leva ao dinamismo do amor que
faz a vida e vida plena acontecer para todos.
“Conhecer Jesus é conhecer o Pai” (v. v. 7-10). O Pai se
expressa em Jesus revelando uma lógica diferente do mundo. Filipe parece não se
convencer disso e, ainda, exige um sinal para crer: “mostra-nos o Pai” (v. v.
8-10). Filipe é mais um discípulo que tem muito tempo de comunidade e, ainda,
não compreendeu Jesus. Quem viu Jesus, viu o Pai, isto é, Aquele que defendeu
os pobres, Aquele que fez dos excluídos os bem aventurados, Aquele colocou o
Amor como síntese dos seus mandamentos, Aquele que lavou os pés...Este revelou
como é o Pai. E isso continua sendo uma blasfêmia para muitos.
Jesus é a única
possibilidade de conhecer a Deus. Ele é amor que se torna serviço: “não
acreditas que eu estou no Pai e o Pai está em mim?” (v. 10). Jesus ainda
continua: “O Pai permanece em mim e realiza as suas obras”. A força do Pai está
nas Palavras e nos gestos de Jesus.
“Acredita-me” (v. 11). Ele não pede para crer Nele por um
sistema doutrinário, regras de boa conduta litúrgica ou múltiplos devocionais,
mas pelas obras que comunicam vida. As obras em favor da vida do ser humano são
mais essenciais do que os catecismos que são modificáveis.
“Quem acredita em mim, fará as obras que faço ou ainda
maiores” (v. 12). As ações que comunicam vida, todos poderão fazer. Todo o
serviço à vida é uma extensão do ministério de Jesus. Jesus dá um exemplo e
pede que façam coisas maiores do que Ele fez.
Tomé e Filipe representam a incompreensão do discípulo que ainda não sabe o caminho. Mas, não só ele, também nós. Se não acreditamos na dinâmica do amor, não somos verdadeiras testemunhas do Reino de Jesus. Quando escutamos pregadores e autoridades desqualificando professores, pensadores, acirrando os antigos discursos de misoginia, xenofobia, aporofobia, violências de toda espécie por causa da orientação sexual; já sabemos de imediato que esse não é o discurso do Reino. E Jesus já havia alertado: “não sigais essa gente” (Lc 21, 8).
Boa semana!
Edjamir Silva Souza
Padre e Psicólogo


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